Trump e Groenlândia
Adicionado evento de 10/01/2026 sobre a justificativa de Trump para adquirir a Groenlândia, mencionando a necessidade de deter Rússia e China e a presença militar dos EUA desde 1951.
O tema "Trump e Groenlândia" refere-se ao persistente interesse do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em adquirir a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. Este interesse, manifestado desde seu primeiro mandato e intensificado em seu segundo, gerou tensões diplomáticas significativas com a Dinamarca, a Groenlândia e aliados europeus, que reiteradamente rejeitaram a ideia de anexação ou compra da ilha, defendendo sua soberania e integridade territorial. As declarações de Trump, incluindo a afirmação de que os EUA agiriam sobre a Groenlândia "por bem ou por mal", provocaram reações imediatas e enfáticas do governo local da Groenlândia, que reiterou seu desejo de não se tornar parte dos Estados Unidos. Trump justificou seu interesse pela ilha como um ponto crucial para a segurança nacional norte-americana, essencial para deter o avanço de Rússia e China na região. As políticas econômicas protecionistas de Trump, como a imposição de tarifas a produtos europeus, também influenciaram a dinâmica comercial global, levando a blocos como a União Europeia a buscar diversificar suas alianças comerciais, como evidenciado pelo acordo UE-Mercosul.
O interesse dos Estados Unidos na Groenlândia não é recente; o presidente Harry Truman tentou comprá-la após a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a questão ganhou proeminência internacional com Donald Trump. Durante seu primeiro mandato, Trump fez uma oferta para comprar a ilha, que foi prontamente recusada. Ao retornar à Casa Branca, ele intensificou sua retórica, citando razões de segurança nacional e o vasto potencial de recursos minerais da ilha.
Em março de 2025, o vice-presidente JD Vance visitou uma base militar americana na Groenlândia, acusando a Dinamarca de subinvestir na região. Em dezembro de 2025, Trump nomeou Jeff Landry, governador da Louisiana, como enviado especial para a Groenlândia, com a missão declarada de torná-la "parte dos EUA". Esta nomeação reacendeu as tensões, levando a uma forte reação da Dinamarca e da Groenlândia, que emitiram uma declaração conjunta reiterando a inviolabilidade de suas fronteiras e soberania, garantidas pelo direito internacional. O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, convocou o embaixador dos EUA em Copenhague para expressar seu descontentamento.
Em janeiro de 2026, a Casa Branca confirmou que Trump considerava a aquisição da Groenlândia uma prioridade de segurança nacional e que o uso de força militar era uma das opções avaliadas. Esta postura provocou uma resposta unida de países europeus, incluindo França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca, que emitiram uma declaração conjunta afirmando que "a Groenlândia pertence ao seu povo" e que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir seu futuro. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que um ataque dos EUA à Groenlândia poderia significar o fim da OTAN.
Em 8 de janeiro de 2026, a agência de notícias Reuters divulgou que o governo americano estava considerando oferecer pagamentos diretos aos habitantes da Groenlândia, variando entre US$ 10 mil e US$ 100 mil por pessoa, como parte de um plano para incentivar a ilha a se separar da Dinamarca e, futuramente, integrar aos Estados Unidos. A proposta visa obter apoio político diante da relutância da Groenlândia e da Dinamarca. Outras opções em análise incluem o Compacto de Livre Associação (COFA), um modelo já utilizado com países do Pacífico que prevê assistência militar e serviços em troca de liberdade para bases americanas e incentivos comerciais, exigindo a saída da Groenlândia da jurisdição dinamarquesa. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, rejeitou publicamente as "fantasias sobre anexação". O Secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que se reuniria em breve com seu homólogo dinamarquês para discutir o tema. A Casa Branca, através da porta-voz Karoline Leavitt, confirmou que Trump e seus assessores estudam "como seria uma compra potencial", preferindo alternativas diplomáticas à intervenção militar.
Em 9 de janeiro de 2026, Trump elevou o tom da retórica ao declarar publicamente que os Estados Unidos farão um acordo pela Groenlândia "do jeito fácil ou do jeito difícil". O presidente afirmou que a negociação ocorrerá "quer eles gostem ou não", embora tenha ressaltado que ainda não se discutem valores financeiros específicos para a aquisição. Essa declaração marcou uma transição de uma proposta de compra para uma ameaça explícita de aquisição não consensual. Em resposta imediata a essa declaração, o governo local da Groenlândia rebateu enfaticamente, afirmando que "não queremos ser americanos", reiterando sua posição de não desejar que seus cidadãos se tornem parte dos Estados Unidos e intensificando as tensões diplomáticas.
Em 10 de janeiro de 2026, Donald Trump reafirmou o interesse dos EUA em adquirir o controle da Groenlândia, justificando a necessidade de deter o avanço de Rússia e China na região. Ele destacou que, apesar de os EUA já possuírem uma presença militar na ilha sob um acordo de 1951, o controle total da Groenlândia é crucial para a segurança nacional norte-americana e para a geopolítica no Ártico.
As políticas econômicas de Donald Trump, caracterizadas por um forte protecionismo e a imposição de tarifas, tiveram um impacto significativo nas relações comerciais globais. A aplicação de um "tarifaço" a produtos europeus, com taxas de 15% para entrada no mercado americano, levou a União Europeia a buscar a diversificação de suas alianças comerciais. Um exemplo notável é o acordo comercial entre a UE e o Mercosul, que foi aprovado em 9 de janeiro de 2026. Este acordo, embora enfrentando resistência interna de agricultores europeus, foi impulsionado por países como Alemanha e Espanha, que buscavam apoiar seus exportadores e reduzir a dependência de mercados afetados pelas políticas tarifárias dos EUA. A UE implementou salvaguardas, reduziu tarifas de fertilizantes, antecipou subsídios agrícolas e impôs novas restrições a agrotóxicos para mitigar as preocupações dos produtores locais e viabilizar o acordo, demonstrando a complexidade das dinâmicas comerciais em resposta às pressões geopolíticas.