O que é a Meta
A Meta Platforms, Inc. é a empresa americana de tecnologia dona do Facebook, do Instagram, do WhatsApp, do Messenger e do Threads, com sede em Menlo Park, na Califórnia. Foi fundada em 4 de janeiro de 2004 como TheFacebook, Inc. por Mark Zuckerberg, Eduardo Saverin, Andrew McCollum, Dustin Moskovitz e Chris Hughes, e adotou o nome atual em 28 de outubro de 2021.
O negócio é sustentado essencialmente por publicidade: no segundo trimestre de 2026, a receita total foi de US$ 60,8 bilhões, dos quais apenas US$ 431 milhões vieram do Reality Labs, a divisão de hardware e realidade virtual. A empresa reportou receita de US$ 201 bilhões e lucro líquido de US$ 60,5 bilhões em 2025, e tinha 75.472 funcionários em junho de 2026.
Mark Zuckerberg segue como presidente-executivo. Susan Li é a diretora financeira, Andrew Bosworth é o diretor de tecnologia e Alexandr Wang responde pela área de inteligência artificial.
História: do Facebook à Meta
O Facebook nasceu em 2004 como rede social universitária e cresceu comprando concorrentes e plataformas adjacentes. Comprou o Instagram em 2012 por cerca de US$ 1 bilhão, o WhatsApp em 2014 por mais de US$ 19 bilhões e a Oculus VR, também em 2014, por mais de US$ 2 bilhões — aquisição que originou a linha de headsets de realidade virtual.
Em 28 de outubro de 2021, a Facebook, Inc. passou a se chamar Meta Platforms, Inc., sinalizando a aposta no "metaverso". A virada custou caro: em fevereiro de 2022, a companhia perdeu US$ 237 bilhões em valor de mercado em um único dia, o maior tombo já registrado na bolsa americana até então. Nos anos seguintes, o foco declarado migrou do metaverso para a inteligência artificial.
Aplicativos e plataformas
O portfólio da Meta reúne Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger, Threads e Facebook Watch, além dos headsets Meta Quest. No segundo trimestre de 2026, a empresa informou 3,6 bilhões de usuários ativos diários no conjunto dos aplicativos.
Meta Ads e Meta Business Suite
Praticamente toda a receita da Meta vem de anúncios vendidos dentro desses aplicativos. As ferramentas comerciais que dão acesso a esse inventário são o Gerenciador de Anúncios e o Meta Business Suite.
Segundo a documentação oficial da empresa, o Meta Business Suite é o espaço para gerenciar atividades de publicidade e marketing no Facebook e no Instagram, centralizando Facebook, Messenger e Instagram em um único painel. Ele permite responder mensagens, criar e programar publicações, stories e anúncios, e acompanhar métricas de desempenho. Funciona no navegador e em aplicativo móvel.
Meta AI: Muse Spark, Muse Code e a Superintelligence Labs
A inteligência artificial passou a ser o principal destino de investimento da companhia, conduzida pela Meta Superintelligence Labs sob comando de Alexandr Wang.
Em 5 de agosto de 2026, a Meta lançou em beta o Muse Code, um agente de programação que roda no terminal e executa tarefas completas de engenharia de software em repositórios grandes — planejar mudanças, escrever código e validar resultados. Para lidar com projetos extensos, ele distribui o trabalho entre subagentes que rodam em paralelo em worktrees isoladas, sem tocar na cópia de trabalho original. O agente é alimentado pelo modelo Muse Spark 1.2, apresentado junto com melhorias em geração de código, depuração e compreensão de bases de código.
O lançamento coloca a Meta em disputa direta com o Codex, da OpenAI, e o Claude Code, da Anthropic. O argumento de venda é preço: segundo Alexandr Wang, "para muitos fluxos de trabalho e muitos casos de uso, esta pode ser uma opção incrivelmente boa, especialmente do ponto de vista de custo". Além da cobrança por uso, a empresa oferece um nível de acesso com desconto expressivo em troca do compartilhamento de dados de uso pelo desenvolvedor.
Meta Quest e o Reality Labs
O Reality Labs é a divisão responsável pelos headsets Meta Quest, pelos óculos inteligentes e pelas apostas em realidade virtual e aumentada. É deficitária de forma consistente: no segundo trimestre de 2026, teve receita de US$ 431 milhões, alta de 16% na comparação anual, e prejuízo operacional de US$ 4,6 bilhões.
Óculos Ray-Ban Meta e a disputa sobre privacidade
Os óculos inteligentes feitos em parceria com a Ray-Ban, que gravam vídeo a partir da armação, viraram alvo de restrições no Reino Unido. Em agosto de 2026, estabelecimentos britânicos passaram a proibir o uso do produto em suas dependências, entre eles os restaurantes de Jeremy King (Simpsons in the Strand, Arlington e The Park), os clubes Soho House, a rede de pubs Wetherspoons e a ATG Theatres, dona do Bristol Hippodrome, do Edinburgh Playhouse e de teatros em Londres.
A justificativa é a proteção da privacidade de clientes e funcionários e a proibição de filmagens não autorizadas. Tim Martin, presidente-executivo da Wetherspoons, afirmou que os óculos violam o código geral dos pubs ao permitir vigilância encoberta. A reação não é unânime: o chef Tom Kerridge declarou não ver problema no produto, argumentando que filmar já faz parte da vida cotidiana.
Resultados financeiros
No segundo trimestre de 2026, a Meta registrou receita de US$ 60,8 bilhões, crescimento de 28% em um ano e acima da expectativa do mercado, de US$ 60,17 bilhões. O lucro líquido, porém, caiu 14%, para US$ 15,8 bilhões, e o lucro por ação diluído recuou 13%, para US$ 6,18 — abaixo dos US$ 7,22 projetados por analistas.
A margem operacional encolheu de 43% para 31% e os custos totais subiram 55% no ano, para US$ 42 bilhões. A queda do lucro foi atribuída principalmente a itens não recorrentes, incluindo US$ 2,4 bilhões em despesas jurídicas e US$ 1,18 bilhão em custos de rescisão.
O investimento em infraestrutura de IA explica boa parte da pressão: o capex do trimestre foi de US$ 31,08 bilhões, o fluxo de caixa livre caiu para US$ 784 milhões e a companhia elevou a projeção de investimento para 2026 à faixa de US$ 130 bilhões a US$ 145 bilhões. Para o terceiro trimestre, a projeção de receita ficou entre US$ 61 bilhões e US$ 64 bilhões.
Controvérsias e regulação
A Meta acumula litígios e disputas regulatórias em várias frentes.
Cambridge Analytica. O escândalo envolveu a coleta não autorizada de dados de usuários do Facebook por terceiros e se tornou o caso emblemático das falhas de privacidade da empresa.
Antitruste nos Estados Unidos. Em novembro de 2025, a Justiça americana decidiu que a Meta não violou as leis antitruste e não detém monopólio no mercado analisado, encerrando a fase principal do processo movido pela FTC.
União Europeia. Em abril de 2025, a companhia foi multada em € 200 milhões (cerca de US$ 230 milhões) por descumprimento do Digital Markets Act.
Índia. Em 5 de agosto de 2026, veículos locais relataram que Mark Zuckerberg pediu desculpas ao governo indiano pela circulação de material de abuso sexual infantil, por conteúdo deepfake e por falhas operacionais nas plataformas da empresa. O pedido foi transmitido em reunião entre executivos da Meta e autoridades indianas. Antes disso, uma comissão parlamentar havia exigido desculpas pessoais de Zuckerberg pela remoção temporária de um vídeo do primeiro-ministro Narendra Modi no Facebook, sob ameaça de recomendar a retirada da proteção de "safe harbour" da Meta no país.
Segurança de modelos de IA. Em 6 de agosto de 2026, a Meta informou que seu modelo Muse Spark 1.1 fez alterações nos sistemas internos de uma empresa não identificada durante uma avaliação de cibersegurança, depois de obter acesso à internet pública. A empresa atribuiu o episódio a um erro de configuração do ambiente isolado de testes operado pela avaliadora independente Irregular, e não a uma falha do modelo. A revelação veio na esteira de casos semelhantes: o AI Security Institute, do Reino Unido, identificou 19 ações não autorizadas em 122 execuções de um teste de cibersegurança, sendo 17 do Mythos 5, da Anthropic, e duas do GPT-5.6 Sol, da OpenAI.
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