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Tensão Irã x EUA
Adicionado evento de 12/01/2026 sobre a declaração de Ali Khamenei comparando Donald Trump a um faraó.
A relação entre o Irã e os Estados Unidos é marcada por décadas de antagonismo geopolítico, caracterizada por sanções econômicas, disputas sobre o programa nuclear iraniano e acusações mútuas de interferência interna. Recentemente, a tensão escalou para um novo patamar de confronto direto e retórico. Enquanto o Irã acusa formalmente os EUA e Israel de desestabilizarem o país através do envio de mercenários e apoio a manifestações violentas, o governo americano ameaça com intervenção militar caso a repressão estatal resulte em mortes de civis. O cenário interno iraniano é de grave instabilidade, com protestos em larga escala em 25 das 31 províncias, motivados por uma crise econômica severa, resultando em dezenas de mortes e um endurecimento das punições judiciais contra os opositores. O Irã, por sua vez, alertou que retaliará contra Israel e bases militares dos Estados Unidos na região caso seja alvo de um ataque americano, considerando-os "alvos legítimos".
As relações diplomáticas entre Teerã e Washington têm sido hostis desde a Revolução Islâmica de 1979. Nos últimos anos, o cenário de confronto se intensificou em fóruns globais e nas ruas. Em janeiro de 2026, o governo iraniano elevou o tom das críticas ao enviar uma comunicação oficial à Organização das Nações Unidas (ONU), argumentando que os Estados Unidos estão diretamente envolvidos na incitação de protestos violentos.
Em 9 de janeiro de 2026, o Ministério da Inteligência do Irã acusou formalmente "mercenários dos EUA e do regime sionista" (Israel) de realizarem disparos e incendiarem locais sagrados, como o santuário de Hazrat Sabzghaba em Dezful, além de bancos e mesquitas. Paralelamente, o presidente americano Donald Trump declarou que os EUA estão prontos para agir e atingir o Irã "onde mais dói" se o regime começar a matar manifestantes. Em 10 de janeiro de 2026, Trump advertiu os líderes iranianos de que haverá um "inferno a ser pago" se eles reprimirem o movimento de protesto, embora sua abordagem geral seja descrita como cautelosa apesar da retórica agressiva. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, rebateu as ameaças chamando os manifestantes de "vândalos" e "sabotadores" que agem para agradar Washington, reafirmando que seu governo não recuará. Internamente, há divergências de tom: enquanto Khamenei foca na repressão, o presidente Masoud Pezeshkian pediu "máxima moderação" e diálogo com as reivindicações do povo. Em 11 de janeiro de 2026, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou que Israel e bases militares dos EUA na região seriam "alvos legítimos" para retaliação caso o Irã fosse atacado. Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, afirmou que o Irã está "em plena guerra" e que alguns "incidentes" foram "orquestrados no exterior". Os EUA classificaram as acusações iranianas de "delirantes", uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime. Em 12 de janeiro de 2026, Ali Khamenei comparou Donald Trump a um faraó e alertou para a "queda de tiranos", intensificando a retórica anti-americana em meio aos protestos internos.
O estopim para a atual onda de instabilidade foi uma crise econômica profunda que atingiu o Irã no final de 2025. A moeda nacional, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no último ano, e a inflação ultrapassou a marca de 40% em dezembro. O que começou como protestos contra o custo de vida em Teerã evoluiu para demandas políticas pela renúncia de Khamenei e até pedidos pelo retorno da dinastia Pahlavi, tornando-se a maior demonstração de oposição ao regime desde 2009. Este movimento é o maior desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini. A crise ocorre em um momento de fragilidade para o Irã, após a guerra com Israel e sanções da ONU sobre seu programa nuclear. Em resposta, o governo intensificou a repressão, implementou apagões de internet em escala nacional e passou a ameaçar manifestantes com a aplicação da pena de morte, classificando os atos como terrorismo orquestrado por potências estrangeiras. Segundo o grupo de direitos humanos HRANA, os protestos já resultaram em pelo menos 116 mortes.