A Nvidia registrou receita recorde de US$ 68,1 bilhões no 4T e projetou vendas de US$ 78 bilhões para o 1T, superando expectativas impulsionada pela IA, enquanto mercados globais reagem às tarifas de Trump e incertezas sobre a tecnologia.
Os mercados globais apresentaram um cenário misto, reagindo ao anúncio do presidente Donald Trump de um aumento nas tarifas globais de 10% para 15%, o que reacendeu a incerteza e impactou as perspectivas de inflação e crescimento. As bolsas de Nova York fecharam em baixa, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq registrando quedas significativas, impulsionadas pela aversão a riscos gerada pelas medidas tarifárias. A Suprema Corte havia anulado a maioria das tarifas impostas por Trump no ano passado, citando a inadequação da lei de emergência utilizada, mas o presidente anunciou uma nova tarifa global de 15%, que pode durar cinco meses, utilizando uma lei diferente. Analistas indicam que o mercado está em fase de realização de lucros e que não se deve apostar contra a intenção de Trump de implementar tarifas. Bancos como Citi, JPMorgan e Morgan Stanley estiveram entre os mais prejudicados, enquanto empresas de software como Datadog, Crowdstrike e IBM lideraram as perdas percentuais no S&P 500. Além disso, setores como aéreas e criptomoedas também recuaram, com companhias como Delta, United, American Airlines, Strategy e Coinbase registrando perdas. O setor de tecnologia, em geral, liderou as perdas, impactado pela incerteza sobre as novas tarifas e pela pressão sobre o setor de software. Os índices futuros dos EUA também operam em baixa, com a recuperação das ações globais perdendo força.
A Nvidia, por sua vez, divulgou resultados financeiros robustos, registrando receita recorde de US$ 68,1 bilhões no quarto trimestre, um aumento de 20% em relação ao trimestre anterior e 73% em relação ao ano anterior. A receita anual da empresa atingiu US$ 215,9 bilhões, representando um crescimento de 65% em comparação ao ano anterior. A margem bruta GAAP e não-GAAP no trimestre foi de 75,0% e 75,2%, respectivamente, com lucro por ação de US$ 1,76 (GAAP) e US$ 1,62 (não-GAAP). Jensen Huang, CEO da Nvidia, destacou o crescimento exponencial da demanda por computação e a adoção de IA por empresas, impulsionando a revolução industrial da IA. A empresa projetou vendas de US$ 78 bilhões para o primeiro trimestre fiscal, superando a estimativa média dos analistas de US$ 72,60 bilhões, devido aos gastos de grandes empresas de tecnologia em processadores de inteligência artificial. Investidores acompanham os resultados da Nvidia para avaliar o retorno dos investimentos em infraestrutura de data centers por empresas como Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta.
No entanto, apesar de ter superado as expectativas de lucro e receita, a Nvidia viu suas ações caírem 5% e reverterem ganhos no after market, arrastando o setor de semicondutores. A empresa não empolgou Wall Street, que esperava surpresas ainda maiores. A diretora financeira Colette Kress afirmou que a empresa continuará investindo no ecossistema de IA, em vez de devolver capital aos acionistas, e o presidente-executivo Jensen Huang destacou que a produção gerada por modelos de IA será a base da computação futura. A Nvidia garantiu estoque e capacidade suficientes de chips para atender à demanda, apesar das preocupações com a TSMC, mas a escassez afetará o segmento de jogos. O crescimento projetado é atribuído aos investimentos de grandes empresas de tecnologia em processadores de inteligência artificial, com Alphabet, Microsoft, Amazon.com e Meta Platforms planejando investir US$ 630 bilhões em 2026, principalmente em data centers e processadores. A reação mista dos investidores reflete incertezas sobre as perspectivas da tecnologia de inteligência artificial e os gastos massivos no setor, com analistas apontando que a Nvidia falhou em dissipar preocupações sobre sua vantagem competitiva e seu plano de ação em um mundo de disrupção por IA.
A hegemonia da Nvidia no mercado de chips de IA enfrenta ameaças com a AMD e o Google desenvolvendo suas próprias soluções; a AMD planeja lançar um novo servidor de IA e fechou acordos com clientes da Nvidia, incluindo a Meta, enquanto o Google firmou um acordo para fornecer seus chips TPUs à Anthropic e está em negociações com a Meta. O setor de software foi particularmente pressionado por temores relacionados à inteligência artificial (IA) e um relatório da Citrini Research sobre o impacto da IA na economia. A Salesforce, por exemplo, caiu cerca de 5%, continuando uma onda de vendas impulsionada pela IA que já resultou em queda de 28% no ano. No entanto, o otimismo em torno da inteligência artificial continua a ser um motor para os mercados, com a Capital Economics prevendo que a tecnologia beneficiará todos os setores. Christopher Waller, do Federal Reserve, minimizou os riscos da IA para o emprego, afirmando que a tecnologia otimizará fluxos de trabalho. Investidores agora aguardam outros balanços importantes, como os da Warner Bros. Discovery, Dell e CoreWeave, além de dados de auxílio-desemprego e PPI nos EUA. Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentaram menos que o esperado, indicando baixas demissões. Estrategistas do HSBC Holdings reduziram a exposição a ações americanas, migrando para mercados emergentes e Europa. Mercados asiáticos fecharam majoritariamente em alta, com o Nikkei japonês atingindo novo recorde, enquanto os europeus operam em baixa. Os preços do petróleo sobem devido a preocupações com conflitos no Oriente Médio e negociações nucleares entre EUA e Irã, e o minério de ferro na China fechou sem direção definida, com investidores avaliando cortes na produção e estímulos imobiliários.
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