Haddad confirma indicações de Mello e Cavalcanti para o BC; Lula ainda avalia
Fernando Haddad confirmou as indicações de Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti para diretorias do BC, gerando apreensão no mercado, mas a decisão final ainda é de Lula.
Pontos principais
- Fernando Haddad confirmou as indicações de Guilherme Mello, secretário de Política Econômica, e Tiago Cavalcanti, professor da FGV e Cambridge, para duas vagas no Conselho Diretor do Banco Central.
- Mello, economista desenvolvimentista e ligado ao PT, defende cortes na taxa de juros e uma mudança na política monetária, o que gera apreensão no mercado financeiro.
- Tiago Cavalcanti, professor da Universidade de Cambridge e da EESP/FGV, possui doutorado pela Universidade de Illinois e já assessorou campanhas políticas em 2014.
- Cavalcanti defendeu a autonomia do Banco Central e criticou a política econômica do governo Dilma Rousseff, além de elogiar avanços como o Pix.
- Haddad criticou o vazamento da informação, que repercutiu negativamente no mercado, e ressaltou que a decisão final sobre as nomeações ainda não foi tomada por Lula.
- A possível indicação de Mello é vista como um risco à credibilidade da instituição por agentes do mercado, que veem seu perfil como heterodoxo.
- As vagas surgiram após o término dos mandatos de Diogo Guillen e Renato Gomes, diretores indicados por Jair Bolsonaro.
- Lula ainda está em processo de coleta de sugestões e não fez convites formais aos indicados.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmou as indicações de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica, e Tiago Cavalcanti, professor da FGV e membro do Trinity College da Universidade de Cambridge, para duas diretorias do Banco Central (BC). As sugestões, feitas há três meses, geraram apreensão no mercado financeiro devido ao perfil desenvolvimentista de Mello, que defende cortes na taxa de juros e uma mudança na "postura" da política monetária. Ele já havia criticado a Selic a 15% ao ano como "ultra restritiva", argumentando que a convergência da inflação e o ciclo econômico permitiriam essa alteração. Haddad, no entanto, criticou o vazamento da informação e enfatizou que a decisão final sobre as nomeações ainda não foi tomada pelo presidente Lula, que segue avaliando sugestões e não fez convites formais.
Tiago Cavalcanti, por sua vez, é um economista com doutorado pela Universidade de Illinois e um histórico de envolvimento político, tendo assessorado campanhas de Eduardo Campos e Marina Silva em 2014. Diferentemente de Mello, Cavalcanti defendeu a autonomia do Banco Central e criticou a política econômica do governo Dilma Rousseff. Em artigos recentes, ele elogiou avanços do BC como o Pix e alertou sobre pressões de grupos de interesse em bancos centrais, além de ter assinado um working paper da instituição sobre reformas financeiras para reduzir desigualdades no mercado de crédito.
Essa movimentação ocorre em um cenário de crescentes debates sobre a política monetária. As vagas surgiram após o término dos mandatos de Diogo Guillen e Renato Gomes, diretores indicados pela gestão anterior. Investidores veem com ressalvas a possibilidade de mais diretores com a linha econômica de Mello no BC, que é considerada heterodoxa por agentes do mercado, aguardando a aprovação do Senado. A atual diretoria do Banco Central já conta com maioria de integrantes indicados pela gestão petista, e a instituição já sinalizou um possível corte na taxa de juros na reunião de março do Copom.
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