Misoginia é o ódio, desprezo ou aversão às mulheres, manifestando-se desde preconceitos sutis até violência explícita, e representa um sistema de opressão enraizado em estruturas sociais que perpetuam a desigualdade de gênero. Observada em diversos contextos, como online na "machosfera", ela tem impactos profundos na vida das mulheres, incluindo problemas psicológicos e o aumento da violência de gênero, como o feminicídio. Em 2026, o Senado Federal aprovou um projeto de lei que criminaliza a misoginia no Brasil, com penas de dois a cinco anos de prisão, inserindo-a entre os crimes de preconceito e discriminação.
Misoginia é o ódio, desprezo ou aversão às mulheres, manifestando-se desde preconceitos sutis até atos de violência explícita. O termo deriva do grego "misos" (ódio) e "gynê" (mulher). É uma atitude que transcende preconceitos individuais, representando um sistema de opressão enraizado em estruturas sociais, políticas e econômicas, perpetuando a desigualdade de gênero. A misoginia pode ser observada em diversos contextos, como no âmbito familiar, social, político e na mídia, e tem impactos profundos na vida das mulheres, incluindo problemas psicológicos, limitações sociais e econômicas, e o aumento da violência de gênero. Casos recentes de feminicídio, estupro de adolescentes e violência doméstica reacenderam o debate sobre a misoginia, um comportamento que pode virar crime após a aprovação de um projeto de lei pelo Senado Federal.
Historicamente, a misoginia foi alimentada por culturas patriarcais e estruturas sociais que perpetuaram a desigualdade de gênero. Desde a antiguidade, narrativas culturais frequentemente inferiorizavam as mulheres, associando-as à impureza, fragilidade e falta de razão. A ascensão de sistemas patriarcais consolidou e amplificou essas crenças, com a religião, filosofia e leis sendo usadas para justificar a subordinação feminina.
O primeiro registro do termo "misoginia" em inglês data de 1630, em uma peça de comédia anônima intitulada Swetnam, the Woman-Hater, Arraigned by Women. Esta peça satirizava Joseph Swetnam, que em 1615 publicou um panfleto misógino. O termo foi adicionado ao dicionário de Oxford em 1656, mas seu uso diminuiu até o século XX.
No final do século XX, a ativista feminista Andrea Dworkin resgatou a palavra em sua obra Woman Hating: A Radical Look at Sexuality (1974), utilizando-a para se referir a defensores do machismo. Desde então, o termo foi amplamente adotado pelo movimento feminista para descrever uma forma sistemática de ódio e violência direcionada às mulheres, baseada em uma hierarquia de sexo que coloca os homens em posição superior.
Conteúdos misóginos vêm ganhando força em grupos online como fóruns de internet e redes sociais. Espaços e discursos de ódio, segundo especialistas, são combustíveis para ações concretas de violência. Pesquisadores têm identificado que meninos cada vez mais jovens estão sendo atraídos para a chamada “machosfera”, um termo que engloba fóruns na internet, canais de vídeos, grupos de mensagens instantâneas e perfis em redes sociais voltados para a defesa de um padrão conservador de masculinidade e de oposição aos direitos femininos. Estudos do NetLab, laboratório de pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mapearam mais de 130 mil canais misóginos no YouTube, mostrando que temas como “sedução e relacionamentos”, “questões jurídicas” e “vencer a timidez” são pontes para conteúdo de ódio. Exemplos recentes incluem a viralização de conteúdo nas redes sociais que mostram homens simulando socos, chutes e facadas em mulheres em caso de rejeição.
Em 24 de março de 2026, o Senado Federal aprovou um projeto de lei que criminaliza a misoginia. A proposta insere o delito entre os crimes de preconceito e discriminação previstos na Lei do Racismo. O texto aprovado define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres”, prevendo penas de dois a cinco anos de prisão. O projeto, que teve a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) como relatora, foi aprovado com 67 votos a favor e nenhum contra, e segue para análise da Câmara dos Deputados. A oposição no Senado defendeu alterações para permitir que autores de crimes de misoginia não fossem punidos em caso de "liberdade de expressão" ou por motivos religiosos, mas as alterações foram rejeitadas. Países como França, Argentina e Reino Unido já possuem leis de combate à misoginia.
A misoginia tem impactos devastadores na vida das mulheres. No Brasil, o feminicídio, a forma mais extrema de violência de gênero, continua a ser uma grave preocupação. De acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o país registrou 1.547 feminicídios em 2025, uma média de quatro casos por dia. Esse número tem aumentado anualmente desde 2015. Casos notórios, como a morte da policial Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça em seu apartamento, onde o marido, acusado do crime, usava termos misóginos como "macho alfa" e "mulher beta", ilustram a conexão entre discursos de ódio e violência concreta.
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