A Tragédia de Brumadinho, ocorrida em 25 de janeiro de 2019, foi o rompimento da barragem da mineradora Vale em Minas Gerais, resultando em 272 mortes e vastos danos ambientais. O desastre é um marco na discussão sobre segurança de barragens e responsabilização corporativa no Brasil, com as audiências de instrução do processo criminal, que pode responsabilizar 15 indivíduos, tendo iniciado sete anos após o ocorrido. A tragédia continua a gerar impactos ambientais devido à remobilização dos rejeitos por enchentes, e a busca por justiça e reparação segue sendo um ponto central para as vítimas e a sociedade.
A Tragédia de Brumadinho refere-se ao rompimento da barragem da mineradora Vale, ocorrido em 25 de janeiro de 2019, no município de Brumadinho, Minas Gerais. Este desastre resultou na morte de 272 pessoas e causou extensos danos ambientais e sociais. O evento é considerado uma das maiores tragédias do Brasil e gerou debates sobre a segurança de barragens e a responsabilização de empresas. Após sete anos do ocorrido, a Justiça brasileira inicia as audiências de instrução do processo criminal, com a possibilidade de responsabilização de 15 indivíduos.
O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho ocorreu sete anos após um desastre semelhante em Mariana, Minas Gerais, o que levou ativistas a descreverem a tragédia de Brumadinho como uma "tragédia anunciada". Investigações posteriores indicaram que a empresa tinha conhecimento de problemas na barragem e da necessidade de manutenção, mas não agiu adequadamente. A sirene de alerta, que deveria ter avisado a população sobre o iminente rompimento, não tocou, contribuindo para o elevado número de vítimas. A falta de responsabilização criminal sete anos após o ocorrido é um ponto de crítica por parte das famílias das vítimas e ativistas, que clamam por justiça e reparação. O caso de Brumadinho é frequentemente associado a outros desastres ambientais no Brasil, como o rompimento da barragem de Mariana (2015) e o afundamento do solo em Maceió (desde 2018), nos quais a falta de punição criminal dos responsáveis também é uma constante. Especialistas, como a jornalista Cristina Serra, criticam a irresponsabilidade das mineradoras, que priorizam o lucro em detrimento da segurança, e a falha dos órgãos públicos de fiscalização, que muitas vezes não exercem seu papel de forma eficaz, aceitando documentos sem verificação in loco.
Um estudo realizado pelo Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (Nucab) revelou que as consequências ambientais do rompimento da barragem Córrego do Feijão são mais extensas do que se imaginava. Os rejeitos da barragem alcançaram uma área de ao menos 2,4 mil hectares, impulsionados por enchentes que atingiram municípios da região em 2020 e 2022. A pesquisa quantificou o fenômeno denominado "Dano Contínuo Subsequente", demonstrando que eventos hidrológicos extremos transportam contaminantes e expandem ativamente as consequências do desastre original. A enchente de 2022, por exemplo, resultou em um aumento de 119,1% nos impactos medidos por índices minerais na região do médio Paraopeba. A Vale, por sua vez, informou que análises realizadas após as enchentes de 2022 por empresas especializadas em cerca de 100 amostras coletadas na bacia do rio Paraopeba concluíram que os sedimentos não apresentavam semelhança com os rejeitos da barragem.