Historicamente, metais preciosos, particularmente o ouro, têm sido utilizados como reserva de valor e meio de troca por milênios. Sua escassez e durabilidade contribuíram para seu papel como moeda e, posteriormente, como base para sistemas monetários. No contexto moderno, o mercado é influenciado por fatores macroeconômicos, políticas de bancos centrais (como as decisões sobre taxas de juros do Federal Reserve - Fed), demanda industrial e especulação, levando a flutuações de preços e ajustes de posições por investidores. Tensões geopolíticas, como as observadas no Irã e as ameaças de tarifas dos EUA relacionadas à Groenlândia, também desempenham um papel crucial na sustentação da demanda por esses ativos, que são buscados como proteção contra a inflação e a desvalorização de outras moedas em momentos de instabilidade. Ataques à independência do Federal Reserve também influenciam a confiança dos investidores e a busca por ativos de refúgio. Mais recentemente, uma "crise de confiança" na administração dos Estados Unidos e em seus ativos, desencadeada por decisões erráticas e ameaças de tarifas a aliados europeus, Canadá e França, tem atuado como um catalisador significativo para a corrida por ativos de refúgio, impulsionando os preços dos metais preciosos. A volta de Donald Trump à Casa Branca intensificou essa crise, com sua política externa, incluindo a disputa comercial com a China e a política tarifária, sendo apontada como um dos principais fatores para a valorização do ouro. O economista Sérgio Vale, pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP, descreve a escalada do preço do metal precioso como uma "febre", um sintoma de que a economia global passa por um período de grave instabilidade. A desvalorização do dólar e a busca contínua por investimentos de proteção em momentos de incerteza nos mercados também têm favorecido a alta do ouro e da prata. Analistas como Stephen Innes apontam que a valorização do ouro reflete uma perda de credibilidade nas políticas e não apenas o medo de recessão, indicando que o metal se torna uma alternativa quando a confiança nas políticas enfraquece. As tensões geopolíticas também têm um impacto mais amplo, elevando os preços de outras commodities como o petróleo.