O BRB - Banco Regional de Brasília é uma instituição financeira com sede no Distrito Federal que oferece diversos serviços bancários. Atualmente, o banco enfrenta uma crise devido a uma operação da Polícia Federal que investiga um esquema envolvendo o BRB e o Banco Master, com acusações de perdas bilionárias e indícios de gestão fraudulenta. Em meio a renúncias de membros do conselho e mudanças na governança, o BRB busca reestruturar-se e apresentou um Plano de Capital ao Banco Central para recompor seu balanço, enquanto o governador do DF, acionista controlador, enfrenta pedidos de impeachment.
O BRB - Banco Regional de Brasília é uma instituição financeira com sede em Brasília, Distrito Federal. O banco atua no mercado financeiro brasileiro, oferecendo diversos serviços bancários. Recentemente, a instituição esteve no centro de atenções devido a uma operação da Polícia Federal que envolveu dirigentes do Banco Master e do BRB, sob acusação de um esquema que poderia ter gerado perdas superiores a R$10 bilhões para o banco público. Em meio a esses eventos, o BRB convocou uma assembleia para eleger um novo conselho de administração, e houve renúncias de membros do conselho. Além disso, discussões sobre uma possível aquisição do Banco Master envolveram a transferência de ativos como compensação e esclarecimentos sobre notícias veiculadas na mídia. O BRB tem se comprometido a comunicar ao mercado qualquer Fato Relevante que surgir de suas análises internas. O Banco Central estima um rombo de R$ 5 bilhões no balanço do BRB devido às operações com o Banco Master.
Em 28 de janeiro de 2026, o BRB informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que o Banco Master transferiu carteiras ao BRB como compensação por carteiras previamente vendidas à instituição. Parte desses ativos transferidos teve origem no Will Bank e está atualmente em processo de avaliação (valuation) pelo BRB para verificar sua condição e adequação dos valores envolvidos.
O BRB também esclareceu notícias da mídia sobre sua relação com o Banco Master. Em resposta a uma matéria do Estadão de 21 de janeiro, o BRB afirmou que as informações se baseavam em documentos externos e não refletiam comunicações oficiais da companhia, destacando que não havia conclusão técnica ou documental que sustentasse as inferências apresentadas. Adicionalmente, em relação a uma notícia do jornal O Diário do Pará de 24 de janeiro, que mencionava o controle de fundos ligados ao Banco Master, o BRB esclareceu que recebeu fundos de investimento como dação em pagamento, com condições de cessão previstas contratualmente. Esses fundos são administrados e geridos por empresas terceiras, e as decisões de investimento não foram realizadas pelo BRB. O banco ressaltou que esses fundos e seus ativos estão em processo de validação técnica e avaliação para assegurar precisão e conformidade. O BRB também afirmou que não há Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do Banco Master com valores computados nos referidos fundos, e que o processo de alteração do administrador e do gestor dos fundos de investimento está em curso.
Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma participação relevante no Banco Master, operação que contou com apoio público do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e do GDF, mas acabou barrada pelo Banco Central. Posteriormente, a autoridade monetária determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito da instituição para o BRB, em uma operação estimada em R$ 12,2 bilhões. Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, e o Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências. As investigações apontam que as operações entre o BRB e o Banco Master, realizadas entre 2023 e 2024, envolveram a aquisição de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões, compostas por ativos superfaturados ou inexistentes.
Em janeiro de 2026, Raphael Vianna de Menezes foi eleito presidente do conselho de administração e Antônio José Barreto de Araújo Júnior como diretor executivo de finanças. Em 29 de janeiro de 2026, Marcelo Talarico e Luis Fernando de Lara Resende renunciaram, com efeitos imediatos, aos seus postos como membros do conselho de administração da empresa. As renúncias ocorreram duas semanas após o acionista controlador, o governo do Distrito Federal, convocar uma assembleia para eleger um novo conselho de administração em 19 de fevereiro de 2026. Os acionistas do BRB foram chamados para votar neste dia a indicação de Edison Garcia, Joaquim de Oliveira e Sérgio Nazaré para a composição do conselho.
Em 10 de fevereiro de 2026, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo renunciou ao cargo de Diretor Jurídico da Companhia, com efeitos a partir de 14 de fevereiro de 2026. Veloso havia sido nomeado para o cargo em agosto de 2024, após a saída do então titular, e já integrava a governança do banco como membro do Comitê de Auditoria. Sua saída ocorre em meio à crise enfrentada pelo BRB após o envolvimento da instituição com o Banco Master. Apesar de um parecer jurídico assinado por Veloso alertar para riscos nas operações entre o BRB e o Banco Master, ele também gravou um vídeo interno defendendo a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, afirmando que “todos os cuidados jurídicos estavam sendo tomados”. Na mesma data, Ana Paula Teixeira foi empossada como diretora executiva de Controles e Riscos (DICOR). Teixeira possui vasta experiência no setor financeiro, tendo atuado como vice-presidente de Gestão de Riscos, Controles Internos, Segurança Institucional e Cyber Segurança do Banco do Brasil, além de ocupar cargos de liderança em diversas instituições nas áreas de controles internos, compliance, gestão de riscos, capital, crédito e governança. A nomeação de Teixeira busca fortalecer a governança corporativa, a integridade institucional e a gestão de riscos e controles internos da instituição.
Em 6 de fevereiro de 2026, o BRB apresentou ao Banco Central um Plano de Capital com medidas para recompor o balanço e reforçar a liquidez em até 180 dias. O documento foi entregue ao diretor de Fiscalização do BC, Gilneu Vivan, e tem como objetivo assegurar a continuidade das operações e proteger clientes e investidores. O Banco Central estima que o aporte mínimo necessário para a recomposição do capital pode chegar a R$ 5 bilhões.
Em 1º de fevereiro de 2026, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tornou-se alvo de dois pedidos de impeachment apresentados na Câmara Legislativa do DF. As representações apontam supostos crimes de responsabilidade e infrações que atentam contra a Constituição e o funcionamento das instituições, cometidos durante as negociações do BRB para a tentativa de aquisição do Banco Master. O governo do Distrito Federal é o acionista controlador do BRB, com 71,92% do capital do banco. Os pedidos de impeachment ainda não começaram a tramitar, dependendo do aval do presidente da Câmara Legislativa, Wellington Luiz (MDB-DF). Além das iniciativas na Câmara, o governador também foi alvo de dois pedidos de investigação encaminhados ao Ministério Público Federal (MPF). Os pedidos de impeachment foram protocolados por integrantes de diferentes partidos, incluindo membros do PSB-DF (Rodrigo Dias, Rodrigo Rollemberg, Ricardo Capelli e Leonardo Pinheiro), o presidente do Cidadania-DF (Cristovam Buarque), os advogados Rodrigo Pedreira e Lynecker Juliano, e representantes do PSOL-DF (a presidente regional Giulia Tadini e os deputados distritais Fábio Félix e Max Maciel).