Os Jogos Olímpicos de Inverno são um evento multiesportivo quadrienal de esportes na neve e no gelo, que em sua 25ª edição em Milão-Cortina 2026, foram marcados por discussões políticas e conquistas históricas para o Brasil. Atletas como Lucas Pinheiro Braathen, que ganhou o primeiro ouro do país no slalom gigante, e Nicole Silveira, com o melhor resultado no skeleton, destacaram-se. Controvérsias políticas, como a desclassificação do ucraniano Vladyslav Heraskevych por mensagem política e a presença do ICE, também permearam o evento.
Os Jogos Olímpicos de Inverno são um evento multiesportivo internacional realizado a cada quatro anos, apresentando esportes praticados na neve e no gelo. A competição reúne atletas de diversas nações para disputar medalhas em modalidades específicas de inverno. Recentemente, os Jogos de Milão-Cortina foram palco de discussões políticas envolvendo atletas e figuras públicas, como o caso do atleta ucraniano Vladyslav Heraskevych, que foi desclassificado por expressar uma mensagem política em seu capacete. A edição de Milano Cortina 2026 será a 25ª dos Jogos Olímpicos de Inverno, que existem desde 1924, quando a primeira edição ocorreu em Chamonix, na França. Os Jogos de Inverno foram realizados nos mesmos anos das edições de verão por décadas, mas isso mudou a partir de Lillehammer 1994, e desde então, as competições de inverno acontecem dois anos antes da próxima edição de verão. Ao todo, dez países já sediaram os Jogos de Inverno, sendo os Estados Unidos o que mais recebeu o evento (quatro vezes), seguido da França, com três. Em uma conquista histórica para o Brasil, Lucas Pinheiro Braathen conquistou a primeira medalha de ouro do país na modalidade slalom gigante durante os Jogos de Inverno de 2026, um feito celebrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nascido na Noruega, Pinheiro Braathen passou a competir pelo Brasil, país de sua mãe, a partir de março de 2024, buscando maior liberdade de expressão e a fusão de sua alta performance no esqui com seus interesses em moda e arte. Sua vitória histórica também gerou ampla repercussão na Noruega, seu país natal, com a imprensa local elogiando sua conquista, mas lamentando a perda de um de seus maiores talentos para o esporte brasileiro. Além disso, o Brasil alcançou outro marco histórico com Nicole Silveira, que obteve o melhor resultado olímpico do país em provas de gelo, ficando em 11º lugar no skeleton.
Os Jogos Olímpicos de Inverno têm uma longa história, sendo uma contraparte dos Jogos Olímpicos de Verão. Eles se tornaram um palco não apenas para a excelência esportiva, mas também para manifestações sociais e políticas. Durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Milão-Cortina, no norte da Itália, tensões políticas surgiram, especialmente em relação a comentários de atletas norte-americanos sobre a representação dos Estados Unidos. O esquiador olímpico Hunter Hess expressou sentimentos contraditórios sobre representar os EUA, citando questões internas do país. Colegas de equipe, como Chris Lillis, também se manifestaram, criticando ações de agências governamentais como o Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), que enfrentava protestos após incidentes fatais. Em 2026, o ICE confirmou que agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos colaborariam na segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno na Itália, o que gerou indignação e críticas de políticos no país e na Europa. O ICE afirmou que sua Divisão de Investigações de Segurança Interna estaria apoiando o Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA e o país anfitrião para avaliar e mitigar riscos de organizações criminosas transnacionais, com todas as operações de segurança sob autoridade italiana. O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, afirmou que o ICE "não é bem-vindo" na cidade, descrevendo-o como uma "milícia que mata".
Outro incidente de destaque envolvendo manifestação política ocorreu com o atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych, que foi desclassificado dos Jogos de Milano Cortina antes de sua competição por usar um capacete que retratava atletas ucranianos mortos na guerra com a Rússia. A Federação Internacional de Bobsled e Skeleton considerou que as imagens violavam as regras sobre a expressão de atletas nos Jogos, e Heraskevych perdeu um recurso na Corte Arbitral do Esporte. Apesar da desclassificação, ele recebeu uma doação de mais de US$ 200 mil do dono do clube de futebol ucraniano Shakhtar Donetsk, Rinat Akhmetov, valor equivalente ao prêmio de medalha de ouro na Ucrânia, e foi elogiado pelo presidente Volodymyr Zelensky.
Além das discussões políticas, os Jogos de 2026 também foram marcados por momentos históricos para o Brasil, com a conquista da primeira medalha de ouro do país por Lucas Pinheiro Braathen e o melhor resultado olímpico em provas de gelo por Nicole Silveira, demonstrando que o esporte brasileiro "não tem limites", conforme o presidente Lula. O atleta Lucas Pinheiro Braathen, que trouxe essa medalha, é conhecido por sua abordagem única, combinando o esqui de elite com paixões por moda, música e arte, o que, segundo ele, o ajudou em sua jornada rumo à glória olímpica. Sua mudança para representar o Brasil, após competir pela Noruega, foi motivada pela busca por maior liberdade para expressar sua individualidade, que ele considera essencial para seu desempenho, e por conflitos com a federação norueguesa. Nicole Silveira, por sua vez, alcançou a 11ª colocação no skeleton, superando seu próprio recorde anterior e estabelecendo um novo marco para o Brasil em modalidades de gelo.
A conquista da medalha de ouro olímpica por Lucas Braathen pelo Brasil, em Milão-Cortina 2026, teve grande repercussão na Noruega, país onde o esquiador nasceu e iniciou sua carreira. A imprensa norueguesa dedicou amplo espaço à vitória histórica no esqui alpino, com elogios à trajetória do atleta, mas também com lamentos pela sua decisão de mudar de bandeira. Braathen, que defendeu a Noruega até 2023, aposentou-se brevemente após conflitos com a federação local antes de decidir competir pelo Brasil. O jornal Aftenposten, de Oslo, publicou uma reportagem extensa sobre a vitória, com o comentarista Daniel Roed-Johansen descrevendo Braathen como o "pavão do esqui", mas enfatizando que, acima de tudo, ele é um atleta de elite dedicado. O Dagbladet repercutiu a avaliação do ex-esquiador e comentarista Kjetil André Aamodt, que expressou frustração pela perda esportiva de Braathen para a Noruega. A conquista reabriu no país o debate sobre a saída precoce de um de seus talentos mais midiáticos e competitivos da última geração.