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Reform UK

O Reform UK é o partido britânico de direita populista liderado por Nigel Farage, que defende controle rigoroso da imigração, corte de impostos e o fim da meta de net zero. Embolado com o Trabalhista nas pesquisas e com mais de 2.300 vereadores, enfrenta em outubro de 2026 uma investigação disfarçada da ITV que flagrou vereadores com falas racistas e Farage protegendo um candidato, além da apuração policial sobre doações aberta em setembro.

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O que é o Reform UK

Foto: Laurie Noble/Câmara dos Comuns / CC BY 3.0

Reform UK é um partido político britânico de direita populista, eurocético e anti-imigração, liderado por Nigel Farage. Nasceu em 23 de novembro de 2018 como Brexit Party, fundado por Farage e Catherine Blaiklock para pressionar pela saída do Reino Unido da União Europeia, e adotou o nome atual em janeiro de 2021, quando passou a defender uma agenda mais ampla de reforma do Estado britânico.

O partido combina três eixos: corte drástico da imigração, abandono da meta de emissões líquidas zero (net zero) e redução de impostos e do gasto público. Em dezembro de 2025, dizia ter cerca de 340 mil filiados, número que o colocaria como o maior partido do Reino Unido em militância.

Quem é o líder do Reform UK

Foto: Laurie Noble / CC BY 3.0

Nigel Farage é o líder do partido desde junho de 2024. Ele já havia comandado a legenda na fase Brexit Party, deixou o posto em março de 2021 e voltou às vésperas da eleição geral daquele ano — passando a disputar, e vencer, uma cadeira na Câmara dos Comuns.

Richard Tice, que substituiu Farage entre 2021 e 2024, é o vice-líder. Lee Anderson, ex-deputado conservador que migrou para o Reform em 2024, ocupa a presidência do partido. Zia Yusuf presidiu a legenda entre julho de 2024 e junho de 2025, quando renunciou e depois retornou como porta-voz de assuntos internos (home affairs).

História e origem: do Brexit Party ao Reform UK

O Brexit Party foi criado para disputar as eleições europeias de 2019 e funcionou, na prática, como um instrumento de pressão sobre os conservadores. Concluída a saída da UE, o partido perdeu sua bandeira original e foi rebatizado como Reform UK em janeiro de 2021, sob comando de Richard Tice.

O salto veio na eleição geral de 2024: com Farage de volta à liderança, o partido obteve cerca de 15% dos votos em todo o país e elegeu cinco deputados — Farage, Tice, Lee Anderson, Rupert Lowe e James McMurdock. Foi a primeira vez que a legenda conquistou assentos em Westminster.

Desde então, a bancada cresceu por migração de parlamentares conservadores. Danny Kruger trocou de partido em setembro de 2025 e Suella Braverman, ex-ministra do Interior, em janeiro de 2026; Robert Jenrick e Andrew Rosindell também deixaram os tories rumo ao Reform. No caminho inverso, Rupert Lowe rompeu com a cúpula e saiu.

Propostas e manifesto

O programa de referência do partido é o manifesto "Our Contract with You", publicado em 17 de junho de 2024. Os principais compromissos:

  • Impostos: elevar a faixa de isenção do imposto de renda para £20 mil, subir a faixa da alíquota superior de £50.271 para £70 mil, acabar com o stamp duty em imóveis abaixo de £750 mil e reduzir o imposto sobre empresas de 25% para 20%, depois 15%.
  • Energia: abandonar o net zero, descrito no documento como "o maior ato de negligência", ampliar a exploração de gás e petróleo e acelerar licenças para nuclear e gás de xisto.
  • Saúde: £17 bilhões adicionais por ano para o NHS, maior participação do setor privado e abatimento fiscal para planos particulares.
  • Segurança: 40 mil policiais a mais em cinco anos e política de tolerância zero.
  • Educação: currículo "patriótico", fim dos juros do crédito estudantil e desconto fiscal de 20% em mensalidades de escolas privadas.
  • Relações internacionais: saída da Convenção Europeia de Direitos Humanos e da OMS, salvo reforma da organização.

O partido calcula £140 bilhões em promessas cobertas por £150 bilhões em cortes — de subsídios ao net zero, ajuda externa e benefícios sociais. O Institute for Fiscal Studies avaliou que as contas "não fecham".

Em 5 de setembro de 2026, no encerramento da conferência de Birmingham, Robert Jenrick, porta-voz do Tesouro, anunciou uma versão intermediária da promessa tributária: elevar a faixa de isenção do imposto de renda dos atuais £12.570 — congelados desde 2021 e com congelamento previsto até 2031 — para £15 mil nos primeiros cem dias de governo, avançando só depois "passo a passo" rumo aos £20 mil do manifesto. O partido calcula que a medida pouparia cerca de £500 por ano ao contribuinte médio e tiraria 2,9 milhões de pessoas do imposto de renda, a um custo de £17,7 bilhões no primeiro ano e £21 bilhões cinco anos depois. Jenrick prometeu renunciar se descumprir o prazo: "Se eu não entregar exatamente quando disse que entregaria, eu renuncio. Sem se nem mas, eu vou embora." O Partido Trabalhista respondeu que o Reform financia "política após política com cortes de gastos misteriosos".

A política de imigração

Imigração é o tema mais associado ao partido nas buscas e o centro de sua plataforma. O manifesto de 2024 propôs congelar a imigração "não essencial", encerrar a regularização de imigrantes em situação irregular, devolver à França quem chega em barcos pelo Canal da Mancha e cobrar contribuição previdenciária patronal de 20% sobre trabalhadores estrangeiros.

As posições endureceram desde então. O partido passou a defender um programa emergencial de cinco anos para identificar, deter e deportar imigrantes em situação irregular, e a substituição da residência permanente por um visto renovável de cinco anos, com piso salarial mais alto, exigência de fluência em inglês e critérios mais rígidos de conduta.

Em 4 de setembro de 2026, no palco principal da conferência de Birmingham, Farage assinou com Jordan Bardella, presidente do Reagrupamento Nacional francês, um memorando de entendimento sobre as travessias do Canal. O texto compromete um futuro governo francês liderado pela legenda de Bardella a aceitar de volta quem parta da costa francesa, entre em águas territoriais britânicas e seja devolvido pelo Reino Unido, cabendo à França repatriar essas pessoas a seus países de origem. Farage chamou o acordo de "uma nova entente cordiale genuína entre nossos partidos e nossos países"; Bardella disse que, se o partido vencer as eleições francesas de 2027, a França deixará de ser "a porta de entrada da imigração ilegal no Reino Unido". O documento é político, não jurídico — só teria efeito se as duas legendas chegassem ao poder — e serve de apoio à "Operação Fortress" do Reform, pela qual a Marinha Real interceptaria os botes e devolveria à França quem estivesse a bordo. Zia Yusuf anunciou na mesma conferência que um governo do partido pretende encerrar as travessias nos primeiros cem dias. Críticos do acordo na França incluem candidatos à eleição presidencial; o Partido Trabalhista britânico chamou o texto de "documento sem sentido, recheado de ideias tolas e perigosas". As travessias em barcos pequenos caíram cerca de 40% em relação a 2025, com o menor volume de verão desde 2019.

Reform UK e a agenda climática

O abandono do net zero é, ao lado da imigração, o eixo mais constante do discurso do partido, que se refere à meta como "net stupid zero". Richard Tice, o vice-líder, passou o verão de 2026 pedindo que os britânicos aproveitassem as cinco ondas de calor sucessivas e a seca recorde, e voltou ao tema no segundo dia da conferência de Birmingham: minutos depois de começar a falar, apareceu atrás dele uma faixa com os dizeres "Collect £5m, burn the planet" ("Receba £5 milhões, queime o planeta"), retirada em seguida pela organização. Ativistas do grupo Climate Resistance exibiram no prédio outra faixa, "Resist Reform".

Entre os delegados presentes, o ceticismo climático era corrente, ainda que combinado com cobranças ao governo por medidas de adaptação — ar-condicionado em hospitais, escolas e bibliotecas, apoio a agricultores, flexibilização de normas de segurança no trabalho durante o calor. Michael Jacobs, professor emérito de economia política da Universidade de Sheffield, atribuiu a contradição ao discurso da cúpula: "É realmente incoerente ser a favor da adaptação e não do corte de emissões, mas não é surpreendente que as pessoas pensem assim, dado o que lhes disseram."

A posição da liderança é mais dura que a de seu próprio eleitorado. Segundo levantamentos citados pelo Guardian, eleitores do Reform negam a ciência climática com muito menos frequência que seus dirigentes, cerca de um quarto ainda apoia a meta de net zero e aproximadamente 70% querem impostos mais altos sobre combustíveis fósseis — enquanto a cúpula defende o fim do imposto extraordinário sobre o petróleo do Mar do Norte. Katie White, ministra do clima do governo trabalhista, disse que, "depois do verão que tivemos, a negação pura e simples do clima é um canto bem solitário da política britânica".

Desempenho eleitoral e pesquisas

Nas eleições locais de maio de 2025, o Reform UK teve o melhor resultado de sua história: 677 vereadores eleitos, controle de dez câmaras municipais e duas prefeituras metropolitanas, com projeção nacional de voto de 30% — a maior fatia já registrada por um partido que não fosse o Trabalhista ou o Conservador desde que o cálculo passou a ser feito. Em fevereiro de 2025, liderou pela primeira vez uma pesquisa nacional do YouGov. Nas locais de 2026, a projeção nacional ficou em 26%. Depois dessa eleição, o partido passou a somar mais de 2.300 vereadores, com maioria absoluta em 23 câmaras locais e a maior bancada em outras 12, segundo levantamento da ITV de outubro de 2026.

Nas pesquisas de intenção de voto do fim de agosto e início de setembro de 2026, o partido aparece embolado com o Trabalhista pela primeira posição: Find Out Now (2 de setembro) registrou Labour 26%, Reform 21% e Conservadores 20%; o YouGov (31 de agosto a 1º de setembro) mediu empate entre Labour e Reform em 23%; e o More in Common (28 a 31 de agosto) apontou Labour 26%, Conservadores 23% e Reform 22%. Farage tem atacado publicamente o YouGov por medir apoio menor ao partido que outros institutos, embora a diferença esteja dentro da margem de erro. A próxima eleição geral só é obrigatória em 2029.

Reform UK e o Restore Britain

Restore Britain é o partido criado por Rupert Lowe, deputado eleito pelo Reform UK em 2024 que rompeu com a cúpula após atritos públicos com Farage. Lançado como grupo de pressão em 30 de junho de 2025, tornou-se partido em 13 de fevereiro de 2026.

A legenda disputa o mesmo eleitorado e se apresenta como a "verdadeira voz da direita", com posições ainda mais duras que as do Reform em imigração e uma retórica mais explicitamente racial, segundo análises de veículos britânicos. A divisão é hoje a principal linha de fratura da direita radical no Reino Unido.

O escândalo das doações de setembro de 2026

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How damaging is Reform’s donation row? | BBC Newscast

Em 3 e 4 de setembro de 2026, às vésperas da conferência anual do partido em Birmingham, o Channel 4 News revelou, em parceria com o grupo de jornalismo investigativo Verbatim — fundado pelo Centre for Climate Reporting —, o resultado de uma apuração de um ano sobre as finanças do Reform UK. Repórteres disfarçados se passaram por um apoiador britânico e seu pai, um empresário americano, e obtiveram de integrantes do partido a aceitação de financiamento estrangeiro, proibido pela lei eleitoral do país: só quem está inscrito no registro eleitoral britânico pode doar a partidos. Segundo a reportagem, uma empresa dos Estados Unidos bancou £32.500 em três pesquisas encomendadas pelo partido no início do ano.

Nas gravações, Farage aparece dizendo que as pesquisas eram "incríveis" e davam "bang for buck" (retorno pelo dinheiro), e reage bem à sugestão de uma doação maior, depois de ser informado de que o filho, residente no Reino Unido, poderia figurar como doador oficial embora o dinheiro viesse do pai. "Os dois, obrigado", respondeu. Tanto as pesquisas quanto a doação proposta poderiam, nesse desenho, ser classificadas como ilegais.

Dois nomes foram afastados na manhã de 4 de setembro, enquanto corre uma investigação interna: Dan Jukes, assessor sênior de Farage, e James Orr, chefe de políticas do partido. Em 5 de setembro, Robert Jenrick, porta-voz do partido para o Tesouro, disse à Times Radio que os dois foram "suspensos permanentemente", com direito a defesa dentro do processo interno. O Reform UK inicialmente tratou a apuração como uma "farsa" (hoax).

Farage negou irregularidades, afirmou que o partido "não violou nenhuma lei" e classificou a apuração como uma farsa de "ativistas climáticos financiados por estrangeiros", dizendo que a legenda mantém um processo de checagem de doadores aprovado pela Electoral Commission. Diante dos repórteres, distanciou-se dos dois assessores: "As duas pessoas envolvidas não fazem nem parte da nossa equipe de arrecadação, então deveriam ter seguido os canais apropriados. Checagens teriam sido feitas e eles jamais teriam chegado a sentar numa mesa comigo." Liberais-democratas e o Partido Trabalhista levaram o caso à Polícia Metropolitana e à Electoral Commission, alegando "aceitação e ocultação de doação de doador não autorizado".

Ainda em 5 de setembro, Farage descreveu Jukes e Orr como "prestadores de serviço" (contractors) e classificou a sugestão de Jukes de que o partido já teria disfarçado a origem de dinheiro estrangeiro como "conversa solta de bar", com "alguns exageros que simplesmente não eram verdade". Jukes nega irregularidade. Em 6 de setembro, em entrevista à BBC com Laura Kuenssberg, Farage admitiu que as falas dos dois foram "no mínimo imprudentes" e que a gravação "parece ruim": "Parece ruim, assim como a venda de títulos de nobreza e os contratos públicos em troca de doações. Não somos as primeiras pessoas envolvidas numa briga sobre doações." Na mesma entrevista, sustentou que o escrutínio sobre ele é desproporcional e atribuiu-o a "um enorme preconceito político contra o Reform em todo o mundo corporativo e em todo o establishment". Além do acionamento da Polícia Metropolitana e da Electoral Commission, os liberais-democratas pediram que o órgão de padrões do Parlamento também apure o caso.

O episódio se soma a outras questões sobre o financiamento do partido. Farage responde a uma investigação do órgão de padrões parlamentares sobre um presente de £5 milhões do bilionário de criptomoedas Christopher Harborne, recebido pouco antes de sua eleição para os Comuns em 2024 e que ele descreve como doação pessoal sem relação com o mandato. Harborne também doou £9 milhões ao Reform UK, a maior contribuição política já feita por uma pessoa viva no Reino Unido, parte dos mais de £10 milhões arrecadados pela legenda no terceiro trimestre de 2025.

Em 9 de setembro de 2026, a Polícia Metropolitana abriu uma investigação criminal sobre o caso. Em nota, a corporação disse ter recebido, após a exibição da reportagem em 3 de setembro, "uma série de denúncias relativas a doações e pesquisas envolvendo um partido político", e que os detetives concluíram haver "possíveis crimes que exigem investigação". As suspeitas foram incorporadas a uma apuração que a Special Enquiry Team já conduzia sobre doações ao mesmo partido — entre elas as de uma empresa controlada por Richard Tice, veículo de arrecadação que financiou a legenda às vésperas da eleição geral de 2024. Todas as acusações se enquadram na Political Parties, Elections and Referendums Act 2000; a polícia informou que busca as imagens brutas da reportagem e que atua em articulação com a Electoral Commission e o Crown Prosecution Service. O Reform UK respondeu que "nega qualquer irregularidade e vai cooperar plenamente com a investigação", e disse que não comentaria enquanto a apuração estivesse em curso. Farage chamou o vídeo de "um exercício de armadilha" (entrapment) e afirmou à ITV News, ainda durante a conferência, estar "100% confiante" de que o partido nunca aceitou doações estrangeiras ilegais. Ed Davey, líder dos liberais-democratas, cujo partido levou o caso à polícia, disse ser "uma boa notícia para a nossa democracia" que o caso fosse tratado com seriedade.

James Orr e a apuração da Universidade de Cambridge

James Orr é professor associado de religião na faculdade de teologia (divinity) da Universidade de Cambridge e foi uma das principais forças intelectuais do Reform UK — a Politico o apelidou de "rei filósofo" do partido. Parte de sua atração para a cúpula da legenda vinha de seus contatos no movimento MAGA nos Estados Unidos: o vice-presidente americano JD Vance já o chamou de "mentor intelectual" e de seu "sherpa britânico".

Nas imagens do Channel 4 News, Orr discute com um repórter disfarçado a encomenda de pesquisas organizadas em segredo pelo Reform, sugerindo que fossem pagas por uma empresa americana do suposto pai do interlocutor. Em outro trecho, diz sobre o arranjo que Farage "não sabe, não vai saber" e que é o tipo de coisa que o líder "prefere não saber".

Em 4 de setembro, Orr publicou um vídeo em sua conta no X afirmando que "não há absolutamente nenhuma maneira de isso configurar um benefício ou doação em espécie" e chamando a Verbatim de "atores politicamente motivados tentando desacreditar um adversário político por meios jurídicos duvidosos". No mesmo dia, a Universidade de Cambridge informou que analisa sua conduta: "A universidade está examinando essas questões", disse um porta-voz.

As pesquisas da JL Partners

As três pesquisas no centro do caso foram feitas pela JL Partners, empresa comandada por ex-assessores conservadores. A primeira, de janeiro de 2026, tratava do plano do governo trabalhista — depois abandonado — de adiar parte das eleições locais, e indicava derrotas pesadas para o Labour caso a votação ocorresse. A segunda, publicada em abril, apontava que dois terços dos eleitores queriam a renúncia do então primeiro-ministro Keir Starmer. A terceira, de junho, mostrava o apoio ao Reform entre sindicalizados alcançando o do Trabalhista. Os resultados foram parar nas primeiras páginas do Times e do Daily Telegraph; os dois jornais afirmaram que não sabiam que as pesquisas haviam sido encomendadas pelo Reform.

Em 4 de setembro de 2026, o British Polling Council e a Market Research Society abriram apurações sobre a JL Partners, da qual a empresa é membro. As regras do BPC exigem que toda pesquisa política divulgada no Reino Unido identifique o cliente que a encomendou; o conselho afirmou que suas normas foram claramente violadas nos levantamentos pagos pelo Reform e que, "segundo o programa, isso pode ter sido deliberado", pedindo mais informações à empresa. A Market Research Society encaminhou o caso ao Market Research Standards Board.

James Johnson, cofundador da JL Partners, foi filmado dizendo que a empresa havia feito "um pouco de flexibilização informal das regras" em relação a um dos levantamentos e admitindo que "deveria ter revelado quem era o cliente" ao publicar os dados. Em nota ao Channel 4 News, a JL Partners disse que, embora não haja dúvida sobre a precisão de seu trabalho, a reportagem "revelou fragilidades em nossos procedimentos", que estão sendo revistos.

A conferência de Birmingham de 2026

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Inside the Reform UK Conference: the big questions facing Nigel Farage | BBC News

A conferência anual do partido, realizada no NEC em Birmingham em 4 e 5 de setembro de 2026, foi dominada pelo escândalo: cada político do Reform presente foi questionado repetidamente sobre o caso, e o clima destoou das edições anteriores. Durante o discurso de Farage na sexta-feira, manifestantes que cobravam explicações sobre o presente não declarado de £5 milhões foram agredidos por um grupo de apoiadores do partido, segundo imagens publicadas pelo site The New Arab e relatadas pelo Guardian; Farage aparentemente tratou o episódio com deboche. No sábado, seguranças retiraram outro manifestante durante o discurso de encerramento do líder.

O evento também expôs divisões na cúpula. Zia Yusuf, porta-voz de assuntos internos, afastou-se publicamente de Jukes e Orr — disse a repórteres que "qualquer pessoa que apoia o Reform está decepcionada" e que o caso "simplesmente não é algo em que eu esteja pessoalmente envolvido" — e lançou um vídeo pessoal sobre sua trajetória, alimentando especulação de que possa disputar a liderança contra Robert Jenrick ou Richard Tice caso Farage seja forçado a sair. O último dia teve discursos de Lee Anderson, Yusuf e Jenrick, com Farage no encerramento.

Ryan Bridge, cofundador do Raise the Colours — campanha que espalhou centenas de bandeiras do Reino Unido e de São Jorge pela Inglaterra —, circulou pela conferência com credencial, embora esteja sob fiança policial. A polícia de Thames Valley confirmou que ele foi preso em 2026 sob suspeita de "assédio, alarme ou aflição com agravante racial e religioso"; ele também responde em Brighton por agressão simples, acusação à qual se declarou inocente, e nega qualquer irregularidade. Bridge disse ao Guardian que não é filiado e que foi convidado pelo partido — o evento não vende ingressos ao público em geral, e os passes comerciais custam £650. No sábado, num debate conduzido por Jeremy Kyle, Farage o elogiou do palco ("o que sua campanha fez foi acordar vastas partes deste país") e ofereceu apoio jurídico: "Se pudermos ajudar você juridicamente, nós ajudaremos." A Câmara Municipal de Birmingham busca na Alta Corte uma liminar contra ativistas do grupo, com primeira audiência marcada para 8 de setembro de 2026, e Bridge é um dos sete citados na ação. O grupo antifascista Hope Not Hate classificou a presença como "chocante"; o Reform UK não respondeu ao jornal sobre o caso.

Jornalistas que haviam publicado reportagens críticas ao partido foram barrados do evento, entre eles Anna Isaacs, editora de economia do Guardian, autora da revelação sobre o presente de £5 milhões recebido por Farage.

As doações de £72 milhões de Delo e Harborne

Em 11 de setembro de 2026, seis dias depois do encerramento da conferência de Birmingham, Ben Delo anunciou em artigo no Daily Telegraph uma doação de £36 milhões ao Reform UK — a maior contribuição já feita por uma pessoa viva a um partido político no Reino Unido. Delo, de 42 anos, é cofundador da corretora de criptomoedas BitMEX; declarou-se culpado nos Estados Unidos em 2022 por violação da Bank Secrecy Act, em razão de falhas de prevenção à lavagem de dinheiro na empresa, e foi perdoado pelo presidente Donald Trump em 2025. Ele disse que pretendia doar £1 milhão por mês até a próxima eleição geral, prevista para meados de 2029, e por isso "antecipou essas doações" num pagamento único, na hipótese de o governo impor um teto geral às contribuições políticas. Segundo dados da Electoral Commission, já havia dado £4 milhões ao partido em dois pagamentos, em janeiro e março de 2026. "Ao contrário das pessoas que fingem preocupação com a saúde da 'nossa democracia' enquanto fazem tudo para mantê-la como um cartel, eu quero uma luta justa e um campo de jogo nivelado", escreveu.

No dia seguinte, 12 de setembro, Christopher Harborne igualou a quantia, também em artigo no Telegraph, e retomou a posição de maior doador da legenda. "Enquanto eu vinha fazendo doações ao Reform de cerca de £1 milhão por mês, Ben Delo me disse que faria uma doação recorde de £36 milhões. Meu espírito competitivo me levou a igualá-la, e foi o que fiz. E espero que outros se juntem a nós", escreveu, descrevendo o dinheiro como "um presente filantrópico ao nosso país" e argumentando que o Reino Unido precisa de uma "economia lucrativa e dinâmica" para enfrentar três "ameaças existenciais": guerra nuclear, inteligência artificial e mudança climática. Os £72 milhões anunciados em 24 horas não têm precedente na história política britânica. Richard Tice disse à LBC que os recursos permitirão ao partido contratar coordenadores de campanha "em quase todos os distritos eleitorais do país", além de pesquisadores e formuladores de políticas, e que o aporte coloca o Reform "em pé de igualdade" com o Trabalhista e os conservadores.

A disputa sobre a legalidade das doações

Os dois doadores estavam baseados no exterior — Delo em Hong Kong, Harborne na Tailândia —, o que colocou as doações na rota do projeto de lei de representação popular (Representation of the People Bill), em tramitação na Câmara dos Lordes. Na versão aprovada pelos Comuns no início de setembro de 2026, o texto limita a £100 mil as doações de britânicos residentes no exterior e suspende o financiamento por criptomoedas; o teto vale também nos doze primeiros meses após o retorno ao país e retroage a 25 de março de 2026, data em que o governo anunciou a intenção de legislar. A regra segue recomendação de um relatório independente de Philip Rycroft, ex-secretário permanente, sobre influência estrangeira na política britânica. Emendas que criassem um teto para doações domésticas não prosperaram na Câmara dos Comuns.

Em 14 de setembro, o governo de Andy Burnham — que substituiu Keir Starmer em Downing Street em julho de 2026 — anunciou que apresentará, na fase de comissão nos Lordes, emendas que endurecem as regras: doadores individuais terão de comprovar presença física contínua no Reino Unido, em linha com os critérios de residência usados em outras áreas, como a tributária. Sharon Taylor, ministra trabalhista na Câmara dos Lordes, disse aos pares que, além de exigir dos doadores uma "conexão genuína e contínua com o Reino Unido", o governo estuda "como fortalecer os requisitos de residência, inclusive garantindo que o tempo de permanência no Reino Unido se alinhe à política mais ampla do governo". Pela exigência mínima já prevista — o restante do ano civil em que o doador retorna, mais um ano completo —, o Reform UK poderia ficar impedido de receber os £72 milhões até janeiro de 2028. Fontes do governo afirmaram que o reforço do projeto vinha sendo preparado havia semanas, e não em reação ao anúncio das doações.

Richard Tice disse à BBC Radio 4 estar inteiramente confiante na conformidade das contribuições, mas não soube informar quando Delo voltou de Hong Kong — "muitos, muitos meses atrás" — nem quanto tempo Harborne passa no Reino Unido: "Não sou o assistente executivo responsável pela agenda diária deles." À BBC Breakfast, classificou a retroatividade como manobra de "um governo socialista que quer mudar retroativamente as regras e os regulamentos para se proteger de um pouco de concorrência". Farage afirmou à BBC que "as duas doações são 100% compatíveis com a lei de hoje, disso não há qualquer dúvida", mas, perguntado se os dois eram residentes no Reino Unido em 25 de março, respondeu apenas: "Tudo o que vou dizer é que, com a lei do país como ela está, os dois estão em conformidade." Delo havia dito em abril que voltaria ao Reino Unido para escapar das restrições; Harborne, segundo o Guardian, teria se registrado para votar em Hampshire em junho. Zia Yusuf chamou os planos do governo, no X, de "um passo sem precedentes de um governo de esquerda para mergulhar a Grã-Bretanha na ditadura e no comunismo".

Rycroft, autor do relatório, disse que um teto para dinheiro vindo de britânicos no exterior era necessário porque a origem desses recursos é mais difícil de rastrear, e que se tratava de "uma questão de justiça" limitar a influência de "pessoas que escolheram levar sua riqueza para fora e ser tributadas fora". Sobre as doações ao Reform, avaliou que a discussão precisa ir além: "Chegou a hora de olhar isso com seriedade. Teria sido melhor se o governo tivesse começado antes de essas doações enormes aparecerem no horizonte. Mas temos de fazer a pergunta: é saudável para o nosso processo democrático ter mais dinheiro vindo de menos pessoas, em parcelas maiores?"

A ameaça ao financiamento sindical do Trabalhista

Em 15 de setembro de 2026, em artigo no Daily Telegraph, Farage prometeu retaliação caso o endurecimento avance: um governo do Reform UK proibiria os sindicatos de financiar o Partido Trabalhista. "O sindicato Unite sozinho deu ao Partido Trabalhista mais de £50 milhões ao longo dos últimos anos. Eles conseguiram o Employment Rights Act, sem falar em grandes aumentos para motoristas de ônibus. Se alguém está dando dinheiro para fazer valer uma agenda política, são os sindicatos", escreveu, e completou: "Então eu aviso o Partido Trabalhista aqui e agora: se vocês tentarem banir nossos doadores, nós, no governo, certamente baniremos o financiamento dos sindicatos. Não quero seguir por esse caminho. Mas é algo que estaríamos dispostos a fazer." No mesmo texto, garantiu que Delo e Harborne não receberão assentos na Câmara dos Lordes nem influenciarão políticas: "Ao contrário do unipartido, não estamos à venda."

Angela Rayner, secretária de Habitação e Comunidades, rejeitou a comparação em discurso no congresso do TUC: "Como ousam comparar o dinheiro de um par de bilionários das criptomoedas com as contribuições dos filiados aos sindicatos? O financiamento político mais regulado que pode existir. Não poderia ser mais diferente de um par de bilionários offshore tentando comprar a nossa democracia." Paul Nowak, secretário-geral do TUC, afirmou que o governo precisa agir para "impedir que os super-ricos corrompam a nossa política". Até as doações de setembro, as centrais sindicais resistiam a um teto para contribuições individuais, temendo que um futuro governo de direita aplicasse a mesma lógica contra elas; Sharon Graham, do Unite, rompeu com essa posição em 13 de setembro ao defender um limite, enquanto Gary Smith, do GMB, manteve a objeção. Fontes do governo disseram que estender eventuais restrições às doações sindicais não está "em consideração ativa". O Executivo também estuda reduzir os limites de gasto de campanha: em carta à Electoral Commission em agosto de 2026, Rayner e Louise Haigh, primeira-secretária de Estado, escreveram que "os limites de gasto para partidos e candidatos são altos demais e deveriam ser reduzidos".

A investigação disfarçada da ITV de outubro de 2026

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Undercover inside Reform UK: Farage filmed 'protecting' 'racist' candidate

Em 14 de outubro de 2026, a ITV começou a divulgar trechos de Undercover: A Year in Reform, documentário de 90 minutos da série ITV Exposure produzido pela Hardcash Productions, com estreia completa marcada para o domingo, 18 de outubro. Repórteres disfarçados acompanharam candidatos e vereadores do Reform UK na Inglaterra e no País de Gales durante as eleições locais de maio e quatro campanhas de eleições suplementares em 2025 e 2026, e um repórter infiltrado na sede do partido gravou conversas da cúpula.

Os primeiros trechos mostram Alan Feeney, vereador de Castle Bromwich no conselho de Solihull e de Shard End no conselho de Birmingham, ex-conservador que trocou de partido em 2025 e virou vice-prefeito de Solihull. Gravado em campanha em abril e maio de 2026, ele se recusa a bater em portas de moradores com nomes asiáticos, diz que a região está "infestada" de famílias asiáticas, chama-as de "parasitas absolutos", afirma que "não mais que 1% da população britânica pode ser não branca" e propõe "arrancá-los de casa, colocá-los em aviões e mandá-los para o Paquistão". Os também eleitos Jamie Campbell e Chris Whelan aparecem nas mesmas gravações: Campbell sugere enterrar costeletas de porco para impedir a construção de uma mesquita, e Whelan faz comentários sexuais sobre candidatas do partido e relata ter usado um insulto racial numa rede social. A reportagem também registrou Dean Miller, vereador do Reform em Bromley, no sul de Londres, dizendo durante a campanha da suplementar de Makerfield, em junho de 2026, que os brancos foram "etnicamente limpos" de Londres.

Feeney anunciou em 12 de outubro, antes da exibição, que deixava o Reform UK em "comum acordo" por "razões pessoais", e Whelan saiu do partido alegando motivos pessoais e de saúde; os dois passaram a atuar como independentes. Em 15 de outubro, Whelan renunciou também à cadeira no conselho de Solihull, depois que a líder do conselho, Karen Grinsell, pediu aos três que fizessem "a coisa honrosa" e deixassem os cargos. Campbell segue vereador do Reform. Richard Tice, vice-líder do partido, acusou num vídeo um dos filmados, sem nomeá-lo, de ser um "infiltrado conservador". Em nota à ITV, o Reform disse ter aberto investigações e que "um punhado de pessoas que não compartilham nossos valores" sempre passa pela triagem inicial, "como em todas as organizações".

Em 15 de outubro, novos trechos atingiram Farage diretamente. As imagens tratam do caso de Chris Parry, contra-almirante da reserva escolhido candidato a prefeito de Hampshire and the Solent, que em 2025 escrevera que David Lammy, então ministro das Relações Exteriores, deveria "voltar para o Caribe". Em dezembro de 2025, o chefe de comunicação do partido, Ed Sumner, chamou Parry de "claramente racista" e disse que ia afastá-lo; numa conversa gravada, Farage determina que o candidato peça desculpas a Lammy e siga em frente, e Sumner responde: "Você está protegendo ele". Farage, entre risos: "O problema é que ele é contra-almirante". Parry só foi suspenso em 26 de março de 2026, depois que o Guardian revelou outras declarações dele. As gravações mostram ainda a deputada Sarah Pochin, de Runcorn and Helsby, reclamando que dirigentes do partido são "chauvinistas" e "excluem você se você é mulher".

O Reform acusou a ITV e a Hardcash de "métodos extremos de engano", entre eles documentos de identidade alterados usados pela repórter para entrar na sede, e afirmou que "não há espaço para racismo no Reform UK". Bridget Phillipson, presidente do Partido Trabalhista, disse que as revelações "vão direto ao topo do Reform" e cobrou de Farage uma explicação sobre por que manteve "um racista declarado". Em 16 de outubro, Robert Jenrick defendeu o líder no programa Today, da BBC Radio 4: Farage "provavelmente fez mais do que quase qualquer outro para enfrentar o racismo e a extrema direita", disse, e afirmou que o partido tem triagem "muito forte" de candidatos, ao contrário do Partido Conservador, que, segundo ele, não faz nenhuma triagem central de vereadores.

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