Partido de Abiy Ahmed mantém maioria em eleições na Etiópia
O Partido da Prosperidade venceu as eleições com quase 90% das cadeiras, em um pleito marcado por desafios logísticos, violência e tensões regionais.
Pontos principais
- O Partido da Prosperidade conquistou 438 das 486 cadeiras disputadas no legislativo.
- A votação foi impactada por problemas de segurança em 143 seções eleitorais e pelo boicote na região de Tigray.
- Grupos rebeldes e milícias, como o Oromo Liberation Army e o Fano, promoveram confrontos durante o pleito.
- A oposição enfrentou dificuldades estruturais e financeiras para competir com o partido governista.
- O país lida com uma inflação superior a 20% e altos índices de pobreza, apesar da projeção de crescimento econômico de 9% para 2026.
- Abiy Ahmed, no poder desde 2018, enfrenta críticas crescentes sobre um suposto viés autoritário.
O Partido da Prosperidade, liderado pelo primeiro-ministro Abiy Ahmed, assegurou uma vitória expressiva nas eleições legislativas de 1º de junho, conquistando 438 das 486 cadeiras em disputa na Câmara dos Representantes do Povo. O resultado consolida a hegemonia do grupo político no país de 130 milhões de habitantes, governado por Ahmed desde 2018. No entanto, o processo eleitoral foi severamente prejudicado por episódios de violência, com registros de confrontos envolvendo grupos rebeldes e milícias, além de problemas logísticos que afetaram 143 seções eleitorais e a ausência de votação na região de Tigray. A oposição, que já enfrentava limitações financeiras e estruturais, denunciou um ambiente desfavorável para a competição democrática.
A vitória garante a continuidade da atual gestão, mas ocorre em um cenário de instabilidade interna e tensões diplomáticas no Chifre da África. Embora o governo projete um crescimento econômico superior a 9% para 2026, a administração de Ahmed enfrenta desafios críticos, incluindo uma inflação que supera os 20% e altos índices de pobreza. O premiê, anteriormente laureado com o Nobel da Paz, encontra-se sob pressão para promover a coesão nacional e pacificar regiões conflagradas, enquanto críticos apontam um crescente viés autoritário em suas políticas internas.
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