A morte do cão comunitário Orelha, em janeiro de 2026, após um ataque de adolescentes em Santa Catarina, gerou comoção nacional e desencadeou uma investigação policial. O caso resultou no indiciamento de familiares por coação, na aprovação de uma lei estadual de proteção a cães comunitários e em protestos que debateram a responsabilização dos envolvidos e a redução da maioridade penal. Em reconhecimento ao impacto, um hospital veterinário municipal em São Paulo foi renomeado em sua homenagem e passou a operar 24 horas.
A morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em 5 de janeiro de 2026 na Praia Brava, em Santa Catarina, gerou comoção nacional e desencadeou uma investigação policial. Orelha foi atacado por um grupo de adolescentes e, devido à gravidade dos ferimentos, precisou ser submetido à eutanásia. O caso resultou em uma operação policial, indiciamento de familiares dos adolescentes por coação e a aprovação de uma lei estadual de proteção a cães e gatos comunitários em Santa Catarina. Devido à idade dos infratores, as sanções aplicáveis são as medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A comoção pública levou a uma série de protestos em diversas cidades do Brasil, cobrando justiça e a responsabilização dos envolvidos, além de levantar o debate sobre a redução da maioridade penal e a influência de grupos de ódio online em ataques a animais. Em um reconhecimento do impacto nacional do caso, o Hospital Veterinário Municipal Leste de São Paulo foi renomeado para "Cão Orelha" e passou a operar 24 horas em fevereiro de 2026.
Orelha, um cão comunitário de aproximadamente 10 anos, vivia na Praia Brava, em Santa Catarina, onde era cuidado por moradores e comerciantes locais. Em 4 de janeiro de 2026, ele foi atacado por quatro adolescentes. Os ferimentos foram tão graves que, após ser socorrido e levado a uma clínica veterinária, foi necessário realizar a eutanásia no dia seguinte, 5 de janeiro. A repercussão do caso levou a Polícia Civil de Santa Catarina a iniciar uma investigação. Familiares dos adolescentes envolvidos foram suspeitos de coagir testemunhas e tentar atrapalhar as investigações. Em 26 de janeiro, uma operação policial foi deflagrada, resultando no cumprimento de mandados de busca e apreensão e na apreensão de celulares e dispositivos eletrônicos. No dia 27 de janeiro, familiares dos adolescentes foram indiciados por coação no curso do processo. Em 29 de janeiro, dois dos adolescentes suspeitos, que estavam nos Estados Unidos, tiveram celulares e roupas apreendidos pela Polícia Civil ao desembarcarem no Aeroporto Internacional de Florianópolis e foram intimados a prestar depoimento. O inquérito da Delegacia de Proteção Animal da Capital foi concluído e remetido ao poder judiciário. Um auto de apuração de ato infracional foi instaurado pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE) para os menores envolvidos. A polícia também investiga um ataque anterior dos mesmos adolescentes a outro cão, conhecido como Caramelo, que conseguiu escapar.
Como os infratores são menores de 18 anos, eles são inimputáveis perante a lei penal, o que significa que, em vez de penas criminais, estão sujeitos a medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O crime de maus-tratos a animais, conforme a Lei Sansão (14.064/2020), prevê reclusão de dois a cinco anos para adultos, com pena aumentada em caso de morte do animal. As medidas socioeducativas aplicáveis podem variar desde advertência e obrigação de reparar o dano, até prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e, em casos mais graves, internação. No entanto, a internação é geralmente reservada para atos infracionais cometidos com grave ameaça ou violência contra pessoas, gerando um debate sobre a necessidade de revisão da lei para incluir crimes brutais contra animais. O caso Orelha impulsionou a aprovação da Lei nº 19.726 em Santa Catarina, em 22 de janeiro de 2026, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário.
A morte de Orelha gerou uma onda de protestos pelo Brasil. Em 1º de fevereiro de 2026, manifestações foram realizadas em São Paulo (no vão livre do MASP, Avenida Paulista), Rio de Janeiro (Aterro do Flamengo e Copacabana) e Florianópolis (trapiche da Avenida Beira Mar Norte). Os atos contaram com a presença de parlamentares, ativistas e artistas, como a primeira-dama de São Paulo, Regina Nunes, a ativista Luisa Mell e a atriz Heloisa Perissé. Além de cobrar justiça para Orelha e a responsabilização dos envolvidos, os manifestantes também pediram a redução da maioridade penal. O caso Orelha e outros ataques recentes a cães em diferentes estados (Santa Catarina, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul) levantaram a preocupação de que esses incidentes possam estar relacionados a grupos de ódio na internet que incitam adolescentes a torturar animais.
Em um desdobramento significativo do impacto do caso, a primeira unidade veterinária da rede municipal da cidade de São Paulo, o Hospital Veterinário Municipal Leste, localizada no Tatuapé, foi renomeada para "Hospital Veterinário Municipal Leste 'Cão Orelha'" em homenagem ao cachorro. A partir de 19 de fevereiro de 2026, a unidade passou a funcionar 24 horas, oferecendo atendimento para urgências e emergências das 17h às 7h, além do serviço diurno regular. O hospital oferece atendimento clínico e cirúrgico, incluindo consultas, exames, cirurgias e internações, com prioridade para casos graves e para cidadãos inscritos no CadÚnico ou beneficiários de programas sociais. O serviço conta com oito especialidades, como Oftalmologia, Cardiologia e Neurologia.