China atrasa entregas da Airbus em meio a tensões por certificação
Pequim retém aprovações de jatos da Airbus para pressionar a Europa a certificar o modelo chinês C919, impactando as entregas da fabricante europeia.
Pontos principais
- A Administração de Aviação Civil da China atrasa a liberação de jatos da Airbus como retaliação pela demora da EASA em certificar o jato C919 da Comac.
- O impasse regulatório contribuiu para que a Airbus registrasse o menor volume de entregas no primeiro trimestre desde 2009.
- O diretor financeiro da Airbus confirmou um aumento de 5 bilhões de euros em estoque devido a aeronaves prontas, mas não entregues.
- A certificação europeia é estratégica para a Comac, pois permitiria a comercialização do C919 para companhias aéreas ocidentais.
A Administração de Aviação Civil da China tem imposto atrasos significativos na aprovação final para que jatos da Airbus entrem em operação no mercado chinês. A medida é interpretada como uma retaliação estratégica pela demora da Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) em certificar o jato C919, fabricado pela estatal chinesa Comac. O impasse tem gerado impactos financeiros diretos para a Airbus, que registrou no primeiro trimestre o menor número de entregas desde 2009. Segundo o diretor financeiro da companhia, Thomas Toepfer, o estoque de aeronaves prontas, mas retidas, elevou os custos em cerca de 5 bilhões de euros. Enquanto a EASA mantém o processo de validação em cooperação com as autoridades chinesas sem previsão de conclusão, a China utiliza o acesso ao seu mercado como alavanca diplomática para acelerar a entrada do C919 no cenário global.
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