Anthropic's Boris Cherny: Why Coding Is Solved, and What Comes Next
Neste vídeo, Boris Cherny, criador do Claude Code na Anthropic, discute a evolução do desenvolvimento de software impulsionada por modelos de IA. Ele compartilha a história do Claude Code, sua visão de que a codificação está "resolvida" e as implicações dessa mudança para equipes, produtos de software e o futuro da programação.
A Origem do Claude Code
- Boris Cherny iniciou o Claude Code "acidentalmente" no final de 2024, como parte de uma incubadora na Anthropic chamada Anthropic Labs.
- A equipe, composta por poucos membros, tinha como objetivo construir algo que o modelo pudesse fazer, mas que nenhum produto ainda havia capturado – o que ele chama de "product overhang".
- Na época, o estado da arte em codificação assistida por IA era o preenchimento automático de uma linha por vez (type-ahead), mas a equipe acreditava que o modelo poderia ir muito além, permitindo que o agente escrevesse todo o código.
- Nos primeiros seis meses, o Claude Code não funcionou bem e era pouco utilizável, mesmo após seu lançamento inicial, não apresentando crescimento exponencial.
- O crescimento exponencial começou em maio, com o lançamento do Opus 4, e continuou a infletir com cada nova versão do modelo (4.5, 4.6, 4.7).
- A Anthropic sempre focou em negócios, empresas, segurança e codificação, e o Claude Code surgiu como uma aposta de produto alinhada a essa visão.
Codificação "Resolvida" e o Futuro do Desenvolvimento
- Boris Cherny afirma que, para ele, a codificação está 100% resolvida. Ele usa o modelo para escrever todo o seu código, gerando dezenas de PRs (Pull Requests) por dia, chegando a 150 em um único dia.
- A base de código do Claude Code é simples (TypeScript e React), escolhida inicialmente porque o modelo era menos inteligente e se dava melhor com linguagens e frameworks mais comuns. Hoje, o modelo pode escrever em qualquer linguagem.
- Ele reconhece que a codificação ainda não está 100% resolvida em todos os lugares, especialmente para bases de código muito complexas ou linguagens menos comuns, mas acredita que "a resposta geralmente é apenas esperar pelo próximo modelo."
Configuração Pessoal e Ferramentas
- Boris trabalha principalmente do seu telefone, usando o aplicativo Claude com várias sessões (5 a 10) e centenas de agentes ativos.
- Ele utiliza "loops" (
/loop) – um recurso que permite ao Claude usarcronpara agendar tarefas repetitivas. Ele tem dezenas de loops rodando para tarefas como: babysitting de PRs (corrigindo CI, rebase automático), mantendo o CI saudável (corrigindo testes instáveis) e coletando feedback do Twitter. - A Anthropic também lançou "routines", que são loops que rodam no servidor, mesmo com o laptop fechado.
Implicações para Equipes e Produtos de Software
- Generalistas Cross-disciplinares: Boris prevê que haverá mais generalistas que são bons em engenharia, mas também em design, produto e ciência de dados. Na equipe do Claude Code, todos (gerente de engenharia, gerente de produto, designers, cientistas de dados, finanças, pesquisadores de usuários) escrevem código.
- "Apocalipse SaaS" e o Valor do Software: Ele acredita que o valor de alguns "modos" de negócio (baseados nas "Sete Forças" de Hamilton Helmer) diminuirá, como custos de troca e poder de processo, pois a IA facilita a portabilidade e a otimização de fluxos de trabalho.
- Novos Modos de Valor: Modos como efeitos de rede, economias de escala e recursos monopolizados continuarão importantes.
- Explosão de Startups: O número de startups disruptivas aumentará 10x, pois pequenas empresas podem construir produtos tão valiosos quanto grandes corporações, que enfrentam resistência interna para evoluir seus processos com IA. "É o melhor momento para construir. É o melhor momento para ser uma startup."
- Democratização do Software: Boris compara a democratização do software à invenção da prensa tipográfica no século XV, que democratizou a alfabetização. Ele acredita que, em um futuro próximo, escrever software será uma habilidade que qualquer pessoa pode ter, como enviar uma mensagem de texto.
- A Vantagem do Especialista no Domínio: A melhor pessoa para escrever software de contabilidade, por exemplo, não é um engenheiro, mas um bom contador, pois o conhecimento do domínio é a parte difícil, e a codificação se torna fácil com a IA.
A Lacuna entre a Anthropic e o Mundo Exterior
- Internamente, a Anthropic usa os mesmos modelos disponíveis para o público (Mythos, Opus 4.7) para garantir que os desenvolvedores possam usar as mesmas ferramentas. A empresa pratica "dogfooding" extensivo.
- A principal vantagem da Anthropic não está na tecnologia dos modelos, mas na estrutura organizacional e nos processos que foram adaptados para usar IA em tudo. "Nenhum código escrito manualmente em qualquer lugar da empresa. Todo o SQL é escrito por modelos. Tudo é construído pelos modelos."
- A empresa usa o Claude para tudo, com agentes se comunicando via Slack para resolver problemas e descobrir informações desconhecidas.
- A lacuna entre a Anthropic e o resto do mundo está diminuindo em termos de tecnologia, mas aumentando em termos de como as organizações se adaptam para integrar a IA em seus processos.
Futuras Inovações
- Multi-agentes: A capacidade de delegar trabalho e usar múltiplos agentes está melhorando. O modelo, à medida que se torna mais inteligente, naturalmente começa a paralelizar tarefas.
- IA Local vs. Nuvem: Boris acredita que, em alguns anos, o modelo decidirá se usará modelos locais ou na nuvem, tornando essa decisão irrelevante para os engenheiros.
- Co-work e Acesso a Ferramentas: Para o trabalho de conhecimento geral, a solução é o MCP (Multi-modal Control Plane), que conecta o Claude a ferramentas como Salesforce, Google Docs e Google Calendar. Para sistemas sem MCPs, o "computer use" (capacidade da IA de usar qualquer software no computador) é uma solução, embora mais lenta.
- Próximos Produtos: Boris menciona o "Claude Design" como um exemplo de produto que se tornará muito mais interessante com a melhoria dos modelos. Ele também antecipa melhorias no Claude Code, especialmente em torno da paralelização massiva de agentes (loops, batch) e no "computer use".
