Visão geral
A tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela intensificou-se significativamente no final de 2025, marcada por uma série de ações e declarações hostis de ambos os lados. Os Estados Unidos, sob a administração do Presidente Donald Trump, implementaram sanções econômicas, especialmente no setor petrolífero venezuelano, aumentaram a presença militar no Caribe e capturaram o presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, sob alegação de envolvimento em crimes de narcotráfico. A Venezuela, agora liderada pela presidente Delcy Rodríguez após o sequestro de Maduro, reagiu denunciando as ações americanas como violações do direito internacional e ameaças à sua soberania, ao mesmo tempo em que buscou formas de contornar as sanções e realizou libertações unilaterais de prisioneiros como gesto de paz. Líderes regionais, como os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil e Gustavo Petro da Colômbia, expressaram "grande preocupação" com os eventos recentes.
Contexto e histórico
As relações entre os Estados Unidos e a Venezuela têm sido historicamente complexas, mas deterioraram-se acentuadamente sob a presidência de Nicolás Maduro. Os EUA não reconhecem a legitimidade do governo Maduro, acusando-o de ser um "regime ilegítimo" e de envolvimento em atividades ilícitas como narcotráfico e terrorismo. Desde 2019, a administração Trump impôs diversas sanções ao setor petrolífero venezuelano, buscando pressionar pela saída de Maduro, culminando na sua captura pelos EUA em janeiro de 2026. A Venezuela, por sua vez, acusa os EUA de intervencionismo e de tentar desestabilizar seu governo.
Linha do tempo
- 10 de dezembro de 2025: Forças militares dos EUA interceptam e apreendem um navio petroleiro no Mar do Caribe, próximo à costa venezuelana.
- 16 de dezembro de 2025: O Presidente Donald Trump declara que a Venezuela está "completamente cercada" e anuncia um bloqueio total a petroleiros alvos de sanções que entram e saem do país.
- 18 de dezembro de 2025:
- Caças F-18 da Marinha dos EUA, juntamente com outras aeronaves militares de reconhecimento, sobrevoam a região do Mar do Caribe, com alguns se aproximando a menos de 100 km de Caracas.
- Os EUA realizam um ataque contra duas embarcações no Oceano Pacífico, resultando na morte de cinco homens, sob a alegação de ligação com o tráfico internacional de drogas.
- 19 de dezembro de 2025:
- O Presidente Donald Trump afirma em entrevista que não descarta a possibilidade de uma guerra com a Venezuela e que haverá novas apreensões de petroleiros venezuelanos.
- O governo venezuelano rejeita a "ameaça grotesca" e o bloqueio, classificando-os como "absolutamente irracionais" e violadores do livre comércio e da navegabilidade, prometendo recorrer à ONU.
- Nicolás Maduro se autoproclama "Arquiteto da Paz" em um evento, uma semana após a líder da oposição María Corina Machado ter recebido o Nobel da Paz.
- O Secretário de Estado americano, Marco Rubio, não descarta um possível encontro entre Trump e Maduro e reconhece a boa vontade do Brasil em mediar a crise.
- 03 de janeiro de 2026: Nicolás Maduro é sequestrado/capturado pelos Estados Unidos, levando Delcy Rodríguez a assumir a presidência da Venezuela.
- 08 de janeiro de 2026:
- O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, anuncia a libertação unilateral de um número significativo de prisioneiros venezuelanos e estrangeiros como gesto de paz, descrito como reivindicação frequente da oposição.
- Entre os libertados está a ativista Rocío San Miguel, especialista em temas militares e diretora da ONG Control Ciudadano, detida desde 9 de fevereiro de 2024 no Helicoide, centro de inteligência classificado como "centro de tortura" por organizações de direitos humanos; ela foi vinculada a um suposto plano para assassinar Nicolás Maduro chamado "Bracelete Branco" e detida no aeroporto Simón Bolívar junto com sua filha.
- Outros libertados incluem o ex-candidato presidencial Enrique Márquez, do partido Centrados nas eleições de 28 de julho de 2024, detido desde 8 de janeiro de 2025 por recusar-se a reconhecer a vitória de Maduro; cidadãos espanhóis como Andrés Martínez Adasme, José María Basoa, Miguel Moreno e Ernesto Gorbe; e Rafael Tudares, genro de Edmundo González, principal adversário de Maduro nas eleições de 2024, detido desde 8 de janeiro de 2025, com sua libertação relatada pela imprensa internacional.
Principais atores
- Estados Unidos da América: Liderados pelo Presidente Donald Trump, implementaram sanções econômicas, ações militares e capturaram Nicolás Maduro.
- Venezuela: Liderada pela Presidente Delcy Rodríguez após o sequestro de Nicolás Maduro pelos EUA, denuncia as ações americanas como intervenção e ameaça à soberania.
- Donald Trump: Presidente dos EUA, principal formulador da política de pressão contra a Venezuela.
- Nicolás Maduro: Ex-presidente da Venezuela, sequestrado pelos EUA em janeiro de 2026.
- Delcy Rodríguez: Presidente da Venezuela desde janeiro de 2026, após o sequestro de Maduro.
- Jorge Rodríguez: Presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, anunciou libertações de prisioneiros.
- Rocío San Miguel: Ativista venezuelana de pais espanhóis, especialista em temas militares e diretora da ONG Control Ciudadano, libertada em 8 de janeiro de 2026 após detenção desde fevereiro de 2024 no Helicoide, vinculada ao suposto plano "Bracelete Branco" contra Maduro.
- Enrique Márquez: Ex-candidato presidencial pelo partido Centrados nas eleições de 2024, detido desde 8 de janeiro de 2025 por contestar a vitória de Maduro, libertado em 8 de janeiro de 2026.
- Rafael Tudares: Genro de Edmundo González, principal opositor de Maduro nas eleições de 2024, detido desde 8 de janeiro de 2025 e libertado em 8 de janeiro de 2026 segundo relatos da imprensa internacional.
- Edmundo González: Principal adversário de Nicolás Maduro nas eleições presidenciais de 2024.
- Marco Rubio: Secretário de Estado americano, porta-voz da política externa dos EUA.
- Brasil: Sob a presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, mencionado em agradecimentos por esforços de mediação e expressou preocupação com a crise em conversa com o presidente colombiano.
- Gustavo Petro: Presidente da Colômbia, expressou "grande preocupação" com a situação na Venezuela em conversa com Lula.
- José Luis Rodríguez Zapatero: Ex-primeiro-ministro espanhol, agradecido pelos esforços na mediação para libertações de prisioneiros.
- Qatar: Agradecido por Jorge Rodríguez por esforços em favor da Venezuela.
- Organização das Nações Unidas (ONU): Instituição à qual a Venezuela pretende recorrer para denunciar as ações dos EUA.
Termos importantes
- Sanções econômicas: Medidas punitivas impostas pelos EUA para restringir o comércio e as finanças da Venezuela, especialmente no setor petrolífero.
- Bloqueio total: Determinação dos EUA de impedir a entrada e saída de petroleiros venezuelanos alvos de sanções.
- Navios fantasmas/zumbis: Embarcações que alteram nome ou bandeira para contornar sanções e exportar petróleo venezuelano.
- Narcotráfico: Acusação dos EUA de que o governo venezuelano está envolvido no tráfico internacional de drogas, justificando ações militares no Caribe.
- Soberania: Princípio de que um Estado tem autoridade exclusiva sobre seu território e assuntos internos, frequentemente invocado pela Venezuela em resposta às ações dos EUA.