Visão geral
A liquidação extrajudicial da Reag Investimentos, posteriormente denominada CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., foi decretada pelo Banco Central do Brasil (BC) em 15 de janeiro de 2026. A medida foi motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)” e pelo descumprimento de regras legais e prudenciais exigidas pelo regulador, o que comprometeu sua capacidade de operar de forma segura e conforme a lei. A Reag Investimentos, que atuava como gestora e administradora de mais de 80 fundos de investimento, estava sob investigação em duas grandes operações policiais: a Operação Carbono Oculto, que apura fraudes e lavagem de dinheiro ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC), e a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master. Investigações da Polícia Federal apontam que a Reag foi utilizada para o desvio de valores do Banco Master, com o uso de familiares dos controladores para ocultar o real controle de ativos e fundos de investimento.
Contexto histórico e desenvolvimento
A Reag Investimentos foi fundada em 2013 por João Carlos Mansur e se tornou uma das maiores gestoras independentes do Brasil, administrando bilhões de reais para diversos tipos de investidores. Em 2025, a empresa passou por uma reorganização, incorporando a plataforma GetNinjas e listando suas ações na B3 sob o código REAG3. O grupo também administrava a CiabraSF, que teve sua compra concluída pelo Grupo Planner em 2026. A Reag ganhou visibilidade ao patrocinar o Cine Belas Artes em São Paulo.
O envolvimento da Reag com investigações criminais começou a se intensificar em agosto de 2025, com a deflagração da Operação Carbono Oculto, que investigava o uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro do PCC. Em setembro de 2025, João Carlos Mansur renunciou ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag. Poucos dias após a operação, a Reag Capital Holding anunciou a venda da Reag Investimentos para a Arandu Partners Holding, formada por executivos da própria Reag.
Em janeiro de 2026, a Reag (já como CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) foi novamente alvo de investigações na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes no Banco Master. João Carlos Mansur foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão. A Polícia Federal aponta que familiares de Mansur, como seus filhos, foram utilizados para ocultar o real controle de ativos e fundos de investimento e para a prática dos crimes, com a Reag sendo usada para desviar valores do Banco Master. Em resposta a essas violações, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição. O BC classificou a Reag no segmento S4 da regulação prudencial, indicando que, apesar das irregularidades, seu porte reduzido e baixa participação no mercado não representam um risco relevante para a estabilidade do SFN.
Linha do tempo
- 2013: João Carlos Mansur funda a Reag Investimentos.
- 22 de janeiro de 2024: O Cine Belas Artes passa a se chamar REAG Belas Artes, com patrocínio da Reag.
- Dezembro de 2024: O Cine Belas Artes anuncia o fim da parceria de patrocínio com a Reag.
- Janeiro de 2025: Reag realiza incorporação reversa da GetNinjas, tornando-se uma holding aberta na B3 (REAG3).
- Março de 2025: CiabraSF, do Grupo Reag, lista ações na B3 sob o código ADMF3.
- Abril de 2025: Reeve (RVEE3), do Grupo Reag, lista ações na B3 e se associa à XP Investimentos e Tauá Partners na SAF da Portuguesa.
- Agosto de 2025: Deflagrada a Operação Carbono Oculto, que investiga o uso de fundos de investimento, incluindo os da Reag, para lavagem de dinheiro do PCC.
- Setembro de 2025: João Carlos Mansur renuncia ao cargo de presidente do conselho de administração da Reag.
- Outubro de 2025: Reag Capital Holding anuncia cancelamento de seu registro como companhia aberta. Reag Investimentos é vendida para a Arandu Partners Holding.
- Novembro de 2025: Banco Central determina a liquidação extrajudicial do Banco Master. Primeira fase da Operação Compliance Zero prende o controlador do Master, Daniel Vorcaro.
- 6 de janeiro de 2026: Grupo Planner conclui a compra da CiabraSF.
- 14 de janeiro de 2026: Polícia Federal deflagra a segunda fase da Operação Compliance Zero, com mandados de busca e apreensão contra João Carlos Mansur, Daniel Vorcaro e Nelson Tanure. A investigação aponta o uso de familiares de Mansur e Vorcaro para ocultar o controle de ativos e fundos.
- 15 de janeiro de 2026: Banco Central decreta a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos (CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.) devido a graves violações e descumprimento de regras legais e prudenciais.
Principais atores
- Reag Investimentos (CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.): Instituição financeira alvo da liquidação extrajudicial.
- Banco Central do Brasil (BC): Autoridade monetária que decretou a liquidação extrajudicial e responsável pela supervisão do SFN.
- João Carlos Mansur: Fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, alvo de mandados de busca e apreensão nas operações policiais. Investigado por usar familiares, incluindo seus filhos, para ocultar o controle de ativos e fundos e desviar valores do Banco Master.
- Polícia Federal (PF): Responsável pelas operações Carbono Oculto e Compliance Zero. Aponta o uso de familiares de Mansur e Vorcaro em esquema de fraudes.
- Banco Master: Instituição financeira investigada por fraudes, com a Reag sendo suspeita de parceria na administração de fundos e de ser utilizada para desvio de valores.
- Primeiro Comando da Capital (PCC): Organização criminosa investigada na Operação Carbono Oculto por lavagem de dinheiro através de fundos de investimento.
- Daniel Vorcaro: Controlador do Banco Master, alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Compliance Zero. Investigado por usar familiares, como seu pai Henrique, irmã e cunhado, para ocultar o controle de ativos e fundos.
- Nelson Tanure: Empresário também alvo de mandados de busca e apreensão na Operação Compliance Zero.
- Dias Toffoli: Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou os mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens na Operação Compliance Zero.
- Arandu Partners Holding: Empresa formada por executivos da Reag que adquiriu a Reag Investimentos.
Termos importantes
- Liquidação extrajudicial: Processo administrativo conduzido pelo Banco Central que visa encerrar as atividades de uma instituição financeira que apresenta graves irregularidades, sem a necessidade de intervenção judicial. Os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis. No caso da Reag, foi motivada por graves violações e descumprimento de regras legais e prudenciais.
- Sistema Financeiro Nacional (SFN): Conjunto de instituições e mercados que permitem a intermediação de recursos financeiros no Brasil.
- Operação Carbono Oculto: Megaoperação da Polícia Federal deflagrada em agosto de 2025 para desarticular um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro do PCC no setor de combustíveis, envolvendo fundos de investimento.
- Operação Compliance Zero: Operação da Polícia Federal que investiga suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master, com a Reag Investimentos sendo citada como parceira na administração de fundos e utilizada para desvio de valores. A investigação aponta o uso de familiares dos controladores para ocultar o real controle de ativos.
- Segmento S4 (Regulação Prudencial): Classificação do Banco Central para instituições financeiras de pequeno porte, com participação muito reduzida no mercado e baixo impacto para a estabilidade do SFN, sujeitas a regras regulatórias mais simples.
- Administradora de fundos: Instituição responsável pela constituição, funcionamento e representação legal de um fundo de investimento. Após a liquidação da Reag, os fundos que ela administrava precisarão buscar novas instituições.