Trump e Groenlândia
Adicionado evento de 29/01/2026 sobre o otimismo do ministro das Relações Exteriores da Dinamarca após conversas com os EUA e a intenção de renegociar o tratado de 1951.
O tema "Trump e Groenlândia" refere-se ao persistente interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em adquirir a Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. Este interesse, manifestado desde seu primeiro mandato e intensificado em seu segundo, gerou tensões diplomáticas significativas com a Dinamarca, a Groenlândia e aliados europeus, que reiteradamente rejeitaram a ideia de anexação ou compra da ilha, defendendo sua soberania e integridade territorial. As declarações de Trump, incluindo a afirmação de que os EUA agiriam sobre a Groenlândia "por bem ou por mal" e que ele estaria disposto a sacrificar a OTAN e ignorar o direito internacional para concretizar a aquisição, provocaram reações imediatas e enfáticas do governo local da Groenlândia, que reiterou seu desejo de não se tornar parte dos Estados Unidos, com líderes partidários afirmando "Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses". Em janeiro de 2026, o primeiro-ministro da Groenlândia reforçou essa posição, declarando que a ilha prefere a Dinamarca aos EUA, embora tenha se mostrado aberto a uma parceria mais estreita com os EUA, desde que a soberania da ilha seja respeitada como uma "linha vermelha". Trump justificou seu interesse pela ilha como um ponto crucial para a segurança nacional norte-americana, essencial para deter o avanço de Rússia e China na região, e também como algo "psicologicamente necessário para o sucesso" e vital para o "Domo de Ouro", um escudo antimísseis que ele deseja construir para proteger os EUA, citando a ideia de Ronald Reagan. As políticas econômicas protecionistas de Trump, como a imposição de tarifas a produtos europeus, também influenciaram a dinâmica comercial global, levando a blocos como a União Europeia a buscar diversificar suas alianças comerciais, como evidenciado pelo acordo UE-Mercosul. Recentemente, Trump intensificou sua estratégia, declarando a possibilidade de impor tarifas comerciais a países que não apoiarem seu plano para a Groenlândia, afirmando: "Posso impor uma tarifa aos países que não concordarem com a Groenlândia, porque precisamos da Groenlândia para a segurança nacional". Em 18 de janeiro de 2026, Trump ameaçou impor tarifas comerciais a oito aliados europeus que enviaram militares à Groenlândia a pedido da Dinamarca, levando a uma condenação generalizada e promessas de apoio à soberania dinamarquesa por parte dos líderes europeus. No cenário doméstico dos EUA, o plano de Trump enfrenta oposição bipartidária no Congresso, com parlamentares considerando legislar para restringir sua capacidade de anexar a Groenlândia, e a opinião pública americana, em sua maioria, desaprova a aquisição e o uso da força militar. A chegada de Trump ao Fórum Econômico Mundial em Davos, em 18 de janeiro de 2026, foi marcada por uma escalada de tensões com a União Europeia e pela intensificação de sua ofensiva tarifária relacionada à Groenlândia, abalando os alicerces da UE e da OTAN. No mesmo dia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reafirmou o compromisso da União Europeia em defender a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca, em um contexto de cooperação e apoio mútuo. Em meio a essas tensões, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, dialogou com Donald Trump em 18 de janeiro de 2026, buscando manter o diálogo e a cooperação dentro da aliança. Em 19 de janeiro de 2026, a Dinamarca cancelou sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, em resposta direta às ameaças de Trump sobre a Groenlândia, evidenciando a crescente deterioração das relações diplomáticas. As ameaças de Trump para adquirir a Groenlândia e impor tarifas a aliados europeus também provocaram críticas de seus próprios aliados da extrema direita na Europa, que viram na postura do presidente norte-americano uma violação da soberania nacional e uma ameaça aos interesses europeus, contradizendo princípios nacionalistas e de não-interferência. Líderes como Alice Weidel (AfD, Alemanha), Giorgia Meloni (primeira-ministra da Itália), Jordan Bardella (Reunião Nacional, França) e Nigel Farage (Reino Unido) condenaram as ações de Trump, alertando para os riscos à OTAN e à credibilidade da Europa. O Partido Popular da Dinamarca, alinhado aos valores do MAGA, também criticou a postura de Trump, reforçando a complexidade das reações políticas. Mais recentemente, em 22 de janeiro de 2026, Trump recuou de suas ameaças de uso de força para adquirir a Groenlândia, afirmando ter garantido um acordo de "acesso total" e "permanente" ao território. Contudo, em 23 de janeiro de 2026, ele declarou ao New York Post que os EUA terão soberania sobre as áreas de suas bases militares na Groenlândia, sugerindo um modelo similar ao de "áreas de base soberana" do Reino Unido no Chipre, onde o território das bases é considerado britânico. Em 28 de janeiro de 2026, o presidente da França, Emmanuel Macron, reafirmou o apoio europeu à Dinamarca e à Groenlândia, declarando que "a Groenlândia não está à venda, nem será tomada", e que os groenlandeses decidirão seu futuro. Em 29 de janeiro de 2026, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, expressou otimismo após conversas "muito construtivas" com os Estados Unidos sobre a Groenlândia, indicando um retorno a um "bom caminho" diplomático após um período de escalada de tensões. Ele também mencionou a necessidade de renegociar um tratado de 1951 sobre a mobilização de tropas americanas na ilha.
O interesse dos Estados Unidos na Groenlândia não é recente; o presidente Harry Truman tentou comprá-la após a Segunda Guerra Mundial, e o interesse americano remonta ao século XIX. No entanto, a questão ganhou proeminência internacional com Donald Trump. Durante seu primeiro mandato, Trump fez uma oferta para comprar a ilha, que foi prontamente recusada. Ao retornar à Casa Branca, ele intensificou sua retórica, citando razões de segurança nacional e o vasto potencial de recursos minerais da ilha.
Em março de 2025, o vice-presidente JD Vance visitou uma base militar americana na Groenlândia, acusando a Dinamarca de subinvestir na região. Em dezembro de 2025, Trump nomeou Jeff Landry, governador da Louisiana, como enviado especial para a Groenlândia, com a missão declarada de torná-la "parte dos EUA". Esta nomeação reacendeu as tensões, levando a uma forte reação da Dinamarca e da Groenlândia, que emitiram uma declaração conjunta reiterando a inviolabilidade de suas fronteiras e soberania, garantidas pelo direito internacional. O ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen, convocou o embaixador dos EUA em Copenhague para expressar seu descontentamento.
Em janeiro de 2026, a Casa Branca confirmou que Trump considerava a aquisição da Groenlândia uma prioridade de segurança nacional e que o uso de força militar era uma das opções avaliadas. Esta postura provocou uma resposta unida de países europeus, incluindo França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Polônia, Espanha e Dinamarca, que emitiram uma declaração conjunta afirmando que "a Groenlândia pertence ao seu povo" e que apenas Dinamarca e Groenlândia podem decidir seu futuro. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou que um ataque dos EUA à Groenlândia poderia significar o fim da OTAN.
Em 8 de janeiro de 2026, a agência de notícias Reuters divulgou que o governo americano estava considerando oferecer pagamentos diretos aos habitantes da Groenlândia, variando entre US$ 10 mil e US$ 100 mil por pessoa, como parte de um plano para incentivar a ilha a se separar da Dinamarca e, futuramente, integrar aos Estados Unidos. A proposta visa obter apoio político diante da relutância da Groenlândia e da Dinamarca. Outras opções em análise incluem o Compacto de Livre Associação (COFA), um modelo já utilizado com países do Pacífico que prevê assistência militar e serviços em troca de liberdade para bases americanas e incentivos comerciais, exigindo a saída da Groenlândia da jurisdição dinamarquesa. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, rejeitou publicamente as "fantasias sobre anexação". O Secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou que se reuniria em breve com seu homólogo dinamarquês para discutir o tema.
Em 9 de janeiro de 2026, Trump elevou o tom da retórica ao declarar publicamente que os Estados Unidos farão um acordo pela Groenlândia "do jeito fácil ou do jeito difícil". O presidente afirmou que a negociação ocorrerá "quer eles gostem ou não", embora tenha ressaltado que ainda não se discutem valores financeiros específicos para a aquisição. Essa declaração marcou uma transição de uma proposta de compra para uma ameaça explícita de aquisição não consensual. Em resposta imediata a essa declaração, o governo local da Groenlândia rebateu enfaticamente, afirmando que "não queremos ser americanos", reiterando sua posição de não desejar que seus cidadãos se tornem parte dos Estados Unidos e intensificando as tensões diplomáticas. No mesmo dia, em entrevista ao jornal "The New York Times", Trump afirmou que estava disposto a sacrificar a existência da OTAN para integrar a Groenlândia aos EUA, justificando que a aquisição é "psicologicamente necessária para o sucesso" e que ele "não precisa" do direito internacional, pois seus poderes presidenciais se limitam apenas à sua própria moralidade. Em resposta a essas declarações e à possibilidade de uma invasão, a Europa e a Dinamarca começaram a preparar planos de contingência.
Em 10 de janeiro de 2026, Donald Trump reafirmou o interesse dos EUA em adquirir o controle da Groenlândia, justificando a necessidade de deter o avanço de Rússia e China na região. Ele destacou que, apesar de os EUA já possuírem uma presença militar na ilha sob um acordo de 1951, o controle total da Groenlândia é crucial para a segurança nacional norte-americana e para a geopolítica no Ártico. No mesmo dia, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e outros quatro líderes partidários (Pele Broberg, Múte B. Egede, Aleqa Hammond e Aqqalu C. Jerimiassen) divulgaram um comunicado conjunto reiterando que "Não queremos ser americanos, não queremos ser dinamarqueses, queremos ser groenlandeses", e que o futuro da ilha deve ser decidido pelo povo groenlandês, sem interferência externa. Autoridades da Dinamarca, da Groenlândia e dos Estados Unidos se reuniram em Washington e planejam novos encontros para discutir a situação.
Em 13 de janeiro de 2026, o primeiro-ministro da Groenlândia reiterou que a ilha prefere permanecer com a Dinamarca a ser adquirida pelos EUA, em meio à ofensiva de Trump.
Em 14 de janeiro de 2026, a Dinamarca anunciou que a Groenlândia é "vital" para o "Domo de Ouro", um escudo antimísseis que ele deseja construir sobre o território americano até o fim de seu mandato. Ele explicou que a localização da ilha, entre os EUA e a Rússia, é a rota mais curta para mísseis balísticos russos e, portanto, um ponto estratégico para interceptadores de mísseis. A ilha também está na lacuna GIUK, um corredor naval crucial entre a Groenlândia, Islândia e Reino Unido, e o derretimento do gelo no Ártico abre novas rotas de navegação, o que exige a instalação de radares para monitorar embarcações chinesas e russas. Além da importância militar, a Groenlândia possui vastas reservas inexploradas de petróleo, gás, minerais críticos e elementos de terras raras, essenciais para tecnologias modernas. No mesmo dia, a Groenlândia e a Dinamarca anunciaram um reforço da presença militar na ilha e seus arredores, em "estreita colaboração" com aliados da OTAN. O Ministério da Defesa dinamarquês detalhou que os exercícios militares incluirão a proteção de instalações críticas, apoio às autoridades locais, recepção de tropas aliadas, mobilização de aeronaves de combate e resolução de tarefas navais. Este anúncio ocorreu após Trump questionar a capacidade dos países europeus de impedi-lo de tomar o controle do território, sugerindo que a OTAN deveria liderar o processo de aquisição da Groenlândia e afirmando que a ilha é "vital" para o "Domo de Ouro", um escudo antimísseis que ele deseja construir. Trump também alfinetou os aliados, dizendo que a OTAN não tem "força" sem o poder militar dos EUA. Em resposta às ameaças de Trump, países europeus, como Reino Unido e Alemanha, começaram a elaborar planos de contingência, incluindo a possibilidade de enviar tropas à Groenlândia e propor uma missão conjunta da OTAN para proteger a região do Ártico. Uma reunião entre autoridades da Groenlândia, Dinamarca e Estados Unidos na Casa Branca foi agendada para debater o futuro do território, com a participação do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, do vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, da ministra das Relações Exteriores groenlandesa, Vivian Motzfeldt, e do ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reiterou que o país não fará "concessões fundamentais".
Em 15 de janeiro de 2026, um avião da Força Aérea Real da Dinamarca pousou em Nuuk, capital da Groenlândia, desembarcando as primeiras tropas dinamarquesas no território ártico. A chegada das tropas dinamarquesas e de militares de outros países da OTAN, como Alemanha, França, Suécia e Noruega, que também prometeram enviar soldados, faz parte dos exercícios militares "Resistência Ártica" e visa reforçar a segurança na região. O presidente Trump reiterou que os EUA precisam da Groenlândia e que não se pode confiar na Dinamarca para proteger a ilha, deixando todas as opções em aberto, incluindo ação militar. Após a reunião em Washington, autoridades dinamarquesas e groenlandesas, incluindo Vivian Motzfeldt, e representantes dos EUA, concordaram em criar um grupo de trabalho para discutir as preocupações de segurança dos EUA, apesar do "desacordo fundamental" sobre o futuro da Groenlândia. As posições sobre a anexação permaneceram divergentes após as conversas na Casa Branca, com a Dinamarca estabelecendo "linhas vermelhas" e a Casa Branca reafirmando o objetivo de Trump.
Em 16 de janeiro de 2026, uma delegação bipartidária de congressistas americanos, liderada pelo senador democrata Chris Coons e incluindo os senadores republicanos Thom Tillis e Lisa Murkowski, reuniu-se com líderes da Dinamarca e da Groenlândia em Copenhague. O objetivo foi "amenizar a tensão" gerada pelas ameaças de Trump, com Coons afirmando que há "muita retórica, mas pouca realidade" na discussão em Washington. Murkowski expressou que a maioria dos americanos desaprova a aquisição e o uso da força. Parlamentares de ambos os partidos consideram legislar para restringir a capacidade de Trump de anexar a Groenlândia. No mesmo dia, Jeff Landry, enviado especial de Trump, afirmou que planeja visitar a Groenlândia em março e acredita que um acordo pode ser fechado, enquanto Trump ameaçou impor tarifas a países que não apoiarem seu plano.
Em 18 de janeiro de 2026, a Groenlândia agradeceu o apoio de nações europeias, incluindo França, Alemanha e Reino Unido, que enviaram pequenos grupos de militares à ilha a pedido da Dinamarca. A ministra da Groenlândia, Naaja Nathanielsen, destacou a coragem europeia diante das ameaças de tarifas punitivas de Trump. Líderes europeus alertaram para uma "perigosa espiral descendente" e prometeram manter o apoio à soberania da Dinamarca. Christian Keldsen, presidente da Associação Empresarial da Groenlândia, afirmou que as tarifas visam pressionar aliados da OTAN, não a economia groenlandesa. Milhares de manifestantes na Dinamarca e na Groenlândia protestaram, pedindo que a ilha determine seu próprio futuro. O ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lökke Rasmussen, anunciou visitas a Oslo, Londres e Estocolmo para discutir o fortalecimento da coordenação e dissuasão da OTAN no Ártico. Países nórdicos como Suécia, Finlândia e Noruega expressaram apoio à Dinamarca, condenando as ameaças de Trump e defendendo o diálogo. No mesmo dia, Donald Trump chegou a Davos para o Fórum Econômico Mundial, escalando a tensão com a União Europeia e intensificando sua ofensiva tarifária por conta da Groenlândia, o que abalou os alicerces da UE e da OTAN. Em 18 de janeiro de 2026, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou o compromisso da União Europeia em defender a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca, em um contexto de cooperação e apoio mútuo. Também em 18 de janeiro de 2026, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, dialogou com Donald Trump em meio às crescentes tensões entre os Estados Unidos e a Europa, com a questão da Groenlândia sendo um dos pontos centrais de atrito. Rutte expressou a intenção de continuar o trabalho e encontrar Trump em Davos.
Em 19 de janeiro de 2026, a Dinamarca cancelou sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, em resposta direta às ameaças de Trump sobre a Groenlândia, evidenciando a crescente deterioração das relações diplomáticas.
Em 21 de janeiro de 2026, em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, Trump insistiu na compra da Groenlândia, mas descartou o uso da força. Posteriormente, em reunião com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, Trump afirmou que os EUA e a aliança avançaram em um acordo envolvendo a Groenlândia e o Ártico, com a proposta de entrega de áreas da ilha para a construção de bases militares.
Em 22 de janeiro de 2026, Donald Trump recuou de suas ameaças de uso de força para adquirir a Groenlândia, afirmando ter garantido um acordo de "acesso total" e "permanente" ao território. No mesmo dia, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, elogiou a postura de Trump e se mostrou disposto a negociar uma maior participação norte-americana no território, mas reiterou que a soberania da ilha é uma "linha vermelha" e não aceitará ceder o governo nem parte dele para os Estados Unidos.
Em 23 de janeiro de 2026, Trump declarou ao New York Post que os EUA terão soberania sobre as áreas de suas bases militares na Groenlândia, sugerindo um modelo similar ao de "áreas de base soberana" do Reino Unido no Chipre.
Em 28 de janeiro de 2026, o presidente da França, Emmanuel Macron, se encontrou com os primeiros-ministros da Dinamarca e da Groenlândia em Paris, onde declarou publicamente o apoio da França ao Reino da Dinamarca e à autodeterminação da Groenlândia, afirmando que "a Groenlândia não está à venda, nem será tomada. Os groenlandeses decidirão seu futuro".
Em 29 de janeiro de 2026, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, expressou otimismo após conversas "muito construtivas" com os Estados Unidos sobre a Groenlândia. Ele afirmou que, embora as questões não estejam resolvidas, as discussões estão "no bom caminho" após um período de escalada, e que novas reuniões estão sendo planejadas. Rasmussen destacou que a Dinamarca compartilha as preocupações de segurança dos EUA em relação ao Ártico e busca cooperação. Ele também mencionou a necessidade de renegociar com o governo Trump um tratado de 1951 sobre a mobilização de tropas americanas na ilha.
As ameaças de Donald Trump de adquirir a Groenlândia e de impor tarifas comerciais a países europeus geraram críticas até mesmo entre seus aliados da extrema direita no continente. Essa reação inesperada destaca a tensão entre a ideologia nacionalista, que preza pela soberania e não-interferência em assuntos internos de outros países, e as ações intervencionistas de Trump. Líderes e partidos da ultradireita europeia condenaram a postura do presidente norte-americano, vendo-a como uma ameaça aos interesses nacionais e à autodeterminação da Europa.
Essas reações demonstram que a agenda de Trump para a Groenlândia gerou uma rara união de críticas em todo o espectro político europeu, incluindo setores que normalmente o apoiam, evidenciando a percepção de que suas ações representam uma ameaça direta à soberania e aos interesses europeus.
O "Golden Dome" - Domo de Ouro, em português - é um sistema de defesa antimísseis inspirado no Domo de Ferro de Israel e que foi anunciado por Trump em maio de 2025. O projeto é avaliado em US$ 175 bilhões (equivalente a R$ 1 trilhão) e está em desenvolvimento pelo Pentágono, com a meta de ser concluído até o final do mandato de Trump em 2029. Assim que assumiu o mandato em janeiro de 2025, Trump assinou um decreto para levar o projeto adiante, justificando-o pela ameaça de ataques balísticos, hipersônicos e de cruzeiro, e estabelecendo o objetivo de "paz pela força". Trump citou a ideia de Ronald Reagan para um sistema de defesa similar, afirmando que a tecnologia atual permite sua concretização.
O Domo de Ouro foi concebido para ser capaz de detectar e parar mísseis em todos os quatro estágios principais de um possível ataque: detectá-los e destruí-los antes do lançamento; interceptá-los no estágio inicial do voo; pará-los no meio do caminho no ar; e detê-los nos minutos finais enquanto descem em direção a um alvo. O projeto inclui quatro camadas de defesa: uma baseada em satélite e três em terra, com 11 baterias de curto alcance localizadas nos Estados Unidos continental, Alasca e Havaí. A primeira camada ficará baseada no espaço para alerta e rastreamento de mísseis, bem como sua defesa. As três camadas terrestres serão formadas por interceptadores de mísseis, conjuntos de radares e, potencialmente, lasers. Os EUA operam bases de lançamento GMD no sul da Califórnia e no Alasca, e o plano adicionaria uma terceira base no Centro-Oeste para combater ameaças adicionais. Esta nova base abrigaria interceptadores chamados NGI, de última geração, que fariam parte da "camada superior" junto com o sistema THAAD (Defesa Terminal de Área de Alta Altitude). Um dos principais objetivos do sistema Golden Dome é neutralizar alvos durante a chamada "fase de impulso" — o estágio inicial e previsível da trajetória de um míssil enquanto ele ainda está subindo pela atmosfera terrestre. O projeto busca implementar interceptadores baseados no espaço, capazes de reagir mais rapidamente e interceptar mísseis inimigos com maior eficiência. As últimas linhas de defesa, chamadas de "camada inferior" e "Defesa de Área Limitada", contarão com novos radares e sistemas já existentes, como o sistema de defesa antimísseis Patriot. Além disso, será implantado um novo lançador, projetado para disparar interceptadores atuais e futuros contra todos os tipos de ameaças.
As políticas econômicas de Donald Trump, caracterizadas por um forte protecionismo e a imposição de tarifas, tiveram um impacto significativo nas relações comerciais globais. A aplicação de um "tarifaço" a produtos europeus, com taxas de 15% para entrada no mercado americano, levou a União Europeia a buscar a diversificação de suas alianças comerciais, como no acordo com o Mercosul. Este acordo, embora enfrentando resistência interna de agricultores europeus, foi impulsionado por países como Alemanha e Espanha, que buscavam apoiar seus exportadores e reduzir a dependência de mercados afetados pelas políticas tarifárias dos EUA. A UE implementou salvaguardas, reduziu tarifas de fertilizantes, antecipou subsídios agrícolas e impôs novas restrições a agrotóxicos para mitigar as preocupações dos produtores locais e viabilizar o acordo, demonstrando a complexidade das dinâmicas comerciais em resposta às pressões geopolíticas. A ameaça de Trump de impor tarifas a países que não apoiarem seu plano para a Groenlândia, justificando-o pela segurança nacional, adiciona uma nova camada de pressão e incerteza às relações comerciais internacionais. Em 18 de janeiro de 2026, Trump ameaçou impor tarifas comerciais a oito aliados europeus que enviaram militares à Groenlândia, gerando condenação e promessas de apoio à soberania dinamarquesa por parte dos líderes europeus, que alertaram para uma "perigosa espiral descendente" nas relações transatlânticas. A chegada de Trump a Davos no mesmo dia, para o Fórum Econômico Mundial, serviu como palco para a escalada dessas tensões e a intensificação de sua ofensiva tarifária, com implicações para a União Europeia e a OTAN. No mesmo dia, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou o compromisso da União Europeia em defender a soberania da Groenlândia e do Reino da Dinamarca. Em 19 de janeiro de 2026, a Dinamarca cancelou sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, em um claro sinal de protesto contra as ameaças de Trump relacionadas à Groenlândia. As ameaças de Trump de impor tarifas a aliados europeus também provocaram críticas de seus próprios aliados da extrema direita no continente, que viram na postura do presidente norte-americano uma violação da soberania nacional e uma ameaça aos interesses europeus, contradizendo princípios nacionalistas e de não-interferência. Em 22 de janeiro de 2026, Trump recuou de suas ameaças de uso de força, mas em 23 de janeiro de 2026, ele propôs que os EUA teriam soberania sobre as áreas de suas bases militares na Groenlândia, o que pode impactar futuras negociações comerciais e diplomáticas com a Dinamarca e a União Europeia, dependendo de como essa nova abordagem for recebida. Em 28 de janeiro de 2026, o presidente francês Emmanuel Macron reforçou o apoio europeu à Dinamarca e à Groenlândia, condenando as pressões de Trump e defendendo a autodeterminação da ilha. Em 29 de janeiro de 2026, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, expressou otimismo após conversas "muito construtivas" com os Estados Unidos, indicando uma possível desescalada das tensões e um retorno ao diálogo, com a perspectiva de renegociar o tratado de 1951 sobre a mobilização de tropas americanas na ilha.