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Ozempic

Ozempic é a caneta injetável semanal da Novo Nordisk para diabetes tipo 2, à base de semaglutida, muito usada fora de bula para emagrecer. A patente caiu no Brasil em 20 de março de 2026 e a Anvisa aprovou versões nacionais, como Ozivy (EMS) e Semavy (Hypera), e os primeiros genéricos, com canetas a partir de R$ 333 em programas de desconto. A venda exige retenção de receita, e o Ministério da Saúde pediu em setembro de 2026 a avaliação das canetas para o SUS.

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Foto: Dennis Sylvester Hurd / CC0

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O que é o Ozempic e qual é o princípio ativo

Ozempic é um remédio injetável para diabetes tipo 2, fabricado pela dinamarquesa Novo Nordisk, cujo princípio ativo é a semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1). A aplicação é por injeção subcutânea, com caneta, uma vez por semana. O tratamento começa em 0,25 mg e a dose sobe aos poucos.

A mesma molécula é vendida com outros nomes e outras indicações e doses: Wegovy (obesidade), Rybelsus (comprimido) e, desde a queda da patente no Brasil em 20 de março de 2026, versões nacionais como Ozivy, da EMS, e Semavy, da Hypera. "Ozempic" virou apelido de toda a classe das canetas emagrecedoras, mas é só uma das marcas.

Para que serve: as indicações aprovadas

A indicação original do Ozempic é o tratamento do diabetes tipo 2 em adultos cuja glicemia não está controlada, junto com dieta e exercício.

Em 2 de fevereiro de 2026, a Anvisa aprovou uma nova indicação: reduzir, em adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica, o risco de queda sustentada da taxa de filtração glomerular estimada (TFGe), de doença renal em estágio terminal e de morte cardiovascular, somado à terapia padrão. A aprovação se baseou no estudo FLOW, em que a semaglutida 1 mg retardou a progressão da doença renal crônica nesses pacientes.

O Ozempic não tem registro no Brasil para obesidade. Essa indicação é do Wegovy e do Poviztra, segunda marca da Novo Nordisk.

Como funciona

Foto: Blueag9 / CC BY-SA 3.0
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Como o Ozempic age no corpo

A semaglutida imita o GLP-1, hormônio produzido pelo intestino que ajuda a regular a glicose. O remédio estimula a liberação de insulina quando o açúcar no sangue está alto, reduz a secreção de glucagon e diminui a produção de glicose pelo fígado.

O segundo efeito explica a perda de peso: os agonistas de GLP-1 retardam o esvaziamento do estômago e agem nos centros do apetite, o que prolonga a saciedade e reduz o quanto a pessoa come.

A perda de peso é gradual, porque a dose sobe aos poucos. No estudo STEP 1, publicado no New England Journal of Medicine em 2021 e patrocinado pela Novo Nordisk, 1.961 adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes usaram semaglutida 2,4 mg (a dose do Wegovy) ou placebo por 68 semanas: o grupo da semaglutida perdeu em média 14,9% do peso, contra 2,4% no placebo.

O "lagarto do Ozempic". A classe nasceu de uma pesquisa com o monstro-de-gila (Heloderma suspectum), lagarto do oeste dos Estados Unidos e do México que come poucas vezes por ano. O veneno dele contém a exendina-4, uma molécula com efeito parecido com o do GLP-1, que abriu caminho para os agonistas de GLP-1. A semaglutida não é extraída do lagarto.

Quanto custa o Ozempic no Brasil

Foto: Chemist4U / CC BY-SA 2.0

A caneta de Ozempic 1 mg (3 ml, com agulhas) era anunciada por R$ 1.298,54 em farmácia online em setembro de 2026. O teto é o Preço Máximo ao Consumidor fixado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), mas as redes dão descontos, e o valor varia muito entre farmácias e programas de fidelidade.

As versões nacionais mudaram a conta:

MarcaFabricantePreço anunciado
OzivyEMSR$ 333 no programa de fidelidade (agosto de 2026)
SemavyHypera (marca Mantecorp)cerca de R$ 464,80 a unidade; R$ 333 cada no combo de três (setembro de 2026)
Poviztra e ExtensiorNovo Nordisk, vendidos pela EurofarmaR$ 599 por duas caixas nos dois primeiros meses, no programa EuroCuida

Em 24 de setembro de 2026, o Ministério da Saúde informou que os preços dessas canetas caíram 70% no Brasil em menos de um ano, com a concorrência.

O genérico e o "Ozempic brasileiro"

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Anvisa aprova "Ozivy", primeira caneta brasileira de semaglutida, ativo do Ozempic | #SBTBrasil

A patente da semaglutida caiu em 20 de março de 2026, depois que o Superior Tribunal de Justiça rejeitou o pedido de extensão da Novo Nordisk. A partir daí a Anvisa passou a registrar remédios com semaglutida obtida por síntese química. Até 24 de setembro de 2026, 25 canetas de GLP-1 tinham registro no país, 14 delas concedidas em 2026, segundo o Ministério da Saúde.

Os principais registros:

  • 26 de maio de 2026: Ozivy, da EMS, o primeiro remédio brasileiro com semaglutida sintética. Ele é a referência dos genéricos nacionais.
  • Julho de 2026: Semavy, da Hypera, aprovado junto com outras quatro marcas (Owozy, Seemasun, Zempneo e Orsema). O Semavy é indicado para diabetes tipo 2 e tem o Ozivy como referência. Chegou às farmácias no início de setembro de 2026. Segundo a fabricante, pode ficar fora da geladeira, em temperatura ambiente, por até seis semanas depois de aberto.
  • Agosto de 2026: os dois primeiros genéricos de semaglutida do país (EMS, decidido em 13 de agosto e publicado no Diário Oficial em 17 de agosto; Germed, em 24 de agosto) e dois similares (Semaclique, da Germed, em 17 de agosto; Yluméc, da EMS, em 31 de agosto). O registro da EMS cobre quatro apresentações em caneta na concentração de 1,34 mg/ml.

Por lei, o genérico precisa custar pelo menos 35% menos que o remédio de referência. Cimed, Biomm e Prati-Donaduzzi também anunciaram projetos de semaglutida.

A Novo Nordisk respondeu com duas segundas marcas da semaglutida original, vendidas pela Eurofarma desde outubro de 2025: Poviztra, para obesidade e sobrepeso com comorbidade, e Extensior, para diabetes tipo 2. Não são genéricos nem biossimilares. Em setembro de 2026, a Eurofarma afirmou liderar o mercado nacional de canetas de semaglutida.

Em 25 de setembro de 2026, a Anvisa proibiu a propaganda do Semavy depois de encontrar anúncios em painéis do Aeroporto de Congonhas, no site do produto e em redes sociais. Remédio de tarja vermelha só pode ser divulgado a médicos, dentistas e farmacêuticos (Lei 6.360/1976). A Hypera disse que adotou as medidas necessárias.

Ozempic ou Mounjaro

O Mounjaro, da Eli Lilly, tem como princípio ativo a tirzepatida, que age em dois receptores, GLP-1 e GIP; a semaglutida age só no GLP-1.

A comparação direta foi o estudo SURMOUNT-5, ensaio aberto de fase 3b com 751 adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes tipo 2, por 72 semanas, publicado no New England Journal of Medicine em maio de 2025: a perda de peso média foi de 20,2% com tirzepatida contra 13,7% com semaglutida. O estudo foi patrocinado pela Eli Lilly.

A escolha depende da indicação, das comorbidades e da tolerância do paciente, e é decisão médica.

Ozempic e Wegovy: a mesma molécula, usos diferentes

Ozempic e Wegovy têm a mesma substância, semaglutida, e o mesmo fabricante. Mudam a indicação e a dose máxima: o Ozempic foi aprovado pela FDA em 2017 para controle da glicemia no diabetes tipo 2, com dose máxima de 2 mg por semana; o Wegovy foi aprovado em 2021 para controle crônico de peso em adultos com obesidade (ou sobrepeso com comorbidade), com dose máxima de 2,4 mg por semana.

Por isso, usar Ozempic para emagrecer é uso fora de bula: prática comum, mas fora do registro do produto.

Ozempic em comprimido: a semaglutida oral

Foto: Grendelkhan / CC BY-SA 4.0

Existe semaglutida em comprimido, mas não com a marca Ozempic. O Rybelsus, da Novo Nordisk, foi o primeiro agonista de GLP-1 oral aprovado pela Anvisa, em 3 mg, 7 mg e 14 mg, tomado todo dia. Em 27 de abril de 2026 a Anvisa aprovou para ele a indicação de reduzir o risco de infarto, AVC e morte cardiovascular em adultos com diabetes tipo 2. A base foi o estudo SOUL, de fase 3b, com 9.650 participantes acompanhados por quatro anos em média, que mostrou redução relativa de 14% nesses eventos em relação ao placebo.

O Wegovy oral, de 25 mg, para obesidade, foi aprovado pela FDA em dezembro de 2025 e pela Anvisa em 4 de novembro de 2026. Ainda não tem preço no Brasil, e a Novo Nordisk espera vender no primeiro semestre de 2027.

Ozempic e anticoncepcional

A dúvida vem de um efeito real: ao retardar o esvaziamento do estômago, os agonistas de GLP-1 podem atrasar a absorção de remédios tomados pela boca, como anticoncepcionais, analgésicos e anticoagulantes. O que se descreve é atraso no início da ação, não perda de eficácia.

Uma revisão de seis estudos com usuárias de anticoncepcional oral e agonistas de GLP-1 não encontrou interação entre semaglutida ou liraglutida e os contraceptivos; a orientação é manter o anticoncepcional oral. Para quem planeja engravidar, a recomendação é parar a semaglutida pelo menos dois meses antes (um mês, no caso da tirzepatida). Qualquer ajuste deve ser conversado com o médico.

"Ozempic natural": o que a Anvisa proibiu

Não existe Ozempic natural. O termo circula nas redes associado a suplementos, chás e à berberina, vendida como alternativa vegetal às canetas. A berberina não é semaglutida e não tem o mesmo mecanismo de ação.

Em agosto de 2026, a Anvisa proibiu a venda, a distribuição, a divulgação e o uso de produtos vendidos como "Ozempic Natural" e mandou apreendê-los, por falta de registro sanitário e indícios de falsificação. A venda ocorria sobretudo em sites e perfis de redes sociais, o que a Lei 6.360/1976 proíbe.

Onde comprar e as regras de receita

Ozempic e os demais análogos de GLP-1 só podem ser vendidos em farmácias, com prescrição médica e retenção da receita. A regra foi definida pela Anvisa em abril de 2025 e vale desde 23 de junho de 2025: a receita vale por 90 dias e fica na farmácia. As embalagens trazem tarja vermelha com a frase "VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA – SÓ PODE SER VENDIDO COM RETENÇÃO DA RECEITA".

Comprar em sites não autorizados, redes sociais ou fora das farmácias é irregular e expõe você a produto falsificado. Em setembro de 2026 a Anvisa também alertou para a venda ilegal de tirzepatida em pó na internet.

Manipulação de semaglutida em farmácias

A Nota Técnica nº 200/2025 da Anvisa só permitia importar insumo de agonista de GLP-1 obtido por síntese química, para manipulação, se houvesse um remédio registrado com a mesma molécula. Enquanto não havia semaglutida sintética registrada, a manipulação ficava inviável.

O registro do Ozivy, em maio de 2026, cumpriu essa condição. Isso não autoriza qualquer insumo: continuam valendo as exigências de qualificação do fornecedor, controle de qualidade e rastreabilidade. A Anvisa anunciou em 2026 mais fiscalização sobre canetas manipuladas.

Efeitos colaterais e o alerta de perda de visão

Os efeitos adversos mais comuns da semaglutida são gastrointestinais: náusea, vômito, diarreia e prisão de ventre, em geral mais fortes nas fases de aumento de dose. No STEP 1, 4,5% dos participantes que usaram semaglutida abandonaram o tratamento por efeitos gastrointestinais, contra 0,8% no placebo.

O alerta mais grave veio em 6 de junho de 2025, quando o comitê de farmacovigilância (PRAC) da Agência Europeia de Medicamentos concluiu que a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (NAION) é um efeito colateral muito raro dos remédios com semaglutida (Ozempic, Rybelsus e Wegovy), com frequência de até 1 caso em 10 mil pacientes. Grandes estudos epidemiológicos apontaram risco cerca de duas vezes maior de NAION em adultos com diabetes tipo 2 que usam semaglutida, o equivalente a cerca de um caso a mais a cada 10 mil pessoas-ano de tratamento.

A NAION causa perda de visão súbita e sem dor, em geral em um olho, e costuma ser irreversível. A orientação é procurar atendimento imediato diante de perda súbita ou piora rápida da visão durante o tratamento, e suspender o remédio se o diagnóstico for confirmado. As bulas passaram a trazer o aviso, e a Anvisa repetiu o alerta no Brasil.

Ozempic no SUS

O SUS não oferece canetas de GLP-1 para obesidade. Em agosto de 2025, a Conitec, comissão que avalia a entrada de tecnologias no SUS, recomendou não incorporar as canetas, num pedido feito pela Novo Nordisk.

Em 24 de setembro de 2026, o Ministério da Saúde pediu à Conitec que avalie a incorporação de remédios à base de semaglutida ou liraglutida, princípios ativos já sem patente, para pacientes com obesidade. O ministério cita a alta da obesidade no país, de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024. A Conitec tem 180 dias, prorrogáveis por mais 90, para emitir a recomendação, que ainda passa por consulta pública.

Linha do tempo

  • 2017: A FDA aprova o Ozempic para diabetes tipo 2.
  • 2021: A FDA aprova o Wegovy para obesidade; sai o estudo STEP 1.
  • 6 de junho de 2025: A agência europeia classifica a NAION como efeito muito raro da semaglutida.
  • 23 de junho de 2025: Passa a valer a retenção de receita para canetas de GLP-1 no Brasil.
  • Agosto de 2025: A Conitec recomenda não incluir as canetas no SUS.
  • Outubro de 2025: Eurofarma lança Poviztra e Extensior, da Novo Nordisk.
  • 2 de fevereiro de 2026: Anvisa aprova a indicação renal do Ozempic.
  • 20 de março de 2026: Cai a patente da semaglutida no Brasil.
  • 27 de abril de 2026: Anvisa aprova a indicação cardiovascular do Rybelsus.
  • 26 de maio de 2026: Anvisa registra o Ozivy, da EMS.
  • Julho de 2026: Anvisa registra o Semavy, da Hypera, e outras quatro marcas.
  • Agosto de 2026: Primeiros genéricos de semaglutida (EMS e Germed); Anvisa proíbe o "Ozempic Natural".
  • Início de setembro de 2026: Semavy chega às farmácias.
  • 24 de setembro de 2026: Ministério da Saúde pede à Conitec a avaliação das canetas no SUS.
  • 25 de setembro de 2026: Anvisa proíbe a propaganda do Semavy.

Perguntas frequentes

Para que serve o Ozempic?

Para tratar diabetes tipo 2 em adultos e, desde fevereiro de 2026, para reduzir o risco de piora renal e morte cardiovascular em quem tem diabetes tipo 2 e doença renal crônica. Para emagrecer, o uso é fora de bula.

Qual é o princípio ativo do Ozempic?

Semaglutida.

Existe Ozempic genérico?

Sim. A patente caiu em 20 de março de 2026, e a Anvisa aprovou os primeiros genéricos de semaglutida, da EMS e da Germed, em agosto de 2026. Há também versões nacionais como Ozivy, Semavy e Yluméc.

Quanto custa o Ozempic genérico?

O genérico precisa custar no mínimo 35% menos que a referência. Ozivy e Semavy foram anunciados a R$ 333 por caneta em programas de desconto.

Ozempic precisa de receita?

Sim, e a farmácia retém a receita, que vale por 90 dias.

Ozempic ou Mounjaro: qual emagrece mais?

No estudo SURMOUNT-5, a tirzepatida (Mounjaro) levou a perda média de 20,2% do peso, contra 13,7% da semaglutida, em 72 semanas.

Ozempic corta o efeito do anticoncepcional?

Os estudos não encontraram perda de eficácia do anticoncepcional oral com semaglutida; o remédio pode só atrasar a absorção.

Existe Ozempic em comprimido?

Não com essa marca. A semaglutida oral no Brasil é o Rybelsus, para diabetes, e o Wegovy em comprimido, para obesidade, aprovado em novembro de 2026 e ainda fora das farmácias.

Quantos quilos o Ozempic faz perder por semana?

Não há número fixo por semana. No STEP 1, com a dose de 2,4 mg, a perda média foi de 14,9% do peso em 68 semanas.

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