Trabalho de cuidado: “Mulheres têm escala 7x0”, diz pesquisadora
A pesquisadora Cibele Henriques destaca que as mulheres enfrentam uma "escala 7x0" no trabalho de cuidado não remunerado, uma desigualdade histórica que gera sobrecarga e impacta sua saúde e autonomia, sendo um motor do capitalismo e um desafio para o futuro do Brasil.
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01/05 às 13:37
Pontos principais
- Mulheres dedicam quase dez horas a mais por semana aos cuidados de outras pessoas e da casa, segundo o IBGE.
- A professora Cibele Henriques explica que o trabalho de cuidado feminino é uma desigualdade com raízes históricas, construída para garantir a reprodução do capital humano.
- O "amor materno" é, na verdade, trabalho não pago que causa sobrecarga psíquica, física e social, retirando a possibilidade de saúde mental e social das mulheres.
- Cibele é co-fundadora do Observatório do Cuidado e do Fórum de Mães Atípicas do Rio de Janeiro, buscando incidir politicamente sobre o tema.
- A obrigação do cuidado é construída desde a infância, associando a esfera doméstica à mulher e desonerando os homens.
- A responsabilidade pelo cuidado também fortalece a violência de gênero, prendendo mulheres em relações abusivas por falta de renda própria.
- A solução para a sobrecarga feminina passa pela quebra de papéis tradicionais e por um maior envolvimento do Estado na criação de uma política de cuidados.
Mencionado nesta matéria
Pessoas
Cibele Henriques (professora de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro)Silvia Federici (filósofa feminista)
Organizações
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)IBGEObservatório do CuidadoFórum de Mães Atípicas do Rio de JaneiroAgência Brasil
Lugares
BrasilRio de Janeiro
