O que é o Reform UK
Reform UK é um partido político britânico de direita populista, eurocético e anti-imigração, liderado por Nigel Farage. Nasceu em 23 de novembro de 2018 como Brexit Party, fundado por Farage e Catherine Blaiklock para pressionar pela saída do Reino Unido da União Europeia, e adotou o nome atual em janeiro de 2021, quando passou a defender uma agenda mais ampla de reforma do Estado britânico.
O partido combina três eixos: corte drástico da imigração, abandono da meta de emissões líquidas zero (net zero) e redução de impostos e do gasto público. Em dezembro de 2025, dizia ter cerca de 340 mil filiados, número que o colocaria como o maior partido do Reino Unido em militância.
Quem é o líder do Reform UK
Nigel Farage é o líder do partido desde junho de 2024. Ele já havia comandado a legenda na fase Brexit Party, deixou o posto em março de 2021 e voltou às vésperas da eleição geral daquele ano — passando a disputar, e vencer, uma cadeira na Câmara dos Comuns.
Richard Tice, que substituiu Farage entre 2021 e 2024, é o vice-líder. Lee Anderson, ex-deputado conservador que migrou para o Reform em 2024, ocupa a presidência do partido. Zia Yusuf presidiu a legenda entre julho de 2024 e junho de 2025, quando renunciou e depois retornou em outra função.
História e origem: do Brexit Party ao Reform UK
O Brexit Party foi criado para disputar as eleições europeias de 2019 e funcionou, na prática, como um instrumento de pressão sobre os conservadores. Concluída a saída da UE, o partido perdeu sua bandeira original e foi rebatizado como Reform UK em janeiro de 2021, sob comando de Richard Tice.
O salto veio na eleição geral de 2024: com Farage de volta à liderança, o partido obteve cerca de 15% dos votos em todo o país e elegeu cinco deputados — Farage, Tice, Lee Anderson, Rupert Lowe e James McMurdock. Foi a primeira vez que a legenda conquistou assentos em Westminster.
Desde então, a bancada cresceu por migração de parlamentares conservadores. Danny Kruger trocou de partido em setembro de 2025 e Suella Braverman, ex-ministra do Interior, em janeiro de 2026; Robert Jenrick e Andrew Rosindell também deixaram os tories rumo ao Reform. No caminho inverso, Rupert Lowe rompeu com a cúpula e saiu.
Propostas e manifesto
O programa de referência do partido é o manifesto "Our Contract with You", publicado em 17 de junho de 2024. Os principais compromissos:
- Impostos: elevar a faixa de isenção do imposto de renda para £20 mil, subir a faixa da alíquota superior de £50.271 para £70 mil, acabar com o stamp duty em imóveis abaixo de £750 mil e reduzir o imposto sobre empresas de 25% para 20%, depois 15%.
- Energia: abandonar o net zero, descrito no documento como "o maior ato de negligência", ampliar a exploração de gás e petróleo e acelerar licenças para nuclear e gás de xisto.
- Saúde: £17 bilhões adicionais por ano para o NHS, maior participação do setor privado e abatimento fiscal para planos particulares.
- Segurança: 40 mil policiais a mais em cinco anos e política de tolerância zero.
- Educação: currículo "patriótico", fim dos juros do crédito estudantil e desconto fiscal de 20% em mensalidades de escolas privadas.
- Relações internacionais: saída da Convenção Europeia de Direitos Humanos e da OMS, salvo reforma da organização.
O partido calcula £140 bilhões em promessas cobertas por £150 bilhões em cortes — de subsídios ao net zero, ajuda externa e benefícios sociais. O Institute for Fiscal Studies avaliou que as contas "não fecham".
A política de imigração
Imigração é o tema mais associado ao partido nas buscas e o centro de sua plataforma. O manifesto de 2024 propôs congelar a imigração "não essencial", encerrar a regularização de imigrantes em situação irregular, devolver à França quem chega em barcos pelo Canal da Mancha e cobrar contribuição previdenciária patronal de 20% sobre trabalhadores estrangeiros.
As posições endureceram desde então. O partido passou a defender um programa emergencial de cinco anos para identificar, deter e deportar imigrantes em situação irregular, e a substituição da residência permanente por um visto renovável de cinco anos, com piso salarial mais alto, exigência de fluência em inglês e critérios mais rígidos de conduta.
Desempenho eleitoral e pesquisas
Nas eleições locais de maio de 2025, o Reform UK teve o melhor resultado de sua história: 677 vereadores eleitos, controle de dez câmaras municipais e duas prefeituras metropolitanas, com projeção nacional de voto de 30% — a maior fatia já registrada por um partido que não fosse o Trabalhista ou o Conservador desde que o cálculo passou a ser feito. Em fevereiro de 2025, liderou pela primeira vez uma pesquisa nacional do YouGov. Nas locais de 2026, a projeção nacional ficou em 26%.
Nas pesquisas de intenção de voto do fim de agosto e início de setembro de 2026, o partido aparece embolado com o Trabalhista pela primeira posição: Find Out Now (2 de setembro) registrou Labour 26%, Reform 21% e Conservadores 20%; o YouGov (31 de agosto a 1º de setembro) mediu empate entre Labour e Reform em 23%; e o More in Common (28 a 31 de agosto) apontou Labour 26%, Conservadores 23% e Reform 22%. Farage tem atacado publicamente o YouGov por medir apoio menor ao partido que outros institutos, embora a diferença esteja dentro da margem de erro. A próxima eleição geral só é obrigatória em 2029.
Reform UK e o Restore Britain
Restore Britain é o partido criado por Rupert Lowe, deputado eleito pelo Reform UK em 2024 que rompeu com a cúpula após atritos públicos com Farage. Lançado como grupo de pressão em 30 de junho de 2025, tornou-se partido em 13 de fevereiro de 2026.
A legenda disputa o mesmo eleitorado e se apresenta como a "verdadeira voz da direita", com posições ainda mais duras que as do Reform em imigração e uma retórica mais explicitamente racial, segundo análises de veículos britânicos. A divisão é hoje a principal linha de fratura da direita radical no Reino Unido.
O escândalo das doações de setembro de 2026
Em 3 e 4 de setembro de 2026, às vésperas da conferência anual do partido em Birmingham, o Channel 4 News revelou, em parceria com o grupo de jornalismo investigativo Verbatim, que repórteres se passaram por um doador americano rico e seu filho e obtiveram de integrantes do Reform UK a aceitação de financiamento estrangeiro — proibido pela lei eleitoral britânica. Segundo a reportagem, uma empresa dos Estados Unidos bancou £32.500 em três pesquisas encomendadas pelo partido no início do ano.
Dois nomes deixaram seus cargos em 4 de setembro, enquanto corre uma investigação interna: Dan Jukes, assessor de Farage, e James Orr, chefe de políticas do partido. Liberais-democratas e o Partido Trabalhista levaram o caso à Polícia Metropolitana e à Electoral Commission, alegando "aceitação e ocultação de doação de doador não autorizado".
Farage negou irregularidades, afirmou que o partido "não violou nenhuma lei" e classificou a apuração como "uma farsa perpetrada por ativistas climáticos financiados por estrangeiros", dizendo que a legenda mantém um processo de checagem de doadores aprovado pela Electoral Commission.
O episódio se soma a outras questões sobre o financiamento do partido. Farage responde a uma investigação do órgão de padrões parlamentares sobre um presente de £5 milhões do bilionário de criptomoedas Christopher Harborne, recebido pouco antes de sua eleição para os Comuns em 2024 e que ele descreve como doação pessoal sem relação com o mandato. Harborne também doou £9 milhões ao Reform UK, a maior contribuição política já feita por uma pessoa viva no Reino Unido, parte dos mais de £10 milhões arrecadados pela legenda no terceiro trimestre de 2025.
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