O que é a Volkswagen
A Volkswagen é a montadora alemã que dá nome ao Grupo Volkswagen, um dos maiores fabricantes de veículos do mundo. A sede fica em Wolfsburg, no estado da Baixa Saxônia, e o grupo é presidido desde 1º de setembro de 2022 por Oliver Blume.
Em 2024, o grupo empregava cerca de 682,7 mil pessoas, operava 100 fábricas em 27 países, teve receita de € 321,9 bilhões, lucro líquido de € 6,9 bilhões e entregou 9,0 milhões de veículos.
O controle acionário é dividido entre a Porsche SE, que detém 31,9% do capital e 53,3% dos votos; o estado da Baixa Saxônia, com 11,8% do capital e 20% dos votos; e a Qatar Investment Authority, com 10,4% do capital e 17% dos votos. A participação do governo estadual dá ao poder público alemão voz nas decisões estratégicas da empresa — inclusive nas de fechamento de fábrica.
Carros Volkswagen: os modelos vendidos no Brasil
A linha produzida no país reúne o Polo, o Virtus, o Nivus, o T-Cross, a picape Saveiro e o SUV Tera.
O Tera é o lançamento mais recente. Foi apresentado em 26 de maio de 2025, desenhado e desenvolvido no Brasil e é produzido com exclusividade na fábrica de Taubaté, onde a marca também monta o Polo. A montadora atribui ao modelo a criação de 260 empregos diretos na unidade e cerca de 2.600 na cadeia de fornecedores.
Modelos como o Gol, o Fox, o Up e o Golf saíram de linha no Brasil, mas continuam entre os mais procurados da marca no mercado de usados — o Gol foi o carro mais vendido do país de 1987 a 2012. Outros, como o Tiguan e o Amarok, são importados.
Volkswagen no Brasil: história e fábricas
A Volkswagen do Brasil foi constituída em 23 de março de 1953, depois que o governo brasileiro proibiu a importação de veículos montados. A operação começou com a montagem do Type 1 a partir de componentes vindos da Alemanha.
A produção nacional de Fusca e Kombi começou em 1957. Do ano seguinte em diante, o Fusca foi o carro mais vendido do Brasil por 24 anos consecutivos. Em 1961, a Volkswagen ultrapassou a Willys-Overland e se tornou a maior fabricante de veículos do país.
Hoje a empresa opera quatro fábricas: São Bernardo do Campo (SP), Taubaté (SP) e São José dos Pinhais (PR), que montam automóveis, e São Carlos (SP), dedicada a motores.
Em fevereiro de 2024, a montadora elevou para R$ 16 bilhões o plano de investimentos no país — R$ 7 bilhões já previstos para 2022 a 2026 mais R$ 9 bilhões adicionais entre 2026 e 2028 — com a promessa de lançar 16 novos veículos até 2028, entre flex, híbridos e elétricos.
História e origem da Volkswagen
A Volkswagen foi fundada em 28 de maio de 1937, em Berlim. O nome significa "carro do povo" em alemão, e a empresa nasceu de um projeto do regime nazista para produzir um automóvel popular — o veículo que viria a ser conhecido no Brasil como Fusca. A fábrica principal foi erguida na cidade que hoje se chama Wolfsburg.
Do pós-guerra em diante, a companhia se expandiu por compras sucessivas de outras marcas até formar o conglomerado atual.
Marcas do Grupo Volkswagen
O grupo reúne onze marcas de automóveis: Volkswagen, Audi, Bentley, Cupra, Ducati (motocicletas), Jetta, Lamborghini, Porsche, SEAT, Škoda e Scout Motors. A operação de veículos comerciais é organizada sob a Traton, que controla MAN, Scania e International Motors.
Caminhões e ônibus Volkswagen
Os caminhões e ônibus de marca Volkswagen vendidos no Brasil vêm da Volkswagen Caminhões e Ônibus, empresa criada em 1981, quando a Volkswagenwerk AG comprou a Chrysler Motors do Brasil. Desde a fusão da MAN SE com a Traton, concluída em agosto de 2021, a operação é subsidiária da Traton SE — ou seja, não faz parte da divisão de automóveis da marca.
A fábrica fica em Resende (RJ) e opera pelo modelo de consórcio modular, em que empresas parceiras montam os componentes dentro da própria planta. A unidade produz cerca de 240 veículos por dia em dois turnos, com aproximadamente 4,5 mil funcionários, e atende mais de 35 países. As linhas atuais são Meteor, Constellation, Delivery e Volksbus.
Volkswagen elétrica: o ID.4 no Brasil
A Volkswagen confirmou que o SUV elétrico ID.4 será vendido no Brasil ainda em 2026, importado da Alemanha. É o primeiro veículo 100% elétrico da marca comercializado regularmente no país — até então o modelo só era oferecido por assinatura, no programa VW Sign&Drive.
As versões disponíveis por assinatura têm 204 cv, 31,6 kgfm de torque e bateria de 77 kWh, com autonomia de cerca de 370 km segundo o Inmetro. A montadora promete ganhos de potência, torque, autonomia e velocidade de recarga rápida na versão que será vendida, mas ainda não divulgou a ficha técnica oficial. O ID.4 já ultrapassou 700 mil unidades vendidas no mundo.
Reestruturação de 2026 e o corte de 100 mil empregos
Em 3 de setembro de 2026, o conselho de supervisão da Volkswagen aprovou o maior plano de reestruturação da história da empresa. O pacote prevê a eliminação de mais 50 mil postos de trabalho, cerca de 8% da força de trabalho global do grupo. Somados aos cortes já acertados desde o fim de 2024, o total chega a 100 mil vagas.
O plano também prevê:
- Fim da produção de automóveis em quatro fábricas alemãs — Emden, Hannover, Neckarsulm e Zwickau — à medida que os modelos atuais saírem de linha, entre 2031 e 2034. A empresa afirma que vai estudar usos alternativos para as unidades em vez de fechá-las de imediato.
- Redução de até 50% no portfólio de modelos até 2035.
- € 135 bilhões em investimentos e pesquisa e desenvolvimento entre 2027 e 2031, cifra cerca de 16% menor que a do plano anterior.
Demissões compulsórias seguem vedadas até o fim de 2030 por acordos já existentes com os trabalhadores. A presidente do sindicato IG Metall, Christiane Benner, e a presidente do conselho de trabalhadores da empresa, Daniela Cavallo, afirmaram que o acordo evitou uma escalada perigosa e garantiu que nenhuma fábrica seja fechada agora.
A montadora justifica o ajuste pela queda nas vendas na China, pelos custos elevados de operar na Alemanha, pela ociosidade das fábricas e pela concorrência de fabricantes chinesas como a BYD.
O escândalo das emissões (Dieselgate)
O Dieselgate foi revelado em 18 de setembro de 2015, quando a agência ambiental americana EPA anunciou formalmente que a Volkswagen havia instalado software de fraude em motores a diesel. A irregularidade tinha sido detectada antes, em testes de 2013 e 2014 conduzidos pelo Centro de Motores e Emissões de Combustíveis Alternativos da Universidade da Virgínia Ocidental (WVU CAFEE), a pedido do International Council on Clean Transportation.
O software identificava quando o carro estava sendo testado em dinamômetro e ativava o controle total de emissões; na rua, desligava boa parte desse controle. Os veículos chegavam a emitir até 40 vezes mais óxidos de nitrogênio que o limite legal. Cerca de 11 milhões de carros no mundo — 500 mil deles nos Estados Unidos — traziam o dispositivo, em modelos das marcas Volkswagen, Audi, Porsche e Škoda fabricados entre 2009 e 2015.
Até junho de 2020, o escândalo já havia custado US$ 33,3 bilhões à empresa em multas, acordos e recompra de veículos. O ex-presidente Martin Winterkorn foi indiciado nos Estados Unidos em maio de 2018 por fraude e conspiração, e o gerente de conformidade de emissões Oliver Schmidt foi preso em janeiro de 2017 e se declarou culpado de conspiração.
