Nvidia tem receita recorde e projeta vendas de US$ 78 bi no 1T; Mercados reagem a tarifas de Trump
A Nvidia registrou receita recorde de US$ 68,1 bilhões no 4T e projetou vendas de US$ 78 bilhões para o 1T, superando expectativas impulsionada pela IA, enquanto mercados globais reagem às tarifas de Trump e incertezas sobre a tecnologia.
Pontos principais
- A Nvidia registrou receita recorde de US$ 68,1 bilhões no quarto trimestre, um aumento de 73% em relação ao ano anterior, e sua receita anual atingiu US$ 215,9 bilhões, crescendo 65%.
- A margem bruta GAAP e não-GAAP da Nvidia no trimestre foi de 75,0% e 75,2%, respectivamente, com lucro por ação de US$ 1,76 (GAAP) e US$ 1,62 (não-GAAP).
- A Nvidia projetou vendas de US$ 78 bilhões para o primeiro trimestre fiscal, superando a estimativa média dos analistas de US$ 72,60 bilhões, impulsionada pelos investimentos em processadores de IA.
- Apesar da previsão otimista e de superar as estimativas de lucro e receita, as ações da Nvidia caíram 5% e reverteram ganhos no after market, sem empolgar Wall Street.
- Os índices futuros dos EUA operaram em baixa após o anúncio de Donald Trump de aumento das tarifas globais de 10% para 15% e a reação mista ao balanço da Nvidia.
- As bolsas de Nova York fecharam em baixa, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq registrando quedas significativas devido à aversão a riscos e incerteza sobre tarifas e IA.
- A hegemonia da Nvidia no mercado de chips de IA enfrenta ameaças com a AMD e o Google desenvolvendo suas próprias soluções e fechando acordos com clientes da Nvidia.
- O setor de software foi pressionado por temores relacionados à inteligência artificial (IA) e um relatório da Citrini Research, com a Salesforce caindo cerca de 5%.
- Estrategistas do HSBC Holdings reduziram a exposição a ações americanas, migrando para mercados emergentes e Europa, enquanto pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentaram menos que o esperado.
- Mercados asiáticos fecharam majoritariamente em alta, com o Nikkei japonês atingindo novo recorde, enquanto os europeus operam em baixa.
Os mercados globais apresentaram um cenário misto, reagindo ao anúncio do presidente Donald Trump de um aumento nas tarifas globais de 10% para 15%, o que reacendeu a incerteza e impactou as perspectivas de inflação e crescimento. As bolsas de Nova York fecharam em baixa, com Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq registrando quedas significativas, impulsionadas pela aversão a riscos gerada pelas medidas tarifárias. A Suprema Corte havia anulado a maioria das tarifas impostas por Trump no ano passado, citando a inadequação da lei de emergência utilizada, mas o presidente anunciou uma nova tarifa global de 15%, que pode durar cinco meses, utilizando uma lei diferente. Analistas indicam que o mercado está em fase de realização de lucros e que não se deve apostar contra a intenção de Trump de implementar tarifas. Bancos como Citi, JPMorgan e Morgan Stanley estiveram entre os mais prejudicados, enquanto empresas de software como Datadog, Crowdstrike e IBM lideraram as perdas percentuais no S&P 500. Além disso, setores como aéreas e criptomoedas também recuaram, com companhias como Delta, United, American Airlines, Strategy e Coinbase registrando perdas. O setor de tecnologia, em geral, liderou as perdas, impactado pela incerteza sobre as novas tarifas e pela pressão sobre o setor de software. Os índices futuros dos EUA também operam em baixa, com a recuperação das ações globais perdendo força.
A Nvidia, por sua vez, divulgou resultados financeiros robustos, registrando receita recorde de US$ 68,1 bilhões no quarto trimestre, um aumento de 20% em relação ao trimestre anterior e 73% em relação ao ano anterior. A receita anual da empresa atingiu US$ 215,9 bilhões, representando um crescimento de 65% em comparação ao ano anterior. A margem bruta GAAP e não-GAAP no trimestre foi de 75,0% e 75,2%, respectivamente, com lucro por ação de US$ 1,76 (GAAP) e US$ 1,62 (não-GAAP). Jensen Huang, CEO da Nvidia, destacou o crescimento exponencial da demanda por computação e a adoção de IA por empresas, impulsionando a revolução industrial da IA. A empresa projetou vendas de US$ 78 bilhões para o primeiro trimestre fiscal, superando a estimativa média dos analistas de US$ 72,60 bilhões, devido aos gastos de grandes empresas de tecnologia em processadores de inteligência artificial. Investidores acompanham os resultados da Nvidia para avaliar o retorno dos investimentos em infraestrutura de data centers por empresas como Alphabet, Microsoft, Amazon e Meta.
No entanto, apesar de ter superado as expectativas de lucro e receita, a Nvidia viu suas ações caírem 5% e reverterem ganhos no after market, arrastando o setor de semicondutores. A empresa não empolgou Wall Street, que esperava surpresas ainda maiores. A diretora financeira Colette Kress afirmou que a empresa continuará investindo no ecossistema de IA, em vez de devolver capital aos acionistas, e o presidente-executivo Jensen Huang destacou que a produção gerada por modelos de IA será a base da computação futura. A Nvidia garantiu estoque e capacidade suficientes de chips para atender à demanda, apesar das preocupações com a TSMC, mas a escassez afetará o segmento de jogos. O crescimento projetado é atribuído aos investimentos de grandes empresas de tecnologia em processadores de inteligência artificial, com Alphabet, Microsoft, Amazon.com e Meta Platforms planejando investir US$ 630 bilhões em 2026, principalmente em data centers e processadores. A reação mista dos investidores reflete incertezas sobre as perspectivas da tecnologia de inteligência artificial e os gastos massivos no setor, com analistas apontando que a Nvidia falhou em dissipar preocupações sobre sua vantagem competitiva e seu plano de ação em um mundo de disrupção por IA.
A hegemonia da Nvidia no mercado de chips de IA enfrenta ameaças com a AMD e o Google desenvolvendo suas próprias soluções; a AMD planeja lançar um novo servidor de IA e fechou acordos com clientes da Nvidia, incluindo a Meta, enquanto o Google firmou um acordo para fornecer seus chips TPUs à Anthropic e está em negociações com a Meta. O setor de software foi particularmente pressionado por temores relacionados à inteligência artificial (IA) e um relatório da Citrini Research sobre o impacto da IA na economia. A Salesforce, por exemplo, caiu cerca de 5%, continuando uma onda de vendas impulsionada pela IA que já resultou em queda de 28% no ano. No entanto, o otimismo em torno da inteligência artificial continua a ser um motor para os mercados, com a Capital Economics prevendo que a tecnologia beneficiará todos os setores. Christopher Waller, do Federal Reserve, minimizou os riscos da IA para o emprego, afirmando que a tecnologia otimizará fluxos de trabalho. Investidores agora aguardam outros balanços importantes, como os da Warner Bros. Discovery, Dell e CoreWeave, além de dados de auxílio-desemprego e PPI nos EUA. Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA aumentaram menos que o esperado, indicando baixas demissões. Estrategistas do HSBC Holdings reduziram a exposição a ações americanas, migrando para mercados emergentes e Europa. Mercados asiáticos fecharam majoritariamente em alta, com o Nikkei japonês atingindo novo recorde, enquanto os europeus operam em baixa. Os preços do petróleo sobem devido a preocupações com conflitos no Oriente Médio e negociações nucleares entre EUA e Irã, e o minério de ferro na China fechou sem direção definida, com investidores avaliando cortes na produção e estímulos imobiliários.
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