O volume de serviços recuou 1,2% em março, levando a uma queda trimestral de 0,7%, a maior desde a pandemia, embora o setor ainda acumule alta de 3% no ano.
O setor de serviços brasileiro apresentou resultados divergentes no primeiro trimestre de 2026, com o volume de atividades recuando 0,7% frente ao trimestre anterior, o pior desempenho desde a pandemia. Em março, especificamente, o setor teve uma queda de 1,2% na comparação com fevereiro, frustrando as expectativas do mercado e atingindo a totalidade das cinco categorias pesquisadas pelo IBGE. O setor de transportes, pressionado por operações rodoviárias e aéreas, foi o principal responsável pelo recuo mensal, com queda de 1,7%. Este desaquecimento também foi sentido no turismo, que registrou retração de 4,0% no mês e acumula duas quedas consecutivas, operando atualmente abaixo do seu ápice histórico registrado em 2024. Regionalmente, a fragilidade foi disseminada, com São Paulo apresentando o impacto negativo mais relevante, enquanto o Distrito Federal se destacou como uma das poucas regiões com alta no período.
Apesar da fragilidade observada no curto prazo, o setor de serviços ainda demonstra resiliência em uma análise mais ampla, mantendo uma sequência positiva de 24 meses e registrando avanço de 3% na comparação interanual. Analistas apontam que a política monetária restritiva e o alto endividamento das famílias estão limitando o consumo discricionário, levando a uma acomodação da atividade em patamares mais baixos. Contudo, o mercado de trabalho robusto e medidas de estímulo fiscal continuam sendo vistos como pontos de sustentação para a demanda doméstica.
Mesmo com o resultado abaixo do esperado no trimestre, as instituições financeiras mantêm projeções de crescimento para o PIB de 2026, indicando que a economia mantém uma base de comparação positiva. Economistas avaliam que o resultado recente representa uma acomodação necessária da atividade econômica após períodos de expansão acelerada, reforçando que, apesar das quedas pontuais, o setor ainda sustenta um crescimento anual relevante em um cenário de juros elevados.
Times Brasil • 15 mai, 13:36
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