Maus-tratos a animais são atos ou omissões que causam dor, sofrimento ou morte, sendo crime no Brasil com legislação que prevê penas de reclusão. A relevância do tema cresce com a comoção social gerada por casos recentes de violência e negligência, como os envolvendo os cães Orelha e Caramelo, que impulsionam debates sobre a eficácia das leis e a necessidade de punições mais severas. Organizações de proteção animal e a sociedade civil atuam na conscientização, defesa dos direitos animais e na pressão por justiça, destacando a importância da guarda responsável e a correlação entre violência contra animais e humanos.
Maus-tratos a animais referem-se a qualquer ação ou omissão que cause dor, sofrimento, lesão ou morte a um animal, incluindo negligência, abuso físico, abandono e exploração. No Brasil, a prática é considerada crime, com legislação específica que visa proteger a fauna doméstica e silvestre. A discussão sobre maus-tratos também aborda a comercialização de animais e a importância da guarda responsável, com organizações de proteção animal atuando na conscientização e defesa dos direitos dos animais. Casos de violência contra animais frequentemente geram grande comoção social e debates sobre a eficácia da legislação e a necessidade de punições mais severas, especialmente quando envolvem menores de idade. Organizações de proteção animal, como o Instituto Ampara Animal, também alertam para a correlação entre a violência contra animais e a violência contra mulheres, sugerindo que a crueldade em um contexto pode ser um indicativo de propensão à violência em outros. A sociedade civil tem demonstrado crescente engajamento, realizando protestos e manifestações para exigir justiça e maior rigor na aplicação das leis, como visto nos atos que mobilizaram milhares de pessoas em diversas cidades após a morte do cão Orelha, com a participação de figuras públicas como a primeira-dama de São Paulo, Regina Nunes, e a ativista Luisa Mell. Recentemente, a morte do cachorro comunitário Caramelo em São Paulo, baleado por um policial militar, e o assassinato do cão Abacate no Paraná, somam-se a outros casos de violência que intensificam o debate sobre a proteção animal no país.
A proteção animal tem ganhado crescente atenção social e jurídica. No Brasil, a Lei nº 9.605/1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, estabelece penalidades para atos de abuso e maus-tratos. Mais recentemente, a legislação foi aprimorada para cães e gatos, aumentando as penas de detenção para reclusão de 2 a 5 anos, além de multa e proibição da guarda do animal. Casos notórios de crueldade, como o de Gouzhen Zeng em São Paulo, que mantinha dezenas de cães em condições insalubres e degradantes, culminando na morte de dez animais por cinomose, evidenciam a gravidade do problema e a atuação do sistema judiciário na aplicação das leis. A defesa de Zeng, baseada em supostas diferenças culturais, foi rebatida pela justiça, que destacou a universalidade das regras sociais mínimas de respeito aos animais. Outro caso que gerou grande repercussão foi o do cão Orelha, torturado por adolescentes em Santa Catarina, que reacendeu o debate sobre a redução da maioridade penal e a necessidade de punições mais eficazes para atos de crueldade praticados por menores. A indignação pública levou a manifestações em diversas cidades, como São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, pressionando por justiça e por uma revisão das leis que tratam da violência contra animais. Esses protestos contaram com a participação de parlamentares, ativistas e artistas, como Heloisa Perissé, e levantaram a discussão sobre a influência de grupos de ódio na internet que incitam adolescentes a torturar animais, um fenômeno que pode estar relacionado a recentes ataques a cães em diferentes estados. Além disso, a comercialização de animais é um ponto de debate, com organizações defendendo a adoção e criticando a visão de animais como meros objetos de lucro, o que muitas vezes leva à exploração de fêmeas para reprodução e à manutenção de animais em cativeiro sob condições precárias. Em São Paulo, a Lei nº 17.972, sancionada em julho de 2024, estabeleceu uma idade mínima para a venda de animais, mas ainda é criticada por normalizar a comercialização. O reconhecimento do “vira-lata Caramelo” como expressão cultural de São Paulo, ocorrido no mesmo dia em que um cachorro comunitário conhecido como Caramelo foi morto na capital paulista, destaca a dualidade entre a valorização cultural dos animais e a persistência da violência contra eles.