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Irã inicia funeral de Estado para o aiatolá Ali Khamenei

Quatro meses após sua morte em ataques de Israel e EUA, o Irã dá início a uma série de cerimônias fúnebres para o aiatolá Ali Khamenei em Teerã.

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Foto: Folha de São Paulo - Mundo
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02/07 às 18:45 · atualizado 03/07 às 04:32

Pontos principais

  • O funeral de Estado terá duração de três a seis dias, passando por Teerã, Qom e Meshed.
  • Ali Khamenei morreu em fevereiro, durante um bombardeio conjunto realizado por Israel e Estados Unidos.
  • A expectativa do governo é reunir entre 15 e 20 milhões de pessoas durante as procissões.
  • Representantes de cerca de 30 países, incluindo Rússia, China e Paquistão, confirmaram presença.
  • O corpo será velado no complexo religioso de Mosalla antes do sepultamento final.
  • O evento ocorre em um momento de alta tensão geopolítica e incertezas sobre a sucessão de Mojtaba Khamenei.
  • A capital iraniana está sob forte esquema de segurança, com restrições em aeroportos e empresas.

O governo do Irã deu início a uma série de cerimônias fúnebres de grande escala para o aiatolá Ali Khamenei, quatro meses após sua morte em um ataque conjunto conduzido por Israel e pelos Estados Unidos. O evento, planejado para durar vários dias, é visto pelo regime como uma demonstração de força e unidade nacional após o período de hostilidades militares que marcou o início de 2025. A logística mobilizada pelas autoridades reflete a importância política e religiosa do líder para a República Islâmica, com procissões programadas para percorrer cidades estratégicas, incluindo Qom e Meshed, onde ocorrerá o sepultamento final.

A capital, Teerã, encontra-se sob um rigoroso bloqueio de segurança, com o funcionamento de aeroportos e empresas operando de forma restrita para acomodar o fluxo esperado de milhões de pessoas. O velório oficial teve início no complexo religioso de Mosalla, servindo como um termômetro para a estabilidade do regime em um momento de transição política. A presença de autoridades de cerca de 30 nações estrangeiras, entre elas potências como Rússia e China, sublinha a relevância diplomática do funeral no cenário geopolítico atual.

Além da dimensão cerimonial, o funeral ocorre em um contexto de incertezas internas sobre o futuro da liderança iraniana e a sucessão de Mojtaba Khamenei. Enquanto o governo busca consolidar o apoio popular através das homenagens, analistas observam o evento como um ponto de inflexão para o país após a recente guerra de 40 dias. A mobilização em massa é interpretada como uma tentativa de demonstrar controle e coesão institucional diante do descontentamento popular e da pressão externa que ainda paira sobre a região.

Fonte primária

Press TV (radiodifusora estatal do Irã)

The final journey: Millions prepare to bid farewell to Iran's martyred Leader across three cities

A Press TV informa que as cerimônias fúnebres nacionais para o Líder da Revolução Islâmica, aiatolá Seyyed Ali Khamenei, e para quatro familiares mortos no mesmo ataque conjunto EUA-Israel de 28 de fevereiro, ocorrem de 4 a 9 de julho em Teerã, Qom, Najaf, Carbala e Mashhad. A programação oficial abre em 3 de julho com uma cerimônia de tributo para chefes de Estado estrangeiros em Teerã; a Mosalla Imam Khomeini abre às 6h de 4 de julho para o velório público, a oração fúnebre ocorre às 6h de domingo (5 de julho) e a procissão por Teerã na segunda-feira (6 de julho). Segundo o Brigadeiro-General Hassan Hassanzadeh, chefe do comitê organizador de Teerã, não foi possível definir uma rota única de procissão dado o volume esperado — estimativas oficiais falam em 12 a 20 milhões de participantes —, por isso foi criado um corredor cerimonial cruzando múltiplas vias da capital (Pirouzi, Shahid Kabiri, Enghelab, Azadi, Shahid Lashgari, Shahid Soleimani, Jalal Al-e Ahmad, Ayatollah Kashani, Allameh Jafari e Shahid Fahmideh). As cerimônias seguem para Qom em 7 de julho, com oração fúnebre na Mesquita Jamkaran, e para o Iraque em 8 de julho, com procissões nos santuários de Najaf e Carbala — primeiro retorno de Khamenei ao Iraque desde 1957. O sepultamento final ocorre em 9 de julho em Mashhad, junto ao santuário do Imam Reza. Segundo Ali Akbar Pourjamshidian, secretário do comando nacional das cerimônias, autoridades de mais de 45 países confirmaram presença, entre elas o presidente do Tadjiquistão Emomali Rahmon, o premiê paquistanês Shehbaz Sharif e o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia Dmitry Medvedev, enviado especial de Putin. Cerca de 14 mil jornalistas, incluindo mais de 900 estrangeiros, se credenciaram para cobrir o evento, segundo Iman Attarzadeh, porta-voz do comando das cerimônias.

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