Visão geral
A tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela intensificou-se significativamente no final de 2025 e início de 2026, marcada por uma transição de sanções econômicas para o controle direto dos recursos venezuelanos pelos EUA. Após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, a administração de Donald Trump passou a intermediar diretamente a comercialização do petróleo venezuelano. Sob um novo arranjo econômico, a receita das vendas é depositada em contas controladas pelos EUA e destinada prioritariamente à compra de produtos americanos. A presidente Delcy Rodríguez tem sinalizado abertura para relações energéticas de benefício mútuo, enquanto líderes regionais como Lula e Gustavo Petro acompanham a crise com preocupação. O setor privado americano, liderado por gigantes como a Chevron, avalia a expansão de operações sob este novo paradigma.
Contexto e histórico
As relações entre os Estados Unidos e a Venezuela deterioraram-se acentuadamente sob a presidência de Nicolás Maduro, a quem os EUA acusavam de liderar um regime ilegítimo vinculado ao narcotráfico. Após anos de sanções iniciadas em 2019, a estratégia americana mudou drasticamente em janeiro de 2026 com a captura de Maduro. O governo Trump passou a administrar os ativos petrolíferos do país, estabelecendo que empresas estrangeiras devem negociar diretamente com Washington para adquirir o óleo venezuelano. A China, historicamente o maior comprador da Venezuela (responsável por 68% das exportações recentes), agora enfrenta um cenário onde deve negociar com os EUA para manter seu suprimento. No âmbito corporativo, a Chevron manteve operações limitadas no país, enquanto outras gigantes como ExxonMobil e ConocoPhillips haviam deixado o território venezuelano há quase duas décadas após nacionalizações.
Resposta do Setor Privado e Atores Corporativos
Com a nova administração dos recursos venezuelanos pelos EUA, petroleiras americanas começaram a reavaliar sua presença no país. A Chevron, que já possui operações ativas, serve como modelo para os novos termos de negociação. Empresas que saíram do país há cerca de 20 anos, como Exxon e Conoco, pesam as oportunidades de retorno ao mercado venezuelano frente aos riscos políticos persistentes. Investidores internacionais expressam cautela, monitorando a segurança jurídica e a estabilidade do novo arranjo liderado por Washington antes de realizarem novos aportes de capital.
Linha do tempo
- 10 de dezembro de 2025: Forças militares dos EUA interceptam e apreendem um navio petroleiro no Mar do Caribe.
- 16 de dezembro de 2025: Donald Trump anuncia bloqueio total a petroleiros alvos de sanções.
- 18 de dezembro de 2025: Caças F-18 sobrevoam o Caribe e os EUA realizam ataques contra embarcações no Pacífico.
- 19 de dezembro de 2025: Trump não descarta guerra; Maduro se autoproclama "Arquiteto da Paz".
- 03 de janeiro de 2026: Nicolás Maduro é capturado por forças dos EUA em território venezuelano; Delcy Rodríguez assume a presidência.
- 08 de janeiro de 2026: Jorge Rodríguez anuncia libertação unilateral de prisioneiros, incluindo Rocío San Miguel e Enrique Márquez, como gesto de paz.
- 09 de janeiro de 2026:
- Donald Trump afirma que o petróleo venezuelano será negociado diretamente pelos EUA, declarando que a China pode comprar o óleo desde que negocie com Washington.
- Os EUA anunciam que refinarão e venderão até 50 milhões de barris de petróleo bruto da Venezuela.
- O Departamento de Energia dos EUA inicia a comercialização imediata do petróleo, com receitas depositadas em contas controladas pelos americanos em bancos globais.
- É revelado um acordo onde a Venezuela destinará a receita das vendas exclusivamente para a compra de produtos fabricados nos EUA, como alimentos, medicamentos e equipamentos elétricos.
- A estatal PDVSA confirma avanço nas negociações com os EUA em termos semelhantes aos mantidos com a Chevron.
- Empresas como Exxon e Conoco avaliam retorno à Venezuela após quase 20 anos de ausência, enquanto investidores demonstram preocupação com riscos operacionais.
Principais atores
- Estados Unidos da América: Sob Donald Trump, assumiram o controle das negociações do petróleo venezuelano e da gestão das receitas resultantes.
- Venezuela: Liderada por Delcy Rodríguez, busca estabilizar a economia através de novos acordos energéticos com os EUA.
- Donald Trump: Presidente dos EUA, centralizou as negociações do petróleo e vinculou as vendas à compra de produtos americanos.
- Delcy Rodríguez: Presidente da Venezuela, afirmou estar aberta a relações energéticas que beneficiem todas as partes.
- Departamento de Energia dos EUA: Órgão responsável por gerir as contas bancárias onde são depositados os recursos do petróleo venezuelano.
- PDVSA: Estatal petrolífera venezuelana que negocia termos de operação com o governo americano.
- Chevron: Única grande petroleira americana que manteve operações contínuas e serve de referência para o novo modelo de exploração.
- Exxon e Conoco: Empresas que deixaram a Venezuela há quase 20 anos e agora avaliam o retorno ao mercado.
- China: Principal comprador histórico de petróleo venezuelano, agora dependente de negociações com os EUA.
- Nicolás Maduro: Capturado pelos EUA em 3 de janeiro de 2026.
- Jorge Rodríguez: Presidente da Assembleia Nacional, mediador das libertações de prisioneiros.
Termos importantes
- Contas Controladas: Contas em bancos globais sob supervisão dos EUA onde ficam retidos os valores das vendas de petróleo venezuelano.
- Acordo de Contrapartida: Compromisso da Venezuela de usar créditos das vendas de petróleo para adquirir exclusivamente produtos agrícolas e médicos americanos.
- Narcotráfico: Justificativa central usada pelos EUA para a operação militar que resultou na captura de Maduro.
- Soberania: Conceito em disputa diante da administração direta de recursos naturais venezuelanos por uma potência estrangeira.