Ânima Educação desaba 30% após anunciar compra da FMU por R$ 410 milhões
O mercado reagiu negativamente à aquisição da FMU pela Ânima Educação, citando preocupações com o aumento da alavancagem financeira e o preço pago.
Pontos principais
- A Ânima Educação adquiriu 100% da FMU por R$ 410 milhões, com valor de firma estimado em R$ 560 milhões.
- As ações da companhia despencaram cerca de 30% na B3 após o anúncio da transação.
- O BTG Pactual rebaixou a recomendação da Ânima de compra para neutra, reduzindo o preço-alvo para R$ 4.
- Analistas apontam que a alavancagem da empresa deve subir, com a relação dívida líquida/Ebitda passando de 2,39x para 2,73x.
- A operação inclui uma cláusula de earn-out atrelada ao desempenho futuro da instituição e depende da aprovação do Cade.
- Instituições como Goldman Sachs e Morgan Stanley mantiveram recomendação de compra, apesar da volatilidade do papel.
- A FMU, que estava em recuperação judicial, perdeu market share em São Paulo nos últimos anos.
A Ânima Educação anunciou a compra da FMU por R$ 410 milhões, em uma operação realizada por sua subsidiária Rede Educacional do Brasil junto ao fundo Camp Nou. O negócio, que ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), prevê o pagamento em duas parcelas, sendo a segunda atrelada a metas de desempenho futuro. A FMU já havia pertencido à Ânima, mas foi vendida ao fundo Farallon em 2021 durante o processo de aquisição da Laureate no Brasil. A reação do mercado foi imediata e severa, com as ações da companhia registrando queda de 30% no pregão desta quarta-feira. Analistas do setor financeiro destacaram que o múltiplo pago, de 10 vezes o Ebitda, é considerado elevado diante do atual cenário de juros altos no país. Além disso, a preocupação central reside no aumento da alavancagem da empresa, o que compromete a estrutura de capital e a previsibilidade de dividendos. O BTG Pactual, por exemplo, rebaixou a recomendação do papel para neutra, citando riscos na disciplina de alocação de capital. Embora instituições como Goldman Sachs e Morgan Stanley tenham mantido a recomendação de compra, o consenso entre os analistas é de que a execução operacional será crucial para que a Ânima consiga absorver a nova dívida e justificar o valuation da transação em um ambiente macroeconômico desafiador.
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