Daily Journal

Greve tem motivação eleitoral e extrapolou pautas universitárias, diz reitor da USP

Folha de S.Paulo05 de junho de 202618minVer no YouTube|

Contexto da Crise na USP

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o reitor da Universidade de São Paulo (USP) analisa a greve estudantil que impactou a instituição. O gestor argumenta que o movimento, iniciado no início de sua gestão, extrapolou pautas acadêmicas e de permanência estudantil, assumindo um caráter político-eleitoral alinhado a interesses externos à universidade.

Pontos Principais

  • Negociação e Impasses: O reitor afirma que a reitoria realizou 20 horas de reuniões com os estudantes. Segundo ele, a disposição para o diálogo foi rompida quando o "comando de greve" passou a exigir o atendimento integral de todas as reivindicações como condição para encerrar a paralisação.
  • Auxílio Permanência: A reitoria propôs um reajuste baseado no IPC da FIPE, elevando o auxílio para R$ 912,00. O reitor relata que, após a aceitação da proposta, os estudantes mudaram a demanda para o valor de um salário mínimo paulista, o que ele interpreta como uma estratégia para inviabilizar acordos.
  • Pautas Externas: O reitor destaca que a lista de reivindicações incluía temas alheios à competência da universidade, como a "libertação da Palestina" e o fim da jornada 6x1 para trabalhadores terceirizados, evidenciando uma agenda política externa.
  • Representatividade: O gestor questiona a legitimidade do "comando de greve", afirmando que este grupo silenciou outras vozes estudantis e que muitos líderes se identificavam mais por suas filiações a movimentos políticos do que por seus vínculos acadêmicos com a USP.
  • Interesses Eleitorais: O reitor aponta que, antes mesmo do início das negociações, já havia uma marcha agendada para o Palácio dos Bandeirantes, sugerindo que o movimento tinha um cronograma político pré-estabelecido, possivelmente ligado a oposições à candidatura do governador.
  • Infraestrutura: Sobre as críticas às condições do CRUSP (Conjunto Residencial da USP), o reitor esclarece que vídeos circulando nas redes sociais mostravam prédios já interditados para reforma, distorcendo a realidade da moradia estudantil atual.

Citações Relevantes

  • "O que nós ouvimos na terceira reunião é de que as negociações só poderiam ser encerradas sob a perspectiva dos estudantes quando todas as reivindicações fossem atendidas. Ali para mim a interpretação é de que o próprio sentido de negociação havia sido rompido."
  • "Eu sou fulano de tal do movimento X ou do movimento Y. Então isso me faz pensar que a voz que ele externa ali é muito mais uma voz do movimento X ou do movimento Y."

Implicações

  • Limites da Gestão: O reitor conclui que a universidade deve manter canais de escuta, mas não pode confundir negociação com a aceitação de imposições. Ele reforça que o orçamento da USP é fixo e que qualquer aumento em permanência estudantil acima dos R$ 460 milhões anuais atuais exige deliberação do Conselho Universitário e sacrifício de outras áreas.
  • Postura Futura: A gestão pretende adotar uma postura mais firme contra piquetes físicos e invasões, visando garantir o direito de ir e vir dos estudantes que desejam retomar as atividades acadêmicas, reforçando o cumprimento das normas de convivência democrática dentro do campus.