Quem é Rui Costa Pimenta
Rui Costa Pimenta é jornalista e presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), legenda que ajudou a fundar em 1995 e que dirige desde então. Nasceu em São Paulo em 25 de junho de 1957 — o registro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referente à sua candidatura de 2014 traz o Butantã, na capital paulista, como município de nascimento, ocupação "jornalista e redator" e ensino superior completo.
Formou-se em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Antes disso, cursou Letras na Universidade de São Paulo (USP), onde foi diretor do centro acadêmico do curso, mas não concluiu a graduação, segundo o perfil mantido pelo Núcleo de Estudos em Arte, Mídia e Política (NEAMP) da PUC-SP.
É neto de João da Costa Pimenta (1888–1976), linotipista e militante que participou da fundação do Partido Comunista do Brasil (PCB), em 1922, e da Liga Comunista Internacionalista, em 1931.
Em 2026, é pré-candidato à Presidência da República pelo PCO, com Antônio Carlos Silva, o Toninho, como pré-candidato a vice.
Trajetória: do PT à fundação do PCO
Pimenta começou a militar no fim dos anos 1970, no movimento estudantil, durante a ditadura militar. Participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980, e da Central Única dos Trabalhadores (CUT). A partir de 1984 passou a trabalhar como jornalista para a CUT e, em 1985, foi eleito diretor da central na região da Grande São Paulo.
Dentro do PT, integrou a tendência Causa Operária, nome tirado do jornal da organização. O grupo se opunha à política de coligações eleitorais do partido e ao modelo de sustentação parlamentar construído a partir das prefeituras petistas eleitas em 1988, e acumulou atritos com a direção — em especial durante a gestão de Luiza Erundina em São Paulo (1989–1992).
Os relatos sobre o desfecho da ruptura divergem quanto à data: o perfil do NEAMP afirma que os militantes da tendência foram expulsos do PT em 1992; a Wikipédia registra que a Causa Operária declarou publicamente o rompimento em 1992 e foi expulsa em 1995. Em entrevista à agência Sputnik Brasil, publicada em abril de 2026, Pimenta resumiu que o grupo passou "cerca de dez anos" no PT antes de romper.
O Partido da Causa Operária foi lançado em 1995. Na lista oficial de partidos registrados no TSE, o deferimento do registro do PCO está datado de 30 de setembro de 1997, e Rui Costa Pimenta consta como presidente nacional. O número de legenda do partido é 29.
Candidaturas à Presidência da República
Pimenta é um dos nomes mais recorrentes das eleições presidenciais brasileiras, sempre com votação marginal.
- 2002 — Concorreu tendo Pedro Paulo Pinheiro como vice e obteve 38.619 votos, 0,05% dos votos válidos no primeiro turno.
- 2006 — O TSE indeferiu, por unanimidade, o pedido de registro da candidatura (RCPr 127) em 15 de agosto, porque ele não havia prestado contas da campanha presidencial de 2002 no prazo previsto na Lei das Eleições. A defesa alegou que a exigência derivava da Resolução 21.823, editada pelo TSE em 2004, e que a sanção não existia à época dos fatos; protocolou recurso extraordinário e, depois, agravo de instrumento, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro daquele ano. Enquanto o processo corria, o PCO manteve espaço no horário eleitoral gratuito, porque a perda dos direitos de candidato só se dá após o trânsito em julgado. O indeferimento prevaleceu: nos registros da eleição de 2006, a chapa aparece entre as candidaturas indeferidas, e Pimenta não teve votação apurada naquele pleito.
- 2010 — Obteve 12.206 votos, 0,01% dos válidos, a última colocação entre os nove candidatos.
- 2014 — Concorreu com o bancário Ricardo Machado como vice. A candidatura foi deferida pelo TSE e o resultado foi de 12.324 votos, 0,01% dos válidos, novamente a última posição. O partido informou ao TSE previsão de gasto máximo de campanha de R$ 300 mil.
- 2018 e 2022 — O PCO não lançou candidatura própria. Em 2018 apoiou de forma crítica a candidatura do PT, sem integrar a coligação. Em 2022, o partido apoiou a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, também sem entrar na frente que o elegeu.
Ao longo de quase três décadas, o PCO elegeu um único representante: o vereador João Vieira da Silva, escolhido em 2004 no município de Benjamin Constant (AM), com 635 votos, em coligação com PSC, PPS e PRP. O partido não tem representação no Congresso Nacional.
Pré-candidatura em 2026
A intenção de lançar Pimenta novamente à Presidência foi anunciada em 12 de outubro de 2024, durante a 37ª Conferência Nacional do PCO. A decisão foi formalizada na 38ª Conferência Nacional, realizada em fevereiro de 2026, que aprovou por unanimidade a candidatura própria e indicou Pimenta ao cargo, com Antônio Carlos Silva como pré-candidato a vice. É a primeira vez desde 2014 que o partido disputa a Presidência.
Antônio Carlos Silva, o Toninho, tem 63 anos, é natural do Rio de Janeiro e professor da rede pública estadual de São Paulo. Coordena a Corrente Sindical Nacional Causa Operária, é diretor do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e integra o conselho editorial do Jornal Causa Operária. Como Pimenta, participou da fundação do PT e da CUT.
Em comunicado publicado em 16 de julho de 2026, o PCO marcou para 1º e 2 de agosto os atos de lançamento das candidaturas, com disputa prevista em cerca de 20 estados. O ato principal, na capital paulista, reúne o lançamento da chapa presidencial e das candidaturas estaduais de São Paulo, encabeçadas por Izadora Dias, pré-candidata ao governo do estado.
O próprio pré-candidato descreve a disputa como instrumento de propaganda, não como aposta de vitória. "A minha candidatura é um esforço de propaganda política. Eu acho que é importante aproveitar as eleições para abrir um debate mais estratégico sobre o Brasil", disse em entrevista ao programa 20 Minutos, da Opera Mundi, exibida em 20 de abril de 2026. A formulação repete o que declarara em 2014, quando afirmou concorrer "sem a menor ilusão" de que o sistema eleitoral permitisse ao partido vencer.
Propostas
As bandeiras apresentadas por Pimenta na pré-campanha de 2026 incluem:
- Educação — ingresso livre e universal nas universidades públicas, sem vestibular ou outro filtro de seleção. Ele cita a Argentina como exemplo do modelo. Sobre cotas raciais, diz que o PCO as apoiou por serem reivindicação do movimento negro, mas que não são proposta central do partido.
- Economia e dívida pública — revisão da política de dívida pública, que classifica como "problema gravíssimo", e ampliação do controle estatal sobre setores estratégicos.
- Privatizações — cancelamento de privatizações, a começar pela Petrobras, cujas subsidiárias vendidas nos últimos anos ele quer reverter. Aponta as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso como ponto de virada.
- Trabalho — recuperação de direitos trabalhistas, combate à terceirização e valorização salarial.
- Segurança pública — substituição do modelo policial atual pelo que chama de "guarda popular" ou "milícia popular": uma força formada e eleita pela população, organizada nos bairros. Ele reconhece que o segundo termo é problemático pela conotação que ganhou no Rio de Janeiro.
- Regulação das plataformas — crítica ao debate brasileiro sobre redes sociais, que a seu ver mira os usuários e poupa as empresas. Defende "aumentar o poder dos usuários sobre as plataformas".
Relação com Lula e o PT
O PCO nasceu de uma ruptura com o PT e mantém desde então uma relação de crítica combinada com apoio pontual. O partido apoiou Lula em 2018 e em 2022, sem integrar as coligações, e afirma ter combatido o que classifica como golpe de Estado de 2016.
Em 2026, com candidatura própria, Pimenta afirma que a divergência com o PT não está em pontos isolados de política pública, mas no método. "O método utilizado pelo governo Lula, pelo PT, não dá resultado no que diz respeito a transformações reais da realidade brasileira", disse. Ele reconhece o Bolsa Família como política importante — "nós temos uma população que naquele momento estava morrendo de fome, nós apoiamos essa proposta" —, mas sustenta que 24 anos de ciclo iniciado em 2002 não alteraram a estrutura econômica do país.
Avalia ainda que o governo tem margem de manobra estreita: sem maioria no Congresso e sem controle sobre o Banco Central e a dívida pública, seria "praticamente impossível governar o país no sentido progressista".
Sobre um eventual segundo turno entre Lula e outro candidato, disse à Rádio Itatiaia que o voto do PCO "possivelmente" iria para Lula, mas que a posição será decidida coletivamente pelo partido conforme a conjuntura.
Posição sobre Bolsonaro, o 8 de Janeiro e o STF
A postura do PCO diante do Judiciário é o traço que mais distingue Pimenta dos demais nomes da esquerda. Em transmissão ao vivo de setembro de 2023, ele chamou de "totalmente absurdo" o julgamento dos primeiros réus do 8 de Janeiro no STF e sustentou que não houve tentativa de golpe, apenas "um ato político". "Invadir prédio público não é golpe de Estado e nem terrorismo, a não ser que invada com uma força poderosa armada", afirmou.
Em 2026, manteve a posição: classifica o processo dos envolvidos no 8 de Janeiro como "um processo ilegal", diz que "o STF pisa na Constituição e abusa da autoridade" e defende a anulação das sentenças, preferindo falar em cancelamento dos processos a usar a palavra "anistia". Também descarta que o país tenha estado às vésperas de um golpe: "Eu acho que em grande medida é uma ficção. Foi muito útil para que o STF, o Congresso e o Executivo adotassem medidas autoritárias, cerceamento na Internet e outras coisas."
A crítica não implica adesão ao bolsonarismo. Pimenta argumenta que a estratégia de enfrentar a extrema direita pela via judicial fracassou: "Depois de quatro anos de perseguição ao bolsonarismo, o filho do Bolsonaro, que é uma figura relativamente inexpressiva, está aí empatado com o Lula na eleição. Quer dizer, fracassou totalmente." Segundo ele, essas críticas renderam ao PCO a inclusão no inquérito das fake news.
Bloqueio das contas do PCO nas redes sociais
Em 2 de junho de 2022, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o bloqueio imediato das contas do PCO no Twitter, Instagram, Facebook, Telegram, YouTube e TikTok. A decisão, tomada no âmbito do inquérito das fake news (INQ 4781), foi motivada por publicações em que o partido pedia a dissolução do Supremo e atribuía a seus ministros a prática de atos ilícitos, além de acusar o TSE de atacar a liberdade de expressão e tentar fraudar as eleições. Moraes apontou indícios de que a estrutura partidária, mantida com dinheiro público, estaria sendo usada para propagar as declarações, e deu cinco dias para que a Polícia Federal colhesse o depoimento de Pimenta, então presidente do partido.
Em sessão virtual encerrada em 11 de novembro de 2022, o plenário do STF manteve o bloqueio ao julgar agravos regimentais apresentados pelas plataformas na Petição (PET) 10391. As empresas alegavam censura e desproporcionalidade e pediam que fossem indicadas postagens específicas a remover. Prevaleceu o voto de Moraes, acompanhado por Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Luiz Fux, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Rosa Weber. Ficaram vencidos Nunes Marques, para quem a medida configurava censura prévia, e André Mendonça, que a considerou desproporcional.
Em 28 de fevereiro de 2023, Moraes autorizou a reativação dos perfis, ao verificar que o partido havia interrompido a divulgação de conteúdos com potencial de ferir a integridade do processo eleitoral. A remoção das postagens irregulares foi mantida, e o ministro fixou como medida cautelar que o PCO se abstenha de publicar, promover, replicar e compartilhar notícias fraudulentas, sob multa diária de R$ 10 mil.
Esse é o desfecho vigente do episódio: as contas do partido foram religadas em 2023 e permanecem ativas, sob a cautelar imposta na mesma decisão.
Política externa e apoio ao Hamas
Pimenta se define como trotskista e organiza suas posições internacionais em torno do combate ao imperialismo. Apoia publicamente a ofensiva militar russa na Ucrânia, que lê como reação à expansão da Otan, e diz que um eventual governo do PCO daria suporte integral à Venezuela, ao Irã e à resistência palestina.
Seu argumento é que a esquerda brasileira adotou "o critério democrático do imperialismo" como bússola e, com isso, se afasta dos países que enfrentam esse imperialismo: "Se você adotar esse ponto de vista, você vai ficar contra a maioria dos países que lutam contra o imperialismo, porque nesses países não está vigente uma democracia de estilo tradicional."
Em fevereiro de 2024, Pimenta se reuniu em Doha, no Catar, com Ismail Haniyeh, chefe do escritório político do Hamas. O encontro foi divulgado pelo próprio partido e repercutido pela imprensa brasileira a partir de 23 de fevereiro daquele ano. A Wikipédia em português registra o encontro como tendo ocorrido em março de 2024; o noticiário contemporâneo o situa em fevereiro.
A posição do PCO diante do ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 gerou reações no Legislativo e no Judiciário. O deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil-SP) pediu ao TSE a cassação do registro do partido em razão da defesa do grupo, citando o encontro de Doha, e, em março de 2025, protocolou notícia-crime no Ministério Público depois da divulgação de um vídeo em que integrantes do PCO vendiam camisetas em homenagem ao Hamas na Rua Augusta, em São Paulo. Não há decisão pública conhecida sobre o pedido de cassação; o PCO segue na lista de partidos registrados no TSE e lançou candidaturas para 2026.
Em abril de 2024, a conta de Natália Pimenta no X foi retida após publicação em que ela celebrava o ataque de outubro de 2023. Em 2026, Pimenta afirmou que o partido e seus dirigentes acumulam processos judiciais ligados sobretudo às posições sobre a questão palestina.
Patrimônio declarado
Na última candidatura em que teve registro deferido, em 2014, Rui Costa Pimenta declarou ao TSE patrimônio zero: a lista de bens registrada no sistema DivulgaCandContas está vazia, com total de R$ 0,00. A declaração de bens é documento obrigatório no pedido de registro de candidatura à Presidência.
Como não disputou as eleições de 2018 e 2022, não há declarações patrimoniais posteriores. A próxima só será conhecida quando o PCO protocolar o pedido de registro da candidatura de 2026 no TSE.
Família
Pimenta tem três filhos, todos ligados à estrutura do PCO.
Natália Pimenta, dirigente nacional do partido e secretária de Organização e de Mulheres, morreu em 22 de novembro de 2025. A nota oficial divulgada pelo PCO afirma que ela iniciou a militância aos 12 anos e dedicou 28 anos ao partido, e a credita como principal responsável pela formação da geração mais nova de militantes da legenda. Deixou cônjuge e dois filhos.
João Pimenta disputou a Prefeitura de São Paulo em 2024 pelo PCO e foi o candidato mais jovem na disputa, aos 27 anos; terminou com 980 votos, 0,02% do total.
Onde acompanhar
O principal canal de Pimenta é a Causa Operária TV, no YouTube, mantida pelo partido, onde apresenta aos sábados o programa Análise Política Semanal. Ele também faz uma análise semanal, às terças-feiras, no canal do Brasil 247, e ministra cursos de formação marxista como o Universidade de Férias e a Universidade Marxista.
O PCO edita o Jornal Causa Operária e o Diário Causa Operária, publicação diária on-line desde 2003. É autor de Golpe de Estado no Brasil — Balanço e Perspectivas (2018) e A Era da Censura das Massas (2021).
