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Nova York processa Kalshi por apostas ilegais e CFTC intervém

A Procuradoria-Geral de Nova York acionou a plataforma Kalshi por operar jogos de azar sem licença, gerando uma moção de emergência da agência federal CFTC contra a medida estadual.

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Foto: Cnbc
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31/07 às 07:02 · atualizado 18:04

Pontos principais

  • A Procuradoria-Geral de Nova York acusa a Kalshi de operar uma casa de apostas ilegal sem licença estadual.
  • O estado busca indenizações que podem superar US$ 36 bilhões, além de multas por contrato oferecido.
  • A CFTC entrou com uma moção de emergência em tribunal federal para bloquear a ação de Nova York.
  • O regulador federal alega que a iniciativa estadual configura um excesso de autoridade sobre mercados federais.
  • A Kalshi defende que, por ser uma bolsa licenciada em nível federal, não está sujeita às leis estaduais de apostas.
  • O processo aponta riscos financeiros a usuários, incluindo menores de 21 anos, na plataforma de previsões.
  • A disputa judicial coloca em xeque a jurisdição sobre o crescente mercado de contratos de eventos futuros nos EUA.

A Procuradoria-Geral de Nova York, liderada por Letitia James, abriu um processo judicial contra a plataforma de mercados de previsão Kalshi, sob a alegação de que a empresa opera um serviço de apostas ilegal e não licenciado no estado. Segundo a acusação, a plataforma permite que usuários apostem em resultados de eventos futuros, o que, na visão das autoridades estaduais, enquadra-se na definição de jogo de azar. O estado exige o confisco de ganhos, restituição aos consumidores e multas que, somadas, podem ultrapassar a marca de US$ 36 bilhões. A governadora Kathy Hochul reforçou que a empresa nunca obteve a devida autorização da New York State Gaming Commission para atuar no território.

Em resposta imediata, a Commodity Futures Trading Commission (CFTC), agência reguladora federal responsável pela supervisão de derivativos nos Estados Unidos, protocolou uma moção de emergência em um tribunal federal de Manhattan. A agência argumenta que a tentativa de Nova York de regular a plataforma constitui uma extrapolação de autoridade, causando danos irreparáveis aos mercados que estão sob jurisdição federal. A Kalshi, por sua vez, manifestou desapontamento com a ação estadual, sustentando que, como uma bolsa licenciada federalmente, não pode ter suas operações encerradas por regulamentações estaduais.

O conflito jurídico destaca a crescente tensão regulatória em torno dos mercados de previsão, que permitem apostas em eventos reais. Enquanto o estado de Nova York busca proteger consumidores e aplicar leis locais de apostas, a CFTC defende a integridade de sua competência regulatória sobre contratos financeiros. Este embate ocorre em um momento em que a Kalshi tenta expandir sua presença no mercado americano, contando com o apoio da administração do presidente Donald Trump para o desenvolvimento de novos produtos financeiros baseados em eventos futuros. O desfecho deste caso deverá estabelecer um precedente importante para a legalidade e a supervisão de plataformas similares em todo o país.

Fonte primária

U.S. District Court for the Southern District of New York / CFTC-DOJ

United States & CFTC v. State of New York, No. 1:26-cv-03404 (S.D.N.Y.) — Motion for Temporary Restraining Order, ECF No. 119 (filed 30 jul 2026)

Na própria ação que o CFTC e o Departamento de Justiça já moviam contra Nova York desde abril (buscando declaração de que a jurisdição federal sobre contratos de eventos é exclusiva), os autores protocolaram em 30/7 uma moção de emergência por temporary restraining order (ECF 119), horas antes de a procuradora-geral Letitia James ajuizar a ação estadual de US$ 36 bi contra a Kalshi. A ordem proposta (ECF 119-1) pede que o juiz determine: (1) que EUA e CFTC têm pedido pendente de liminar (Dkt. 34) para impedir Nova York de aplicar lei estadual potencialmente preemptada contra registrados do CFTC; (2) que, sem a TRO, o estado está livre para aplicar suas leis de jogo contra Designated Contract Markets regulados pelo CFTC; (3) que EUA e CFTC não têm remédio legal adequado; e (4) que o balanço de equidades favorece a concessão. Caso deferida, a ordem impediria Nova York de mover ou prosseguir com ações criminais ou civis — incluindo o litígio já em curso contra qualquer DCM ou Futures Commission Merchant registrado no CFTC — até que o tribunal decida a moção de liminar (Dkt. 34). O pedido é o quarto round da disputa: Kalshi já havia sido negada em pedido de liminar (7/7) e de tutela de emergência (27/7) pela juíza Analisa Torres, e teve negado alívio administrativo temporário pelo 2º Circuito (29/7).

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