Quem é Edmilson Costa
Edmilson Silva Costa (Pedreiras, Maranhão, 8 de abril de 1950) é economista, professor universitário e político brasileiro. Filiado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) desde a década de 1970, exerce o cargo de Secretário-Geral da legenda desde 17 de outubro de 2016, quando sucedeu Ivan Pinheiro.
Em 2026, é o pré-candidato do PCB à Presidência da República. Já havia disputado a Prefeitura de São Paulo em 2008 e a Vice-Presidência da República em 2010, na chapa encabeçada por Ivan Pinheiro.
Formação e trajetória profissional
Costa formou-se em Comunicação Social pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em 1974 e passou a atuar como jornalista. Nos anos 1980, escreveu artigos e colunas no jornal Voz da Unidade, principal veículo de imprensa do PCB à época.
Em 1992 obteve o título de doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com a tese A Política Salarial no Brasil — 1964-1985: 21 anos de arrocho salarial e acumulação predatória, orientada pelo professor Waldir da Silva Quadros. Segundo o próprio PCB, ele cursou ainda pós-doutorado no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp.
Além da atividade partidária, é diretor de pesquisa e formação do Instituto Caio Prado Júnior e professor universitário em instituições privadas de ensino.
Em entrevista à agência Sputnik Brasil reproduzida pelo jornal Tribuna do Sertão em junho de 2026, Costa afirmou ter sido preso em 1974 durante a ditadura militar e, na sequência, ter se transferido para São Paulo, onde trabalhou como jornalista antes de se dedicar à economia. "Como todo jovem daquela época que enfrentava a ditadura, paguei aquele preço que todos pagam quando enfrentam o regime autoritário", disse.
Trajetória no PCB
Costa é membro do PCB desde 1970. Após a cisão ocorrida no partido em 1992 — quando parte dos quadros deixou a legenda —, tornou-se um dos nomes associados ao processo interno que o partido chama de "Reconstrução Revolucionária".
Integra a Comissão Política Nacional do PCB desde 2001 e ocupou os cargos de Secretário de Relações Internacionais e de Secretário Político do partido em São Paulo até 2016. Em 17 de outubro de 2016, assumiu a Secretaria-Geral no lugar de Ivan Pinheiro.
Candidaturas anteriores
Prefeitura de São Paulo (2008). Costa disputou a Prefeitura de São Paulo pelo PCB, com o número 21 e a jornalista Fernanda Mendes como candidata a vice-prefeita. O registro consta do sistema DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral. Recebeu 4.300 votos, equivalentes a 0,07% dos válidos, na eleição vencida em segundo turno por Gilberto Kassab.
Vice-Presidência da República (2010). Em abril de 2010 foi anunciado candidato a vice-presidente na chapa de Ivan Pinheiro, então Secretário-Geral do PCB. O DivulgaCand registra "EDMILSON SILVA COSTA", PCB, como candidato a vice-presidente naquele pleito. A chapa obteve 39.136 votos no primeiro turno, 0,04% dos válidos.
Pré-candidatura à Presidência em 2026
O Comitê Central do PCB decidiu, em reunião realizada no início de fevereiro de 2026, lançar Costa como pré-candidato à Presidência da República. A decisão foi divulgada pelo partido em 24 de fevereiro de 2026.
O lançamento público da pré-candidatura ocorreu em 29 de abril de 2026, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro, junto com a apresentação da plataforma do partido para o estado.
Em 12 de julho de 2026, o Comitê Central aprovou por unanimidade o nome de Cleusa Santos para compor a chapa como candidata a vice-presidente. Professora titular aposentada da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutora em Serviço Social pela PUC-SP, Cleusa Santos presidiu a ADUFRJ-SSind entre 2002 e 2003 e é secretária política, em Santos, do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro, ligado ao PCB.
Em 23 de julho de 2026, Costa assinou, como Secretário-Geral, o edital que convoca a Convenção Nacional do PCB para 1º de agosto de 2026, no auditório 1º de Maio da Câmara Municipal de São Paulo, com a deliberação sobre as candidaturas a presidente e vice-presidente na ordem do dia. Até 31 de julho de 2026, o DivulgaCand do TSE não registrava nenhum candidato ao cargo de presidente na Eleição Geral Federal de 2026 — a etapa de registro ocorre após as convenções partidárias.
Propostas
A plataforma divulgada pelo PCB e as declarações de Costa em entrevistas concentram-se em cinco eixos.
Sistema financeiro e dívida pública. O programa defende a estatização e o controle público do sistema financeiro, com a criação de um "Banco dos Trabalhadores" responsável pela gestão dos fundos previdenciários e de seguridade social, além de uma comissão especial para investigar a origem da dívida pública e a suspensão do pagamento de juros e amortizações. Costa afirma que cerca de 70% da dívida brasileira atual é de natureza financeira, gerada por altas taxas de juros, e cita o pagamento de R$ 1 trilhão em juros da dívida interna entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.
Banco Central. Em declaração publicada pelo Poder360 em 29 de maio de 2026, Costa afirmou que o Banco Central "não pode ter autonomia ou independência" em relação ao governo federal, argumentando ser incoerente que um presidente do BC não eleito tenha poder independente do presidente eleito.
Trabalho e salários. O programa prevê a revogação das reformas trabalhista e previdenciária e do arcabouço fiscal, a redução da jornada para 30 horas semanais sem redução salarial, o fim da escala 6x1, o registro em carteira e piso salarial para trabalhadores de aplicativos, e a recuperação do poder de compra do salário mínimo até o patamar calculado pelo Dieese.
Instituições. Costa defende a extinção do Senado e a instituição de um parlamento unicameral, a criação de Conselhos Populares eleitos em locais de trabalho, moradia e estudo, mandatos por tempo definido para ministros de tribunais superiores e regionais, e a desmilitarização das polícias.
Política externa. O programa afirma solidariedade a Cuba, à Palestina, à Venezuela e ao Irã, e propõe o aprofundamento das relações com os BRICS como forma de reduzir a influência dos Estados Unidos. "Se você não resiste ao imperialismo, você termina sendo subjugado pelo imperialismo", declarou em entrevista à Sputnik Brasil.
Sobre as chances eleitorais do PCB, Costa disse à Rádio Itatiaia em junho de 2026: "Nós sabemos que iremos ter uma minoria no Congresso, mas uma minoria no Congresso não significa que seja uma minoria na sociedade."
Obras publicadas
Costa é autor de livros sobre economia política brasileira e crise do capitalismo contemporâneo, entre eles:
- A política salarial no Brasil (1997)
- Um projeto para o Brasil (1998)
- A globalização e o capitalismo contemporâneo
- A crise econômica mundial, a globalização e o Brasil (2013)
- Reflexões sobre a crise brasileira (2020)
- Um perfil da juventude brasileira (2025)
Publicou também, pela Global Editora, um livro sobre imperialismo, registrado na Wikipédia em português como O imperialismo e na versão em inglês como O que todo cidadão precisa saber sobre imperialismo.
Linha do tempo
- 8 de abril de 1950: nasce em Pedreiras, Maranhão.
- 1970: filia-se ao PCB.
- 1974: forma-se em Comunicação Social pela UFMA.
- Anos 1980: escreve para o jornal Voz da Unidade.
- 1992: doutora-se em economia pela Unicamp.
- 2001: passa a integrar a Comissão Política Nacional do PCB.
- 2008: candidato a prefeito de São Paulo; 4.300 votos (0,07%).
- 2010: candidato a vice-presidente na chapa de Ivan Pinheiro; 39.136 votos (0,04%).
- 17 de outubro de 2016: torna-se Secretário-Geral do PCB.
- Início de fevereiro de 2026: Comitê Central decide lançá-lo pré-candidato à Presidência; anúncio publicado em 24 de fevereiro.
- 29 de abril de 2026: lançamento público da pré-candidatura, na ABI, no Rio de Janeiro.
- 12 de julho de 2026: Comitê Central aprova Cleusa Santos como candidata a vice-presidente.
- 1º de agosto de 2026: data marcada para a Convenção Nacional do PCB deliberar sobre as candidaturas.
