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Justiça dos EUA anula punição do governo Trump contra Anthropic

Juíza federal considerou ilegal a classificação da Anthropic como risco à cadeia de suprimentos, apontando retaliação inconstitucional do governo.

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Foto: Politico Technology
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27/08 às 23:02, atualizado 28/08 às 13:03

Pontos principais

  • A juíza distrital Rita F. Lin, da Califórnia, concedeu julgamento sumário favorável à Anthropic.
  • O governo Trump e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, haviam rotulado a empresa como risco à cadeia de suprimentos em fevereiro e março de 2026.
  • A decisão judicial concluiu que as ações governamentais violaram a Primeira e a Quinta Emendas da Constituição dos EUA.
  • O tribunal classificou a medida como uma forma de retaliação ilegal contra a fala protegida da empresa.
  • A corte determinou que o governo agiu de forma arbitrária e excedeu sua autoridade legal sob o estatuto 10 U.S.C. § 3252.
  • O banimento impedia agências federais de utilizar produtos da Anthropic e proibia contratados de defesa de manter negócios com a startup.
  • Um segundo processo movido pela empresa contra o Pentágono permanece em tramitação em Washington.

A Justiça federal dos Estados Unidos proferiu uma decisão histórica contra a administração do presidente Donald Trump, ao anular a classificação da startup de inteligência artificial Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos. Em acórdão assinado pela juíza distrital Rita F. Lin, do Distrito Norte da Califórnia, o tribunal determinou que as sanções impostas pelo governo e pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth, foram ilegais e careciam de fundamento jurídico. A medida, que restringia o uso de tecnologias da empresa por órgãos federais e proibia contratados de defesa de estabelecer parcerias comerciais com a companhia, foi classificada como uma retaliação inconstitucional. Segundo a magistrada, o governo violou tanto a Primeira Emenda, ao punir a empresa por sua fala, quanto a Quinta Emenda, ao desrespeitar o devido processo legal. A decisão aponta que as ações foram arbitrárias e excederam a autoridade conferida ao Departamento de Guerra sob o estatuto 10 U.S.C. § 3252. O conflito jurídico teve origem em divergências sobre o uso de modelos de IA em campos de batalha e a recusa da empresa em alinhar suas diretrizes de segurança aos interesses militares do Pentágono. A sentença representa uma vitória significativa para a Anthropic, que buscava reverter o impacto das sanções sobre suas operações governamentais. Embora este caso tenha sido decidido na Califórnia, a empresa ainda enfrenta um segundo processo judicial em Washington, que discute outros aspectos da disputa com o setor militar. A decisão de agora, contudo, estabelece um precedente importante sobre os limites da autoridade do Executivo ao utilizar rótulos de segurança nacional para restringir empresas de tecnologia no mercado federal.

Fonte primária

U.S. District Court for the Northern District of California / Rita F. Lin, U.S. District Judge

Order on Cross Motions for Summary Judgment; Granting Motion to Supplement the Administrative Record — Anthropic PBC v. U.S. Department of War et al., No. 3:26-cv-01996-RFL (N.D. Cal.)

A juíza Rita F. Lin concede julgamento sumário à Anthropic na maior parte das disputas contra o governo Trump. A corte considera que a designação da Anthropic como "supply chain risk" por Trump (27/fev/2026) e pelo secretário de Guerra Pete Hegseth (3/mar/2026) — que baniu agências federais de usar produtos da Anthropic e proibiu contratados de defesa de fazer negócios com a empresa — constituiu retaliação ilegal contra fala protegida pela Primeira Emenda, violou o devido processo (Quinta Emenda) e foi arbitrária e caprichosa sob a APA, excedendo a autoridade de Hegseth sob 10 U.S.C. § 3252. A decisão registra que o próprio memorando do governo (do subsecretário Michael) reconhece que a Anthropic não tem acesso indevido ("backdoor") a sistemas de segurança nacional e que sua tecnologia não é mais arriscada que qualquer outro modelo de IA "caixa-preta"; o único fator citado pelo governo foi "desconfiança" motivada pelas críticas públicas da Anthropic às políticas de IA militar. A corte nega o pedido do governo de suspender a injunção permanente por 7 dias para recurso, concluindo que o Departamento de Guerra não demonstrou dano irreparável após cinco meses cumprindo a liminar anterior. Julgamento sumário é negado quanto ao pedido de separação de poderes (ultra vires) e quanto a réus que não participaram das ações contestadas.

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