Quem é Giorgia Meloni
Giorgia Meloni é primeira-ministra da Itália desde 22 de outubro de 2022, a primeira mulher a ocupar o cargo. Líder do partido Fratelli d'Italia (Irmãos de Itália), chegou ao poder à frente de uma coalizão de direita e, em 4 de setembro de 2026, completou 1.413 dias no cargo — o governo mais longo da história da República Italiana.
Nascida em Roma em 15 de janeiro de 1977, Meloni concluiu o ensino médio no Instituto Amerigo Vespucci, na capital italiana, em 1996. Católica, define-se como conservadora nacional e rejeita o rótulo de extrema-direita com que é descrita por parte da imprensa e da oposição.
Em um comício de outubro de 2019 que virou marca de sua identidade pública, resumiu a própria plataforma na frase "sou Giorgia: sou mulher, sou mãe, sou italiana, sou cristã". Fala italiano, inglês, francês e espanhol.
Trajetória política
Meloni entrou na política aos 15 anos, em 1992, ao se filiar à Fronte della Gioventù, a ala jovem do Movimento Social Italiano (MSI). Em 1996 tornou-se dirigente nacional da Azione Studentesca, organização estudantil ligada ao mesmo campo.
Os cargos vieram cedo:
- 1998–2002: conselheira provincial de Roma
- 2006: eleita deputada, mandato que exerce desde então
- 8 de maio de 2008 a 16 de novembro de 2011: ministra da Juventude no quarto governo de Silvio Berlusconi
Fratelli d'Italia
Em dezembro de 2012, Meloni fundou o Fratelli d'Italia junto com Ignazio La Russa e Guido Crosetto. O nome vem do verso inicial do hino nacional italiano. Ela preside o partido desde março de 2014.
O crescimento da legenda foi rápido: nas eleições legislativas de 2018, o FdI obteve 4,3% dos votos; quatro anos depois, chegou a 26%.
A vitória de 2022 e a chegada ao poder
Nas eleições legislativas de 25 de setembro de 2022, o Fratelli d'Italia foi o partido mais votado, com cerca de 26% dos votos. A coalizão de centro-direita que liderava — formada com a Forza Italia, de Antonio Tajani, e a Liga, de Matteo Salvini — somou em torno de 44% e conquistou maioria no Parlamento.
Meloni tomou posse em 22 de outubro de 2022 como presidente do Conselho de Ministros, a primeira mulher no cargo desde a fundação da República.
O governo mais longo da República Italiana
Em 4 de setembro de 2026, o governo Meloni completou 1.413 dias, superando por um dia o recorde anterior — o segundo governo de Silvio Berlusconi, que durou 1.412 dias, entre 11 de junho de 2001 e 23 de abril de 2005. É o executivo mais duradouro nos 80 anos de história da República Italiana, um país historicamente marcado pela troca frequente de governos.
A longevidade se apoia na estabilidade da coalizão original, mantida sem rupturas desde a posse, e na ausência de uma crise parlamentar capaz de derrubar o gabinete.
Economia e contas públicas
O desempenho fiscal é o argumento mais usado pelo governo em sua própria defesa. O spread entre os títulos italianos (BTP) e os alemães (Bund) — termômetro da confiança dos mercados na dívida italiana — oscilava entre 240 e 250 pontos-base quando Meloni assumiu, em outubro de 2022, e caiu para abaixo de 70 pontos em 2026, o menor patamar desde a crise financeira de 2008. O déficit em relação ao PIB recuou de 8,1% para 3,1% no período.
As agências de classificação acompanharam o movimento: a S&P elevou a Itália a BBB+ em abril de 2025 e a Moody's a Baa2 em novembro do mesmo ano.
O crescimento, porém, é fraco. O PIB italiano avançou 0,2% no primeiro trimestre de 2026 sobre o trimestre anterior, e em abril de 2026 o governo reduziu sua projeção de expansão para 0,6% no ano.
Imigração e o acordo com a Albânia
O controle da imigração é o eixo mais identificado com Meloni. Sua proposta mais ambiciosa foi o protocolo com a Albânia, que previa a instalação de dois centros em território albanês para processar pedidos de asilo de migrantes interceptados no mar pela Itália — um modelo de externalização inédito na União Europeia.
Os centros foram inaugurados em outubro de 2024 e permaneceram praticamente vazios, bloqueados por sucessivas decisões judiciais contrárias ao envio de migrantes irregulares da Itália para a Albânia. Meloni sustenta que passarão a funcionar com a entrada em vigor do novo Pacto Europeu de Migração e Asilo, prevista para junho de 2026, que flexibiliza a definição de "país seguro". Analistas apontam que o novo regulamento não contém automatismo que torne os centros operacionais.
A derrota no referendo da justiça
Em 22 e 23 de março de 2026, os italianos rejeitaram em referendo a reforma constitucional do Judiciário conhecida como "reforma Nordio", em referência ao ministro da Justiça Carlo Nordio. Aprovada pelo Parlamento em outubro de 2025, a proposta separava as carreiras de juízes e promotores, dividia o Conselho Superior da Magistratura em dois órgãos e criava um tribunal disciplinar por sorteio.
O "não" venceu com 54% dos votos válidos, contra 46%, com participação de 58,9% do eleitorado — alta para um referendo confirmatório, que não exige quórum mínimo. Foi a maior derrota política do governo. Meloni afirmou que respeitaria o resultado e permaneceria no cargo.
Política externa e papel na Europa
Meloni foi eleita presidente do partido dos Conservadores e Reformistas Europeus (ECR) em 29 de setembro de 2020 e deixou o cargo em dezembro de 2024, sucedida pelo polonês Mateusz Morawiecki; alegou a necessidade de concentrar-se na estabilidade do governo italiano. Em julho de 2026, o grupo ECR contava com 84 eurodeputados no Parlamento Europeu.
Na guerra da Ucrânia, Meloni manteve o alinhamento italiano com Kiev. Em sua coletiva anual de 9 de janeiro de 2026, no Palácio Chigi, defendeu a nomeação de um enviado especial da União Europeia para a Ucrânia e resistiu à reabertura de canais com Moscou sem coordenação prévia: "a última coisa que quero fazer na vida é um favor a Putin". Na mesma ocasião, descartou a hipótese de uma ação militar dos Estados Unidos na Groenlândia.
Ao longo de 2026, a imprensa europeia noticiou atrito entre Meloni e o presidente norte-americano Donald Trump, com quem ela cultivara proximidade no início do mandato.
Posições e polêmicas
Meloni é contrária ao aborto, à eutanásia, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à adoção por casais homoafetivos, à barriga de aluguel e à legalização da cannabis. Critica o multiculturalismo e o fundamentalismo islâmico e defende a soberania italiana diante do que considera excesso de poder de Bruxelas.
Ao assumir, revogou a exigência de certificação de vacinação contra a covid-19. Seu governo também endureceu a repressão à imigração irregular e propôs mudanças constitucionais em direção a um sistema mais presidencialista.
Apesar de ser a primeira mulher a chefiar o governo italiano, rejeita o rótulo feminista. Em dezembro de 2022, a revista Forbes a classificou como a sétima mulher mais poderosa do mundo.
Vida pessoal
Meloni manteve relacionamento entre 2015 e 2023 com Andrea Giambruno, jornalista da Mediaset, com quem tem uma filha, Ginevra, nascida em 16 de setembro de 2016. A separação foi anunciada em 2023, após a divulgação de comentários machistas feitos por Giambruno fora do ar.
Perguntas frequentes
Quem é Giorgia Meloni? É a primeira-ministra da Itália desde outubro de 2022 e presidente do partido Fratelli d'Italia desde 2014. Foi a primeira mulher a chefiar um governo italiano.
Qual é o partido de Giorgia Meloni? O Fratelli d'Italia, que ela cofundou em dezembro de 2012 com Ignazio La Russa e Guido Crosetto.
Há quanto tempo Meloni governa a Itália? Assumiu em 22 de outubro de 2022. Em 4 de setembro de 2026 completou 1.413 dias, tornando-se o governo mais longo da República Italiana.
Meloni é de extrema-direita? É descrita assim por parte da imprensa e da oposição; ela se define como conservadora nacional e rejeita o rótulo. Sua formação política vem da Fronte della Gioventù, ala jovem do Movimento Social Italiano.
Quem é o marido de Giorgia Meloni? Meloni não é casada. Viveu com o jornalista Andrea Giambruno entre 2015 e 2023, pai de sua filha Ginevra; o casal se separou em 2023.
Quantos filhos Giorgia Meloni tem? Uma filha, Ginevra, nascida em 16 de setembro de 2016.
