A edição genética tem sido objeto de pesquisa por décadas, mas a descoberta e aprimoramento de ferramentas como a CRISPR-Cas9 revolucionaram o campo, tornando a modificação genética mais acessível e precisa. Em 2018, o cientista chinês He Jiankui realizou um experimento controverso ao editar embriões humanos para torná-los resistentes ao HIV, resultando no nascimento de gêmeas e, posteriormente, de um terceiro bebê. Esse evento gerou indignação mundial, levando à sua condenação na China por enganar autoridades médicas e por violar a ética científica. Ele foi sentenciado a três anos de prisão em 2019.
Após cumprir sua pena, He Jiankui retomou suas pesquisas em edição genética em um laboratório em Pequim, focando em doenças como Alzheimer e distrofia muscular de Duchenne (DMD), embora atualmente apenas com camundongos. Ele expressa a crença de que a China, com seu rápido avanço em biotecnologia e menor regulamentação em comparação com o Ocidente, está pronta para aceitar e liderar nesse campo. O governo chinês, sob a liderança de Xi Jinping, tem investido pesadamente para se tornar uma superpotência em ciência e tecnologia até 2049, incentivando a inovação e reduzindo a burocracia para cientistas. Novas regulamentações chinesas, emitidas em setembro, proíbem a modificação de DNA em células reprodutivas humanas para implantação, mas a redação é considerada ambígua por He, sugerindo uma possível abertura futura para tais pesquisas.