Estudo revela por que cérebros humanos resistem à decomposição
Pesquisadores descobriram que ambientes com pouco oxigênio transformam a decomposição cerebral em um processo de estabilização molecular.
Pontos principais
- Mais de 4.400 cérebros antigos foram encontrados preservados, alguns com até 12 mil anos de idade.
- Em mais de 1.300 casos arqueológicos, o cérebro foi o único tecido mole a sobreviver no esqueleto.
- O estudo analisou 1,26 milhão de trajetórias de degradação de peptídeos em cérebros de camundongos.
- Ambientes úmidos e com baixo oxigênio (hipóxicos) impedem a destruição total das proteínas.
- A preservação ocorre através da formação de ligações cruzadas entre proteínas, criando redes estáveis.
- Peptídeos com estruturas em folha-beta e aminoácidos específicos atuam como escudos químicos contra a degradação.
- As reações oxidativas, que normalmente destroem tecidos, podem gerar estabilidade molecular sob condições restritas.
Uma pesquisa publicada no Journal of Proteome Research, liderada por cientistas da Universidade de Oxford, identificou o mecanismo químico que permite a preservação de cérebros humanos por milênios. O estudo demonstra que, em ambientes encharcados e com escassez de oxigênio, como pântanos ou sepulturas inundadas, o processo de decomposição é alterado. Em vez de se degradarem completamente, as proteínas cerebrais formam estruturas altamente resistentes através de ligações cruzadas oxidativas.
Os pesquisadores observaram que a presença de metais e a abundância de membranas celulares no cérebro facilitam a criação de agregados insolúveis. Esses peptídeos, ricos em estruturas de folha-beta, resistem ao ataque de enzimas e microrganismos. O achado desafia a ideia de que a preservação é um evento raro, sugerindo que ela ocorre como uma via química específica onde as mesmas reações que degradam tecidos em condições normais acabam por estabilizar a estrutura cerebral em ambientes hipóxicos.
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