O documentário "Cheiro de Diesel", dirigido por Natasha Neri e Gizele Martins, expõe as violações de direitos humanos e o cenário de terror gerados pelas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em favelas do Rio de Janeiro, especialmente no Complexo da Maré, durante os megaeventos esportivos entre 2014 e 2018. Centrado nos relatos de moradores, o filme aborda a ineficácia e os abusos das intervenções militares, como a Operação São Francisco, que resultaram em denúncias de torturas e assassinatos. A obra também questiona a constitucionalidade da Justiça Militar para julgar crimes contra civis, destacando a impunidade e a relevância do tema para a segurança pública brasileira.
"Cheiro de Diesel" é um documentário que aborda as violações de direitos humanos e o cenário de terror criados pelas operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em favelas do Rio de Janeiro, especialmente no Complexo da Maré, durante os megaeventos esportivos sediados no Brasil entre 2014 e 2018. Dirigido pelas jornalistas Natasha Neri e Gizele Martins, o filme centra-se nos relatos de moradores que vivenciaram esses períodos, expondo os abusos e a ineficácia das intervenções militares na segurança pública.
Desde a Eco 1992, o Brasil já registrou mais de 150 operações de GLO, muitas delas concentradas em favelas cariocas. O documentário foca na Operação São Francisco, uma GLO decretada dois meses antes da Copa do Mundo de 2014, que levou 2,5 mil homens das Forças Armadas para 15 favelas do Complexo da Maré. Embora vendida como uma medida de segurança, a operação, que durou 14 meses e custou cerca de R$ 350 milhões, gerou inúmeras denúncias de torturas, coerções, assassinatos, invasão de residências e outras irregularidades. A Maré, devido à sua localização estratégica, foi escolhida para essa intervenção, que, segundo as diretoras, serviu como um "laboratório" para o modelo de atuação do Exército. Após 2014, outras três GLOs foram decretadas no Rio de Janeiro entre 2016 e 2018, incluindo uma intervenção federal militar em 2018, com o General Walter Braga Netto como interventor. O documentário também questiona a constitucionalidade do uso da Justiça Militar para julgar crimes cometidos por militares contra civis, destacando a impunidade resultante.