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Tensão Irã x EUA
Adicionado evento de 15/01/2026 sobre Donald Trump afastando ação militar contra o Irã, aliviando tensões geopolíticas e impactando positivamente o Ibovespa Futuro.
A relação entre o Irã e os Estados Unidos é marcada por décadas de antagonismo geopolítico, caracterizada por sanções econômicas, disputas sobre o programa nuclear iraniano e acusações mútuas de interferência interna. Recentemente, a tensão escalou para um novo patamar de confronto direto e retórico. Enquanto o Irã, através de seu embaixador na ONU Amir Saeid Iravani, acusa formalmente os EUA e Israel de desestabilizarem o país através do envio de mercenários e apoio a manifestações violentas, e Donald Trump de criar um "pretexto" para intervenção militar, o governo americano ameaça com intervenção militar caso a repressão estatal resulte em mortes de civis. O cenário interno iraniano é de grave instabilidade, com protestos em larga escala em 25 das 31 províncias, motivados por uma crise econômica severa, resultando em centenas de mortes e um endurecimento das punições judiciais contra os opositores. O Irã, por sua vez, alertou que retaliará contra Israel e bases militares dos Estados Unidos na região caso seja alvo de um ataque americano, considerando-os "alvos legítimos". Teerã informou aos países vizinhos, como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Turquia, que as bases dos EUA em seus territórios seriam atacadas em caso de bombardeio americano. Os EUA, por sua vez, estão considerando "opções muito fortes", incluindo ataques militares, armas cibernéticas e novas sanções, em resposta à repressão dos protestos. Em uma escalada econômica, os EUA anunciaram a imposição de uma tarifa de 25% sobre transações comerciais com o Irã, com impacto potencial em países como o Brasil. O Irã também tem culpado os Estados Unidos e Israel pelas mortes de manifestantes, acusando-os de incitar a violência interna e ameaçar a soberania do país, e solicitou ao Conselho de Segurança da ONU que condene as declarações de Trump. Em resposta a possíveis execuções de manifestantes, Donald Trump declarou que os EUA tomarão "medidas muito duras", e incentivou os manifestantes a "guardar os nomes dos assassinos", prometendo que eles "vão pagar um preço muito alto". O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, sugeriu que o regime iraniano está em seus "últimos dias e semanas", devido à repressão violenta. Apesar da pressão de rivais do Irã no Oriente Médio para que os EUA não ataquem o país, autoridades da Casa Branca consideram um bombardeio como provável, com o objetivo de derrubar o regime do aiatolá Ali Khamenei. No entanto, Donald Trump posteriormente afastou a possibilidade de uma ação militar contra o Irã, citando que as mortes na repressão estavam diminuindo. A repressão aos protestos já resultou em cerca 2.500 mortes, segundo ONGs de direitos humanos, e um oficial iraniano afirmou ao "The New York Times" que ao menos 3.000 pessoas morreram. O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou horror com a situação. A ONG Iran Human Rights (IHRNGO) alerta para o risco de execuções em massa de manifestantes, como o caso de Erfan Soltani, que teve sua execução marcada para 14 de janeiro de 2026 sem acesso a advogado ou julgamento justo, embora a execução tenha sido posteriormente adiada após a fala de Trump.
As relações diplomáticas entre Teerã e Washington têm sido hostis desde a Revolução Islâmica de 1979. Nos últimos anos, o cenário de confronto se intensificou em fóruns globais e nas ruas. Em janeiro de 2026, o governo iraniano elevou o tom das críticas ao enviar uma comunicação oficial à Organização das Nações Unidas (ONU), argumentando que os Estados Unidos estão diretamente envolvidos na incitação de protestos violentos.
Em 9 de janeiro de 2026, o Ministério da Inteligência do Irã acusou formalmente "mercenários dos EUA e do regime sionista" (Israel) de realizarem disparos e incendiarem locais sagrados, como o santuário de Hazrat Sabzghaba em Dezful, além de bancos e mesquitas. Paralelamente, o presidente americano Donald Trump declarou que os EUA estão prontos para agir e atingir o Irã "onde mais dói" se o regime começar a matar manifestantes. Em 10 de janeiro de 2026, Trump advertiu os líderes iranianos de que haverá um "inferno a ser pago" se eles reprimirem o movimento de protesto, embora sua abordagem geral seja descrita como cautelosa apesar da retórica agressiva. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, rebateu as ameaças chamando os manifestantes de "vândalos" e "sabotadores" que agem para agradar Washington, reafirmando que seu governo não recuará. Internamente, há divergências de tom: enquanto Khamenei foca na repressão, o presidente Masoud Pezeshkian pediu "máxima moderação" e diálogo com as reivindicações do povo. Em 11 de janeiro de 2026, o presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou que Israel e bases militares dos EUA na região seriam "alvos legítimos" para retaliação caso o Irã fosse atacado. Ali Larijani, conselheiro do aiatolá e chefe da principal agência de segurança do país, afirmou que o Irã está "em plena guerra" e que alguns "incidentes" foram "orquestrados no exterior". Os EUA classificaram as acusações iranianas de "delirantes", uma tentativa de desviar a atenção dos desafios internos do regime. Em 12 de janeiro de 2026, Ali Khamenei comparou Donald Trump a um faraó e alertou para a "queda de tiranos", intensificando a retórica anti-americana em meio aos protestos internos. No mesmo dia, Trump afirmou que as Forças Armadas americanas estão considerando "opções muito fortes" em relação ao Irã, incluindo ataques militares, armas cibernéticas e novas sanções. Ele também mencionou que as autoridades iranianas o teriam procurado para negociar, mas que uma ação pode ser necessária antes de um encontro. O governo iraniano, por sua vez, anunciou três dias de luto pelos "mártires" mortos em uma "batalha nacional contra os EUA e Israel" e convocou seus apoiadores para marchas pró-governo. Ainda em 12 de janeiro de 2026, Donald Trump anunciou a imposição imediata de uma tarifa de 25% sobre quaisquer e todas as transações comerciais realizadas com o Irã, medida que pode afetar países como o Brasil, que teve um volume de comércio significativo com o Irã em 2025. O presidente americano também está avaliando uma proposta de última hora para conter o programa nuclear iraniano, tema central na guerra entre Israel e Irã em junho de 2024. Em 13 de janeiro de 2026, a defesa de Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, solicitou que o plenário do STF reavalie sua condenação, que já totaliza mais de 27 anos de prisão. No mesmo dia, em carta enviada à ONU, o Irã, através de seu embaixador Amir Saeid Iravani, culpa os EUA e Israel pelas mortes de manifestantes e por incitar a violência, acusando o governo norte-americano de ameaçar uma intervenção militar e alimentar "fantasias" de mudança de regime. Esta carta foi enviada horas depois de Trump usar as redes sociais para encorajar os manifestantes, afirmando que "a ajuda está a caminho" e que analisava opções para "vencer", citando ações militares na Venezuela e no próprio Irã. O Irã pediu ao Conselho de Segurança da ONU que condene as declarações de Trump. Em 13 de janeiro de 2026, Donald Trump declarou que os EUA tomarão "medidas muito duras" se o Irã enforcar manifestantes. No mesmo dia, Trump se dirigiu diretamente aos manifestantes iranianos, pedindo para que eles "guardassem os nomes dos assassinos e dos que estão maltratando vocês", prometendo que "eles vão pagar um preço muito alto". Ele também reiterou o incentivo para que os manifestantes continuassem protestando e tomassem as instituições, afirmando que a "ajuda" dos EUA "está a caminho". O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou que o regime dos aiatolás no Irã está em seus "últimos dias e semanas", devido à repressão violenta, e que a Alemanha está em contato com os EUA e governos europeus sobre a situação. Também em 13 de janeiro de 2026, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, se disse "horrorizado" com a repressão das forças de segurança iranianas aos protestos pacíficos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que a situação no país estava "sob controle total" e acusou a ameaça de Trump de motivar "terroristas" a atacar manifestantes e forças de segurança. No mesmo dia, a ONG curdo-iraniana Hengaw divulgou que o manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, preso em Karaj, deverá ser executado em 14 de janeiro de 2026, sem ter tido acesso a advogado ou audiência em tribunal, o que gerou preocupação da ONG Iran Human Rights (IHRNGO) sobre o risco de execuções em massa. Em 14 de janeiro de 2026, o embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, envia um documento acusando Donald Trump de criar um "pretexto" para uma intervenção militar no Irã, após Trump incitar a população iraniana a protestar e ocupar instituições. Nesta mesma data, um oficial iraniano de alto escalão informou à agência Reuters que o Irã avisou países vizinhos que atacará bases militares dos EUA em seus territórios caso seja bombardeado. Em resposta a essa ameaça, alguns integrantes da Base Aérea de Al Udeid, no Catar, foram orientados a deixar o local. O governo iraniano também afirmou que acelerará o processamento dos presos nos protestos, indicando a possibilidade de mais execuções.
O estopim para a atual onda de instabilidade foi uma crise econômica profunda que atingiu o Irã no final de 2025. A moeda nacional, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar no último ano, e a inflação ultrapassou a marca de 40% em dezembro. O que começou como protestos contra o custo de vida em Teerã evoluiu para demandas políticas pela renúncia de Khamenei e até pedidos pelo retorno da dinastia Pahlavi, tornando-se a maior demonstração de oposição ao regime desde 2009. Este movimento é o maior desde os protestos de 2022, após a morte de Mahsa Amini. A crise ocorre em um momento de fragilidade para o Irã, após a guerra com Israel e sanções da ONU sobre seu programa nuclear. Em resposta, o governo intensificou a repressão, implementou apagões de internet em escala nacional e passou a ameaçar manifestantes com a aplicação da pena de morte, classificando os atos como terrorismo orquestrado por potências estrangeiras. Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), os protestos já resultaram em 538 mortes, incluindo 490 manifestantes e 48 policiais, e mais de 10.670 pessoas detidas até 11 de janeiro de 2026. No entanto, um membro do governo iraniano afirmou à Reuters que a repressão já deixou cerca de 2.000 pessoas mortas, culpando os manifestantes, chamados de "terroristas", pelas mortes de cidadãos e agentes de segurança. Organizações de direitos humanos e fontes do governo iraniano afirmam que pelo menos 2.000 pessoas já morreram nos protestos e mais de 16.000 manifestantes foram detidos. A HRANA também reportou que ao menos 10.000 pessoas foram detidas até 12 de janeiro de 2026. Atualmente, ONGs de direitos humanos que monitoram a situação no país relatam que as mortes nos protestos já passaram de 2.500. Um oficial iraniano afirmou ao jornal "The New York Times" que ao menos 3.000 pessoas morreram. Imagens de necrotérios próximos a Teerã mostraram cerca de 180 corpos, e relatos indicam que corpos foram removidos em caminhões e enterrados às pressas para limitar a identificação. O governo iraniano impôs um bloqueio de internet, dificultando a comunicação e a obtenção de informações, e drones têm sido usados para rastrear manifestantes. Trump afirmou que conversaria com Elon Musk sobre a restauração do acesso à internet no Irã via Starlink. O governo iraniano também anunciou que acelerará o processamento dos presos nos protestos, que ONGs afirmam ultrapassar os 10 mil, uma indicação de que estaria disposto a realizar mais execuções. A execução de Erfan Soltani, inicialmente agendada para 14 de janeiro de 2026, foi adiada. Donald Trump declarou que havia sido informado de que as mortes na repressão estavam diminuindo.
Rivais do Irã no Oriente Médio, como Arábia Saudita, Omã e Catar, estão pressionando os Estados Unidos para que não ataquem o país. Esses países alertaram a Casa Branca que uma ofensiva militar poderia afetar negativamente o mercado de petróleo, interromper o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz (por onde passa cerca de um quinto da produção mundial) e provocar repercussões internas capazes de gerar instabilidade regional, além de prejudicar a economia dos Estados Unidos. A Arábia Saudita, em particular, garantiu que não participará de um conflito e não autorizará o uso de seu espaço aéreo para ataques contra o Irã. Internamente nos EUA, há um debate sobre a abordagem, com o vice-presidente J.D. Vance defendendo uma solução diplomática, embora autoridades da Casa Branca considerem um bombardeio ao Irã como provável. A Rússia, por sua vez, condenou a "interferência" dos EUA no Irã e alertou que novos ataques ao país podem ter "consequências desastrosas". O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, reiterou que o regime iraniano está em seus "últimos dias e semanas", e que a Alemanha está em contato com os EUA e governos europeus sobre a situação. Ele observou que as exportações alemãs para o Irã caíram 25% nos primeiros 11 meses, representando menos de 0,1% do total das exportações alemãs, indicando uma redução nos laços comerciais. Em 15 de janeiro de 2026, o governo dos EUA emitiu um alerta determinando que todos os cidadãos americanos deixassem o Irã imediatamente. Canadá, França e Polônia adotaram medidas semelhantes. O Reino Unido fechou temporariamente a embaixada em Teerã e pediu que cidadãos britânicos evitassem viajar também para Israel. Autoridades alemãs emitiram uma diretriz alertando companhias aéreas do país a evitar o espaço aéreo iraniano, que foi posteriormente fechado pelo Irã para voos internacionais, com exceção de voos com origem ou destino a Teerã. Após declarações de Donald Trump afastando a possibilidade de uma ação militar contra o Irã, as tensões geopolíticas foram aliviadas, impactando positivamente os mercados globais, com o Ibovespa Futuro operando em alta.