A eleição presidencial de 2026 ocorreu em um cenário político onde a possibilidade de um segundo turno era considerada significativa e se concretizou. Historicamente, as eleições presidenciais em Portugal têm sido decididas no primeiro turno na maioria das vezes. A última vez que um segundo turno foi necessário para definir o presidente foi há quatro décadas. A disputa atual, com vários candidatos fortes, sugeriu uma fragmentação do voto que impediu que qualquer candidato obtivesse a maioria absoluta no primeiro turno, levando à confirmação do segundo turno. O primeiro turno, realizado em 18 de janeiro de 2026, teve António José Seguro na liderança com 31,13% dos votos, seguido por André Ventura com 23,49%. João Cotrim Figueiredo ficou em terceiro com 15,99%, não avançando para o segundo turno. O avanço do Chega, partido de extrema direita que se tornou a segunda maior força política do país nas últimas eleições parlamentares, redesenhou o cenário tradicionalmente polarizado entre socialistas e sociais-democratas. O atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita, que ocupou o cargo por quase uma década e foi marcado por uma postura conciliadora, está impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato consecutivo, abrindo espaço para uma corrida inédita ao Palácio de Belém. Em Portugal, o presidente é o chefe de Estado e exerce funções mais cerimoniais, mas em momentos de crise, a figura presidencial ganha mais peso político, podendo dissolver o Parlamento, destituir o governo e convocar eleições, além de comandar as Forças Armadas. A disputa eleitoral para o segundo turno refletiu a polarização política entre a centro-esquerda e os movimentos populistas. António José Seguro, um político socialista moderado de 63 anos, posicionou-se como um candidato que cooperaria com o governo minoritário de centro-direita de Portugal, repudiando as posições anti-establishment e anti-imigração de Ventura. Ele conquistou o apoio de outros políticos tradicionais, tanto de esquerda quanto de direita, que desejavam conter a crescente onda populista. Apesar da derrota no segundo turno, André Ventura, de 43 anos, e seu partido Chega, seguem em escalada de popularidade no país, refletindo a influência crescente da extrema direita em Portugal e na Europa. Ventura reconheceu a derrota, mas afirmou: "Não vencemos estas eleições presidenciais, mas estamos a fazer história! Obrigado pela confiança". Ele também destacou que "Todo o sistema político, tanto de direita quanto de esquerda, uniu-se contra mim. Mesmo assim, acredito que a liderança da direita foi definida e consolidada hoje. Espero liderar esse espaço político a partir de hoje". O segundo turno das eleições, marcado para 8 de fevereiro de 2026, foi adiado em alguns municípios do sul e centro do país devido a tempestades, afetando cerca de 37 mil eleitores (0,3% do total). Ventura criticou o governo por manter a data das eleições, enquanto Seguro expressou solidariedade aos afetados e pediu que os cidadãos não deixassem de ir às urnas, ressaltando a importância do voto.