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Demissão de ministro da Defesa da Ucrânia gera protestos e crise interna

A destituição de Mykhailo Fedorov, líder do programa de drones, provocou manifestações populares e críticas diretas à gestão militar de Zelenskyy.

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Foto: NYTimes World
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16/07 às 06:01 · atualizado 17:32

Pontos principais

  • O presidente Volodymyr Zelenskyy demitiu o ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, durante uma reforma ministerial.
  • Fedorov era amplamente reconhecido por liderar a modernização das Forças Armadas e o uso estratégico de drones.
  • Milhares de ucranianos foram às ruas em diversas cidades para protestar contra a decisão do governo.
  • Em um vídeo gravado antes de sua saída, Fedorov criticou publicamente o comando militar por bloquear reformas.
  • A instabilidade política foi agravada pela renúncia do vice-comandante da Força Aérea em sinal de descontentamento.
  • A demissão ocorre em um momento crítico de negociações internacionais para a aquisição de drones e mísseis Patriot.
  • Analistas alertam que a divergência interna pode afetar a coesão das forças de defesa ucranianas no conflito contra a Rússia.

A demissão de Mykhailo Fedorov do cargo de ministro da Defesa da Ucrânia desencadeou uma onda de instabilidade política e protestos populares em todo o país. Fedorov, figura central na estratégia de modernização militar ucraniana, era amplamente elogiado por sua atuação no desenvolvimento e implementação de tecnologias de drones, que se tornaram um pilar fundamental na resistência contra as forças russas. A decisão de Zelenskyy, parte de uma reestruturação mais ampla no governo, foi recebida com forte resistência por parte da população e de setores das Forças Armadas. Em um gesto raro de dissidência, o vice-comandante da Força Aérea renunciou ao cargo em protesto contra as mudanças no alto escalão. Antes de deixar o posto, Fedorov utilizou as redes sociais para realizar uma crítica contundente à liderança militar do país, acusando o comando de obstruir reformas estruturais necessárias para a eficiência do esforço de guerra. Este desafio público expôs tensões internas que, até então, eram mantidas sob controle, revelando divergências estratégicas sobre a condução das operações militares. A saída de um dos nomes mais populares do gabinete ocorre em um momento particularmente sensível, no qual a Ucrânia busca consolidar negociações estratégicas para o recebimento de novos armamentos, incluindo mísseis Patriot e suprimentos avançados de drones. A incerteza sobre a nova direção da pasta da Defesa gera preocupações entre analistas sobre a capacidade do governo de manter a coesão interna enquanto enfrenta desafios crescentes no campo de batalha. O governo ucraniano, sob pressão crescente, ainda não detalhou as razões específicas para a destituição, mantendo o foco na necessidade de renovação administrativa em meio ao conflito prolongado.

Fonte primária

Mykhailo Fedorov (canal oficial no Telegram, declaração na íntegra)

Publicação de despedida de Mykhailo Fedorov no cargo de Ministro da Defesa

Postagem de Fedorov no seu canal oficial (@zedigital), publicada às 18:17 (horário de Kiev) de 15 de julho de 2026, um dia após o Parlamento ucraniano aceitar a renúncia da primeira-ministra Yulia Svyrydenko e de todo o governo. Fedorov diz ter sido "uma grande honra servir o povo ucraniano" como ministro e lista 22 realizações de sua gestão (iniciada em janeiro de 2026): corte do acesso russo ao Starlink, reduzindo a capacidade de guerra de drones do inimigo; aumento das compras de drones usando verba redirecionada do fim do ano; lançamento do programa "Lockdown Logístico" para isolar a Crimeia; reforma do sistema de compras militares via licitações; elevação da taxa de interceptação de drones de 83% para 91% e de mísseis de cruzeiro de 47% para 87%; primeiro contrato de mísseis Patriot PAC-2 GEM-T e pedido de crédito europeu para PAC-3; três reuniões do formato Ramstein com anúncio de US$ 40 bi em apoio; contrato de aviões Gripen; planejamento da operação "Auchan", que teria interrompido avanço mecanizado russo por seis meses; e testes de mísseis balísticos desenvolvidos pelo ministério, concluídos no mesmo dia da queda do governo. Como pontos não concluídos, cita a transformação organizacional do ministério nos padrões da OTAN, a migração total das compras para licitações e a construção de uma cultura de responsabilização. Agradece à equipe e à família e afirma que seguirá trabalhando pela mesma missão que o levou ao Ministério da Defesa.

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