A histórica condenação da Lafarge, a grande empresa do setor de cimento, por fomentar o terrorismo internacional
A empresa de cimento Lafarge foi historicamente condenada na França por financiar grupos jihadistas, incluindo o Estado Islâmico, para manter suas operações na Síria durante a guerra civil, resultando na condenação de ex-diretores e estabelecendo um precedente para multinacionais em zonas de conflito.
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23/04 às 07:29
Pontos principais
- A Lafarge foi condenada por pagar milhões de dólares em subornos a grupos jihadistas, incluindo o Estado Islâmico, para operar na Síria entre 2013 e 2014.
- O ex-diretor executivo Bruno Lafont foi condenado a seis anos de prisão por financiar o terrorismo internacional, embora sua defesa planeje recorrer.
- Os pagamentos totalizaram cerca de 5,6 milhões de euros e tinham como objetivo manter uma fábrica em funcionamento no norte da Síria.
- O tribunal afirmou que o dinheiro permitiu ao Estado Islâmico organizar atentados terroristas, como o ataque ao Charlie Hebdo em 2015.
- Especialistas consideram a decisão histórica por qualificar o terrorismo em fatos econômicos de uma grande empresa e pela gravidade das penas.
- A sentença aumenta a exigência para multinacionais em zonas de conflito, que não poderão mais alegar adaptação a contextos difíceis se beneficiarem grupos armados.
- A Lafarge, agora parte do conglomerado Holcim, reconheceu a sentença e descreveu as ações como uma violação de seu código de conduta.
Mencionado nesta matéria
Pessoas
Bruno Lafont (ex-diretor executivo do grupo Lafarge)Jacqueline Laffont (advogada de Bruno Lafont)Didier Rebut (professor de direito e ciências penais)Isabelle Prévost-Desprez (juíza)Bashar al-Assad (ex-presidente da Síria)
Organizações
LafargeEstado Islâmico (EI)HolcimTribunal Penal de ParisEPABBCg1Charlie HebdoFrance InfoUniversidade Paris-Panthéon-AssasGetty ImagesPromotoria Nacional Antiterrorista da França (PNAT)
Lugares
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