O combate ao narcotráfico no México é uma luta contínua contra poderosos cartéis, como o CJNG, que se tornou um dos mais influentes e violentos do país. A recente morte de seu líder, "El Mencho", em uma operação militar conjunta, embora um marco, gerou uma onda de violência e incerteza sobre a sucessão e a reconfiguração do crime organizado. A cooperação internacional, especialmente com os EUA, é crucial, mas a "decapitação" de líderes frequentemente resulta em instabilidade e aumento da violência, redefinindo as dinâmicas do narcotráfico.
O combate ao narcotráfico no México é uma luta complexa e contínua contra poderosos cartéis de drogas que operam no país. Este tema abrange as estratégias governamentais, as operações militares e policiais, a violência associada e a cooperação internacional para desmantelar as redes de tráfico. A morte de líderes de cartéis, como Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, é um marco significativo, mas frequentemente gera ondas de violência e reconfigurações no cenário do crime organizado, com a sucessão e as disputas internas e externas sendo fatores cruciais para a dinâmica futura do narcotráfico no país.
O México tem sido um ponto estratégico para o tráfico de drogas, especialmente para os Estados Unidos. A ascensão de cartéis como o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) nas últimas décadas intensificou a violência e o desafio para as autoridades. O CJNG, que se expandiu a partir dos anos 2010, tornou-se uma das organizações mais poderosas do México, rivalizando com o Cartel de Sinaloa pela disputa de rotas internacionais, corredores logísticos e territórios. Essa rivalidade é apontada como um fator central da violência no país.
A operação que resultou na morte de El Mencho em fevereiro de 2026 exemplifica a complexidade e os riscos do combate ao narcotráfico. A ação foi desencadeada por informações de inteligência mexicanas e americanas, culminando em uma operação militar em Jalisco. A morte de El Mencho provocou represálias violentas por parte do CJNG, com bloqueios de vias, veículos incendiados, ataques a prédios públicos e emboscadas contra autoridades, resultando na morte de agentes do estado e suspeitos. A especialista em políticas sobre drogas, Gabriela de Luca, ressalta que a morte de líderes pode gerar instabilidade no curto prazo e disputas sucessórias no médio prazo, o que historicamente tem levado ao aumento da violência local e à reconfiguração do poder entre os cartéis. A incerteza sobre a sucessão de El Mencho levanta questões sobre como o cartel se reorganizará internamente e nas disputas com grupos rivais, podendo levar a um aumento da tensão e da violência.
O Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) surgiu como um braço armado local do poderoso Cartel de Sinaloa, com sua existência documentada pela primeira vez em 2007. Foi criado por Ignacio Coronel, "El Nacho", um dos principais operadores financeiros do Cartel de Sinaloa e associado de Joaquín "El Chapo" Guzmán. Inicialmente, sua missão era proteger as áreas de influência do grupo em Jalisco e combater rivais como Los Zetas, ganhando notoriedade como "Mata Zetas" devido à sua extrema violência. Em setembro de 2011, o grupo reivindicou a autoria de um massacre em Veracruz, marcando um ponto de virada em sua ascensão. Após a morte de "El Nacho" em 2010, Nemesio Oseguera Cervantes, "El Mencho", que fazia parte do Cartel do Milênio e havia sido policial em Jalisco antes de ser deportado dos EUA por tráfico de drogas, assumiu o controle. Ele liderou uma das facções resultantes da divisão do Cartel do Milênio, que se impôs e, anos depois, se tornou o CJNG. O cartel expandiu-se rapidamente, destronando grupos como os Cavaleiros Templários e expulsando os Zetas de territórios-chave, e aproveitou a crise interna do Cartel de Sinaloa após a extradição de "El Chapo" para disputar o mercado de drogas sintéticas.
O CJNG controla a maior parte do dinheiro, das armas, do contingente e das drogas no México, com ramificações que se estendem por todo o continente americano e presença em mais de 40 países. Seu principal negócio é o envio de heroína, cocaína, metanfetamina e fentanil para os Estados Unidos, além de comercializar anfetaminas na Europa e ter conexões com o tráfico de drogas na Ásia. O grupo não se limita ao narcotráfico, estando envolvido em esquemas de extorsão em regiões agrícolas e de mineração, e aproveita o boom econômico em setores como pecuária, agricultura e construção em Jalisco para lavar dinheiro. A violência extrema, o recrutamento de especialistas em finanças e química para a produção de drogas sintéticas, e a corrupção de autoridades locais e alfandegárias são fatores-chave para seu crescimento meteórico. O CJNG também se destaca por sua vasta operação de lavagem de dinheiro através de seu braço financeiro, "Los Cuinis", que utiliza redes chinesas de lavagem de dinheiro, corretoras de criptomoedas, contrabando de grandes quantias em dinheiro vivo e lavagem de dinheiro baseada no comércio para repatriar lucros ilícitos.
A morte de Nemesio Oseguera Cervantes, "El Mencho", levanta uma série de questões sobre a sucessão e o futuro do CJNG. Embora rumores sobre sua saúde e até mesmo sua morte já circulassem desde 2022, e alguns especialistas acreditem que ele já não estivesse diretamente à frente das operações, a ausência de sucessores claros dentro do cartel é uma grande incógnita. Seu filho, Rubén Oseguera González ("El Menchito"), considerado o segundo em importância, foi extraditado para os EUA em 2020, o que foi um duro golpe para a organização. El Mencho nunca permitiu que alianças ou células criminosas se fortalecessem o suficiente para desafiar seu poder central, o que torna a sucessão ainda mais incerta. Especialistas preveem que o período pós-morte será marcado por uma reorganização interna e disputas com grupos rivais, o que pode desencadear uma perigosa onda de violência no país. A história mostra que a "decapitação" de um cartel não significa sua extinção, mas sim uma reconfiguração de poder e, muitas vezes, um aumento da violência associada a essas transições.