Visão geral
O Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) é uma das organizações criminosas mais poderosas do México, com grande capacidade armada e controle de rotas estratégicas para o tráfico de drogas, especialmente na produção e exportação de drogas sintéticas. Fundado nos anos 2010, o CJNG expandiu-se rapidamente, consolidando-se como um ator central na violência relacionada ao narcotráfico no país. Sua rivalidade com o Cartel de Sinaloa é apontada como um dos principais fatores para a instabilidade recente no México. O governo dos Estados Unidos classifica o CJNG como uma organização terrorista. O CJNG controla a maior parte do dinheiro, das armas, do contingente e das drogas no México, com ramificações que se estendem por todo o continente americano e presença em mais de 40 países, segundo a DEA. Além do narcotráfico, o CJNG diversificou suas operações para incluir tráfico de pessoas, mineração ilegal de ouro e até mesmo a produção de abacate.
Contexto histórico e desenvolvimento
O Cartel Jalisco Nueva Generación emergiu e se expandiu significativamente a partir dos anos 2010, tornando-se uma das organizações de narcotráfico mais influentes do México. Sob a liderança de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, o cartel estabeleceu seu império no estado de Jalisco. A organização é conhecida por sua capacidade armada e pelo domínio na produção e exportação de drogas sintéticas, como o fentanil, para os Estados Unidos, além de comercializar anfetaminas na Europa e ter conexões com o tráfico de drogas na Ásia. A atuação do CJNG tem sido marcada por confrontos violentos, especialmente com seu principal rival, o Cartel de Sinaloa, pela disputa de rotas internacionais, corredores logísticos e territórios em diversos estados mexicanos. Essa rivalidade é um fator central para a violência no país.
O CJNG surgiu como um braço armado local do Cartel de Sinaloa, com sua existência documentada pela primeira vez em 2007. Foi criado por Ignacio Coronel, "El Nacho", um dos principais operadores financeiros do Cartel de Sinaloa, com a missão de proteger as áreas de influência do grupo em Jalisco. Inicialmente conhecido como "Mata Zetas" devido à sua brutalidade contra o grupo rival Los Zetas, o CJNG ganhou destaque em setembro de 2011, quando reivindicou a autoria de um massacre em Veracruz. Após a morte de "El Nacho" em 2010, "El Mencho", que fazia parte do Cartel do Milênio, assumiu o controle e rompeu com os antigos aliados do Sinaloa. O grupo deixou de ser uma quadrilha local para se tornar uma organização presente em mais da metade do território mexicano, destronando rivais como o Cartel dos Cavaleiros Templários e expulsando os Zetas de regiões estratégicas. O CJNG aproveitou a crise interna do Cartel de Sinaloa após a extradição de "El Chapo" Guzmán para disputar o mercado de drogas sintéticas, chegando a sequestrar filhos de "El Chapo" em Puerto Vallarta.
O crescimento meteórico do CJNG é atribuído a diversos fatores, incluindo a captura de líderes de cartéis rivais, o que levou à divisão ou extinção desses grupos, e o recrutamento de especialistas em finanças e químicos para a produção de drogas sintéticas. A extrema violência empregada pelo cartel também foi fundamental para sua expansão. Além do narcotráfico, o CJNG diversificou seus interesses, aproveitando o boom econômico em setores como pecuária, agricultura e construção em Jalisco para lavar dinheiro. O cartel também se destaca pelo seu poder de corrupção sobre autoridades locais e alfandegárias, facilitando a entrada de substâncias químicas para a fabricação de drogas sintéticas pelos portos do México. A extorsão de pequenas e médias empresas na região oeste do país também se tornou uma fonte de renda significativa. O grupo mantém uma vasta operação de lavagem de dinheiro por meio de seu braço financeiro, "Los Cuinis", liderado pelo cunhado de "El Mencho", Abigael Sánchez Valencia, utilizando redes chinesas de lavagem de dinheiro, corretoras de criptomoedas, contrabando de dinheiro em espécie e lavagem de dinheiro baseada no comércio. Mais recentemente, o CJNG expandiu suas atividades criminosas para incluir tráfico de pessoas, mineração ilegal de ouro e a produção de abacate.
Em fevereiro de 2026, uma operação militar conjunta entre as autoridades mexicanas e informações de inteligência dos Estados Unidos resultou na morte de El Mencho. A operação foi desencadeada após a localização de um associado de confiança de uma das parceiras do narcotraficante em Tapalpa, Jalisco. No dia 22 de fevereiro, as forças especiais mexicanas tentaram prendê-lo, que conseguiu fugir inicialmente após um intenso tiroteio. Ele foi posteriormente localizado em uma área de vegetação e, em um segundo confronto, foi gravemente ferido. El Mencho faleceu durante o transporte para um centro médico. A morte do líder do CJNG provocou uma onda de violência e represálias em 20 dos 31 estados do México, com bloqueios de vias, veículos incendiados, ataques a edifícios públicos e emboscadas contra autoridades, resultando na morte de 27 agentes do estado e 30 suspeitos do cartel. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o governo Trump elogiaram a cooperação e o sucesso da operação.
Após a morte de El Mencho, a onda de violência se intensificou. Uma das lideranças do cartel, conhecida como "El Tuli", ordenou bloqueios em estradas, incêndios e ataques contra prédios públicos em Jalisco. Mais de 70 pessoas morreram, incluindo 25 membros da Guarda Nacional. O cartel chegou a oferecer recompensa de 20 mil pesos (cerca de R$ 6 mil) pela morte de militares. Em resposta à escalada da violência, o governo mexicano anunciou em 23 de fevereiro o envio de mais 2 mil soldados para o estado de Jalisco. Moradores e turistas foram orientados a permanecer em casa, companhias aéreas cancelaram voos para Puerto Vallarta e escolas e universidades suspenderam aulas em Jalisco e outros estados. A cidade turística de Puerto Vallarta, em Jalisco, que antes havia permanecido relativamente ilesa da violência do narcotráfico, tornou-se palco de intensos confrontos, com mais de 200 veículos incendiados, cerca de 40 estabelecimentos vandalizados e a fuga de 23 presos de uma penitenciária local. Turistas canadenses e americanos ficaram retidos devido aos cancelamentos de voos, e a situação foi descrita por moradores e visitantes como uma "zona de guerra", gerando preocupações sobre o impacto negativo na imagem e economia local. A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que a situação deveria se normalizar até 24 de fevereiro, enquanto o ministro da Segurança, Omar García Harfuch, declarou que possíveis sucessores de El Mencho estavam sendo monitorados, e as autoridades acompanhavam o risco de novos ataques do CJNG ou de grupos rivais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cobrou publicamente que o México intensificasse os esforços contra cartéis e drogas. Especialistas preveem que a morte de "El Mencho" desencadará um período de reorganização e uma potencial onda de violência, com incertezas sobre a sucessão e o risco de lutas internas pelo poder, bem como a reação de grupos rivais.
Consequências da morte de 'El Mencho'
A morte de Nemesio Oseguera Cervantes em 22 de fevereiro de 2026, embora simbolicamente significativa, não deve resultar em uma redução substancial da violência ou do tráfico de drogas no México, segundo especialistas. A complexidade da estrutura do CJNG e a resiliência dos cartéis, que frequentemente se preparam para a perda de seus líderes, sugerem que a organização continuará suas operações. Exemplos anteriores, como a sobrevivência do Cartel de Sinaloa após as prisões de "El Chapo" Guzmán, corroboram essa visão. A professora Annette Idler, da Universidade de Oxford, destaca que a "cadeia de suprimentos ainda existe" e que os cartéis estão profundamente inseridos econômica e socialmente na sociedade mexicana, oferecendo oportunidades de emprego e sustento para as populações locais. Jennifer Scotland, especialista em crime organizado do Royal United Services Institute, aponta que o CJNG provavelmente já havia feito planos para a sucessão de "El Mencho", que era alvo das autoridades há anos.
As retaliações violentas do CJNG, que se espalharam por 20 estados mexicanos, incluindo a Cidade do México e a cidade turística de Puerto Vallarta, após a morte de seu líder, demonstram a capacidade do cartel de reagir e a fragilidade da segurança. Esses ataques, que incluem bloqueios de estradas, incêndios criminosos, ataques à infraestrutura e vandalismo em estabelecimentos comerciais, são respostas típicas de grupos do crime organizado em protesto contra ações de repressão do Estado. Em Puerto Vallarta, a violência resultou em mais de 200 veículos incendiados, cerca de 40 estabelecimentos vandalizados e a fuga de 23 presos de uma penitenciária local, impactando severamente o turismo e a vida local. Há uma preocupação crescente com possíveis lutas internas pela sucessão dentro do CJNG, o que poderia levar a uma escalada ainda maior da violência. Além disso, a morte de El Mencho pode encorajar cartéis rivais, como o Cartel de Sinaloa, a tentar retomar o controle territorial em áreas disputadas, aproveitando qualquer sinal de fraqueza do CJNG. A situação levanta questões sobre a eficácia da "abordagem de decapitação" adotada pelo governo mexicano, que, segundo a professora Idler, não aborda a estrutura criminosa fundamental nem a demanda por drogas nos países ocidentais, como os Estados Unidos.
Linha do tempo
- 2007: A existência do CJNG é documentada pela primeira vez como um braço armado do Cartel de Sinaloa.
- Anos 2010: O Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) inicia sua expansão e consolidação como uma das principais organizações criminosas do México.
- 2010: Morte de Ignacio Coronel, "El Nacho", abrindo caminho para "El Mencho" assumir o controle do grupo.
- Setembro de 2011: O grupo "Mata Zetas", precursor do CJNG, ganha destaque ao reivindicar a autoria de um massacre em Veracruz.
- Desde 2016: El Mencho, líder do CJNG, é incluído na lista de fugitivos mais procurados pelos EUA, com uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem à sua captura, e 30 milhões de pesos no México.
- 2020: Rubén Oseguera González, "El Menchito", filho de "El Mencho" e considerado o segundo em importância no CJNG, é extraditado do México para os EUA.
- 20 de fevereiro de 2026: Inteligência militar mexicana localiza um associado de confiança de uma das parceiras de El Mencho, que o leva a uma instalação em Tapalpa, Jalisco.
- 21 de fevereiro de 2026: A preparação para a operação que mataria El Mencho começa, com investigadores descobrindo o paradeiro do criminoso após a namorada dele visitar o imóvel em Tapalpa. O Exército envia tropas à região em uma operação sigilosa.
- 22 de fevereiro de 2026: Operação militar para prender El Mencho. Após dois tiroteios, El Mencho é gravemente ferido e falece durante o transporte para um centro médico. Onda de violência e represálias do CJNG em 20 dos 31 estados do México, com bloqueios, veículos incendiados e ataques, resultando em dezenas de mortos, incluindo 25 membros da Guarda Nacional. O cartel oferece recompensa pela morte de militares. Os ataques se espalham por 20 estados mexicanos, incluindo a capital, Cidade do México, e a cidade turística de Puerto Vallarta, onde mais de 200 veículos são incendiados, cerca de 40 estabelecimentos são vandalizados e 23 presos fogem de uma penitenciária local.
- 23 de fevereiro de 2026: O México amanhece sem mais distúrbios significativos, segundo a presidente Claudia Sheinbaum. O governo mexicano anuncia o envio de mais 2 mil soldados para o estado de Jalisco para conter a violência. Moradores e turistas são orientados a permanecer em casa, voos são cancelados e aulas suspensas em Jalisco e outros estados. O prefeito de Puerto Vallarta informa sobre os danos na cidade.
- 24 de fevereiro de 2026: A situação deve se normalizar, e os voos podem ser retomados, segundo a presidente Claudia Sheinbaum. Especialistas alertam que a morte de El Mencho não reduzirá a violência ou o tráfico de drogas, e preveem lutas internas e incursões de cartéis rivais. Turistas retidos em Puerto Vallarta devido aos cancelamentos de voos.
Principais atores
- Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG): Organização criminosa mexicana, foco da página.
- Nemesio Oseguera Cervantes (El Mencho): Líder do CJNG, morto em operação militar. Sua história inclui ter sido policial em Jalisco e ter sido deportado dos EUA por tráfico de drogas antes de ascender na hierarquia do narcotráfico.
- Rubén Oseguera González (El Menchito): Filho de El Mencho, considerado o segundo em importância no CJNG, extraditado para os EUA em 2020.
- Abigael Sánchez Valencia: Cunhado de El Mencho e líder de "Los Cuinis", o braço financeiro do CJNG responsável pela lavagem de dinheiro.
- "El Tuli": Liderança do CJNG que ordenou bloqueios e ataques após a morte de El Mencho.
- Cartel de Sinaloa: Principal rival do CJNG na disputa por rotas e territórios de tráfico.
- Los Zetas: Grupo rival inicial do CJNG, combatido pelos "Mata Zetas".
- Cartel do Milênio (Cartel dos Valencia): Grupo ao qual "El Mencho" pertencia antes de liderar o CJNG.
- Ignacio Coronel ("El Nacho"): Um dos fundadores do CJNG, inicialmente um braço armado do Cartel de Sinaloa.
- Governo do México: Liderado pela presidente Claudia Sheinbaum, responsável pela operação militar e pelo envio de reforços.
- Forças Armadas Mexicanas: Executaram a operação que resultou na morte de El Mencho e reforçaram a segurança.
- Serviços de Inteligência dos Estados Unidos (EUA): Forneceram informações adicionais para a localização de El Mencho.
- Donald Trump: Presidente dos EUA, cujo governo classificou o CJNG como organização terrorista e elogiou a operação, cobrando mais esforços do México.
- Ricardo Trevilla: General e secretário de Defesa Nacional da presidência do México, que detalhou a operação.
- Gabriela de Luca: Advogada especialista em políticas sobre drogas, que comentou sobre a atuação e os possíveis desdobramentos da morte de El Mencho.
- Omar García Harfuch: Ministro da Segurança do México, que monitora possíveis sucessores de El Mencho.
- David Mora: Analista sênior do International Crisis Group e pesquisador sobre crime organizado, que comentou sobre a reorganização do CJNG e a incerteza da sucessão.
- Annette Idler: Especialista em segurança global da Blavatnik School of Government da Universidade de Oxford, que comentou sobre a resiliência dos cartéis e a "abordagem de decapitação".
- Jennifer Scotland: Especialista em crime organizado do Royal United Services Institute, que comentou sobre a preparação dos cartéis para a sucessão de líderes.
- Luis Ernesto Munguía: Prefeito de Puerto Vallarta, que informou sobre os danos na cidade após a onda de violência.
Termos importantes
- Narcotráfico: Comércio ilegal de drogas, atividade principal do CJNG.
- Fentanil: Droga sintética potente, cuja produção e tráfico são dominados pelo CJNG.
- Operação militar: Ação coordenada das forças armadas para combater o crime organizado.
- Represálias: Atos de vingança ou retaliação, como os desencadeados pelo CJNG após a morte de El Mencho.
- Disputas sucessórias: Conflitos internos pela liderança de uma organização, risco apontado após a morte de El Mencho.
- Lavagem de dinheiro: Processo de ocultar a origem ilegal de fundos, praticado pelo CJNG através de "Los Cuinis" e outros métodos, incluindo criptomoedas.
- Extorsão: Prática de obter dinheiro ou bens por meio de ameaça ou intimidação, uma das fontes de renda do CJNG.
- Criptomoedas: Moedas digitais descentralizadas, utilizadas pelo CJNG para lavagem de dinheiro.
- Tráfico de pessoas: Atividade criminosa que envolve o transporte e exploração de indivíduos, uma das diversificações do CJNG.
- Mineração ilegal de ouro: Exploração clandestina de recursos minerais, outra diversificação das operações do CJNG.
- Abordagem de decapitação: Estratégia governamental de combater organizações criminosas visando a captura ou morte de seus líderes.
- Puerto Vallarta: Cidade turística em Jalisco que foi afetada por uma onda de violência e vandalismo após a morte de El Mencho.
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