Os casos reportados envolvem agressões físicas graves em contextos de relações anteriores. Em Muriaé (MG), uma mulher de 40 anos foi esfaqueada 10 vezes pelo ex-companheiro de 50 anos durante encontro para resolver pendências imobiliárias, apesar de medida protetiva vigente; ela sofreu perfuração nos pulmões e foi estabilizada no Hospital São Paulo. Em Belo Horizonte (MG), Alice Martins Alves, mulher trans de 33 anos, foi espancada por um garçom após discussão por R$ 22 na Savassi, sofrendo fraturas e perfuração intestinal, morrendo em 9 de novembro em Betim; os suspeitos foram indiciados por feminicídio. Em Maringá (PR), Jéssica Daiane Cabral de Oliveira, de 30 anos, foi assassinada pelo ex-companheiro, guarda municipal preso.
O ano de 2025 marcou o décimo aniversário da sanção da Lei do Feminicídio, que inseriu no Código Penal o crime de homicídio contra mulheres no contexto de violência doméstica e de discriminação. Apesar da legislação, o Brasil registrou um número recorde de vítimas de feminicídio, o que, segundo Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta para uma omissão do Estado e o desfinanciamento de políticas de proteção em níveis municipal e estadual. O relatório anual da Human Rights Watch (HRW) também destacou a violência doméstica e de gênero como uma das violações mais frequentes no Brasil. Em resposta a esse cenário alarmante, os Três Poderes (governo federal, Congresso Nacional e Poder Judiciário) lançaram o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, uma iniciativa coordenada para prevenir a violência contra mulheres e meninas.