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Johnson & Johnson oferece US$ 5,5 bilhões para encerrar processos sobre talco

A empresa propôs um acordo de US$ 5,5 bilhões para resolver cerca de 69 mil ações judiciais que associam seus produtos à base de talco ao câncer de ovário.

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Foto: Folha de São Paulo - Mercado
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27/07 às 22:02 · atualizado 28/07 às 09:03

Pontos principais

  • O acordo totaliza US$ 5,5 bilhões, valor equivalente a aproximadamente R$ 28,1 bilhões.
  • A proposta visa encerrar cerca de 69 mil processos judiciais pendentes nos Estados Unidos.
  • Os demandantes alegam que o talco da marca estaria contaminado e ligado ao desenvolvimento de câncer de ovário.
  • A Johnson & Johnson nega as acusações e mantém que seus produtos são seguros e livres de amianto.
  • Para ser efetivado, o acordo exige a adesão de escritórios de advocacia que representam 95% dos casos.
  • A empresa descontinuou a venda de talco para bebês à base de talco mineral globalmente em 2022.
  • O pagamento do montante seria distribuído ao longo dos próximos anos, com início previsto entre 2026 e 2027.
  • A resolução busca mitigar riscos legais e financeiros de longo prazo para a companhia.
  • A farmacêutica afirma que o acordo permitirá focar no desenvolvimento de novos medicamentos e dispositivos médicos.
  • Apesar da proposta, a empresa ainda enfrenta litígios em outras jurisdições, como um processo coletivo no Reino Unido.

A Johnson & Johnson anunciou uma proposta de acordo de US$ 5,5 bilhões para encerrar a vasta maioria dos processos judiciais movidos nos Estados Unidos, que alegam que seus produtos à base de talco estariam associados ao desenvolvimento de câncer de ovário. A medida, que abrange cerca de 69 mil ações, representa uma tentativa estratégica da companhia de resolver um passivo jurídico que se arrasta por mais de uma década e que tem impactado significativamente sua imagem de mercado e operações financeiras. A empresa, contudo, continua a negar as alegações, reiterando que seus produtos são seguros e não contêm amianto. A oferta de US$ 5,5 bilhões, que equivale a cerca de R$ 28,1 bilhões, está condicionada à aceitação por parte dos escritórios de advocacia que representam 95% dos demandantes envolvidos. Caso o acordo seja ratificado, o pagamento será diluído ao longo dos próximos anos, com o cronograma de desembolso previsto para iniciar entre 2026 e 2027. A resolução é vista como um passo fundamental para que a farmacêutica possa encerrar as incertezas jurídicas que cercam o tema e concentrar seus recursos no desenvolvimento de novos medicamentos e dispositivos médicos. A crise envolvendo o talco mineral levou a empresa a descontinuar a venda do produto para bebês em escala global em 2022, substituindo-o por versões à base de amido de milho. Embora o acordo atual resolva a maior parte das pendências nos tribunais americanos, a Johnson & Johnson ainda lida com desafios legais em outras regiões, incluindo um processo coletivo iniciado no Reino Unido em 2025, o que demonstra que, apesar do avanço, a empresa ainda enfrenta um cenário de litígios complexo em nível internacional.

Fonte primária

Johnson & Johnson

Johnson & Johnson Announces a Proposed Resolution of Ovarian Talc Litigation

J&J anuncia acordo para resolução abrangente do litígio remanescente sobre talco e ovário, com os escritórios que lideram a Multi-District Litigation (MDL) federal e processos estaduais correlatos. O acordo é condicionado à participação expressa de pelo menos 95% das reivindicações remanescentes (cerca de 76.000 casos de câncer de ovário). Prevê pagamentos por reivindicação individual, com compromisso total de US$ 5,5 bilhões pela empresa: primeiro pagamento de no máximo US$ 3 bilhões em 2027, sem pagamentos adicionais antes de 2028. A empresa enquadra o acordo como decorrente de uma decisão favorável da corte da MDL, que teria confirmado a incapacidade dos autores de provar causalidade específica entre o talco e o câncer de ovário de qualquer reclamante individual — os autores retiraram seus peritos sobre o tema em dois casos-piloto (bellwether) após audiência que, segundo a J&J, expôs metodologia científica não confiável. Erik Haas, VP Mundial de Litígios da J&J, é citado dizendo que a corte colocou os autores em posição insustentável e que a empresa está confiante que prevaleceria em litígio adicional, mas opta pelo acordo para encerrar o caso. A J&J reafirma que estudos mostram que o talco é seguro, não contém amianto e não causa câncer, e cita que já resolveu ~95% das ações de mesotelioma, todas as reivindicações estaduais de proteção ao consumidor e todas as disputas com fornecedores de talco. Descontinuou o JOHNSON'S Baby Powder à base de talco globalmente em 2023 e reteve todos os passivos relacionados a talco após separar o Kenvue em agosto de 2023.

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