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Mercado chinês de microdramas cria licenciamento de rostos para IA

Plataformas na China pagam até US$ 700 para licenciar rostos humanos, visando suprir a alta demanda por produções de microdramas geradas por IA.

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17/09 às 13:42

Pontos principais

  • Mais de 95% dos 128 mil microdramas lançados na China no primeiro trimestre de 2026 utilizaram tecnologia de IA.
  • Plataformas como a ActID conectam produtores a pessoas dispostas a licenciar sua imagem por valores entre US$ 15 e US$ 700.
  • O custo de produção de um microdrama com IA é de cerca de 200 mil yuans, menos da metade dos 500-600 mil yuans necessários para elencos reais.
  • O Tribunal de Internet de Guangzhou registrou aproximadamente 700 casos de uso indevido de imagem por IA nos últimos três anos.
  • A ByteDance removeu mais de 85 mil vídeos desde o início de 2026 por uso não autorizado de rostos e vozes de terceiros.
  • Especialistas alertam que contratos de licenciamento costumam ser vagos, dificultando o controle sobre o uso futuro dos dados biométricos.

O boom dos microdramas na China, um setor multibilionário de vídeos verticais, impulsionou a criação de um mercado de licenciamento de rostos para alimentar modelos de inteligência artificial. Empresas como a ActID e a New Claw atuam como intermediárias, permitindo que produtores escolham perfis específicos em catálogos digitais, oferecendo uma alternativa mais barata e diversificada do que a contratação de atores tradicionais ou o uso de personagens puramente sintéticos.

Apesar da tentativa de formalizar o setor, a prática levanta preocupações jurídicas e éticas significativas. Embora a legislação chinesa exija consentimento para o processamento de dados biométricos, advogados alertam que a natureza dos contratos de licenciamento pode levar à perda de controle sobre a identidade digital do indivíduo a longo prazo. O cenário reflete um desafio crescente para a governança de IA, onde a fronteira entre o uso comercial autorizado e a exploração indevida de dados pessoais permanece em disputa.

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