Jovens em acolhimento se automutilam para evitar alta institucional
Pesquisa revela que menores em sistemas de proteção recorrem à automutilação para não perderem suporte terapêutico ao atingirem a maioridade.
Pontos principais
- Jovens vulneráveis praticam automutilação como estratégia para permanecer no sistema de acolhimento.
- O comportamento é motivado pelo medo de perder o suporte assistencial ao completar 18 anos ou apresentar melhora clínica.
- A psicoterapeuta Abi Booth classificou o fenômeno como uma situação catastrófica para o desenvolvimento desses jovens.
- O estudo destaca a fragilidade das políticas de transição para a vida adulta no sistema de proteção social.
Uma nova pesquisa aponta que jovens inseridos em sistemas de acolhimento estão recorrendo à automutilação como forma de evitar a interrupção de seus tratamentos e suporte institucional. O comportamento, segundo especialistas, é uma resposta direta ao medo de perder o auxílio terapêutico ao atingirem a maioridade ou ao demonstrarem sinais de melhora clínica, o que frequentemente resulta em alta do sistema. A psicoterapeuta Abi Booth descreveu o cenário como catastrófico, ressaltando que a necessidade de manter o suporte supera a própria integridade física dos jovens. Esse fenômeno evidencia uma falha crítica nas políticas de transição para a vida adulta, onde a retirada do apoio estatal é percebida pelos jovens como uma forma de abandono, forçando-os a manter estados de vulnerabilidade para garantir a continuidade do cuidado necessário.
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