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Banco da Inglaterra mantém juros em 3,75% sob incerteza geopolítica

O Banco da Inglaterra manteve a taxa de juros em 3,75%, com a vice-governadora Clare Lombardelli reforçando a decisão como necessária diante da volatilidade.

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Foto: InfoMoney
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29/07 às 23:45 · atualizado 30/07 às 10:16

Pontos principais

  • O Banco da Inglaterra (BoE) manteve a taxa de juros em 3,75% após votação de 6 a 3.
  • A vice-governadora Clare Lombardelli defendeu a manutenção da taxa, classificando a decisão como clara e necessária.
  • A decisão reflete a cautela do comitê diante das tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã.
  • Três membros do comitê votaram a favor de um aumento para 4%, citando preocupações inflacionárias.
  • A volatilidade nos preços globais de energia permanece como um risco central para a estabilidade de preços.
  • A inflação britânica deve atingir 3,2% até o final do ano, superando a meta de 2% até 2028.
  • O presidente do BoE, Andrew Bailey, defendeu a manutenção da taxa para evitar choques em um cenário de incerteza global.

O Banco da Inglaterra (BoE) decidiu manter a taxa básica de juros em 3,75% durante sua última reunião de política monetária. A decisão, aprovada por uma margem de 6 votos a 3, demonstra a postura cautelosa da autoridade monetária frente a um cenário global marcado por instabilidades geopolíticas, especificamente o agravamento das tensões entre os Estados Unidos e o Irã. O resultado da votação superou as expectativas de mercado, que previam uma divisão de 7 a 2, evidenciando uma divergência interna sobre a necessidade de um aperto monetário mais agressivo.

Após o anúncio, a vice-governadora do BoE, Clare Lombardelli, reforçou a posição da instituição em coletiva de imprensa em Londres. Lombardelli afirmou que a decisão de manter as taxas inalteradas não foi um julgamento difícil ou incerto, mas sim a medida correta para o momento econômico atual. A fala da vice-governadora busca alinhar a comunicação do comitê e tranquilizar o mercado sobre a estratégia de controle de preços adotada pela autoridade monetária.

Embora os dados internos indiquem que as pressões inflacionárias no Reino Unido estão cedendo mais rapidamente do que o esperado, o comitê optou por não realizar ajustes. A volatilidade nos preços globais de energia, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio, foi citada como um fator de risco determinante. O presidente do banco, Andrew Bailey, reforçou que a prioridade é a prudência, dado que a inflação ainda deve permanecer acima da meta de 2% até 2028, com projeções de atingir 3,2% até o final deste ano.

A decisão ocorre em um momento de pressão sobre o custo de vida no país, com o governo do primeiro-ministro Andy Burnham buscando implementar medidas de alívio, como a eliminação de impostos sobre contas de energia. O mercado financeiro segue monitorando as sinalizações do BoE, que indicou prontidão para ajustar a política monetária conforme a evolução dos dados. A postura de 'tom duro' adotada pelo banco visa ancorar as expectativas inflacionárias enquanto o país equilibra o controle de preços com a fragilidade do cenário internacional.

Fonte primária

Bank of England

Bank Rate maintained at 3.75% - July 2026 Monetary Policy Summary and Minutes

Na reunião encerrada em 29 de julho de 2026, o Comitê de Política Monetária (MPC) do Banco da Inglaterra votou por maioria de 6 a 3 para manter a Bank Rate em 3,75%. Três membros (Megan Greene, Catherine L Mann e Huw Pill) votaram por elevar a taxa em 0,25 p.p., para 4%, citando risco de efeitos de segundo turno da inflação e o fato de a inflação estar acima da meta há mais de cinco anos. A maioria justificou a manutenção pelo aperto significativo das condições financeiras já ocorrido desde o início do conflito no Oriente Médio, considerado suficiente seguro contra os riscos de alta vindos da volatilidade dos preços de energia. O texto observa que a inflação ao consumidor (CPI) caiu para 2,6% desde a reunião anterior, mas deve subir ainda este ano com a passagem dos preços de energia mais altos; o petróleo Brent e o gás natural britânico seguiam bem acima dos níveis pré-conflito (US$ 84/barril e 136 pence/therm em 28 de julho). O comitê afirma haver pouca evidência até agora de efeitos de segundo turno relevantes em preços e salários, com sinais de desinflação subjacente e mercado de trabalho frouxo, mas julga que os riscos para a inflação estão inclinados para cima em relação à projeção central do Relatório de Política Monetária de julho. O MPC reafirma que está pronto para agir conforme necessário para garantir que a inflação retorne à meta de 2% no médio prazo.

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