Tensão EUA x Venezuela
Adicionado evento de 11/01/2026 sobre o alerta de viagem dos EUA para a Venezuela e a resposta do governo venezuelano.
A tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela intensificou-se significativamente no final de 2025 e início de 2026, marcada por uma transição de sanções econômicas para o controle direto dos recursos venezuelanos pelos EUA. Após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, a administração de Donald Trump passou a intermediar diretamente a comercialização do petróleo venezuelano. Sob um novo arranjo econômico, a receita das vendas é depositada em contas controladas pelos EUA e destinada prioritariamente à compra de produtos americanos. Trump designou um grupo de supervisão composto por Marco Rubio (Secretário de Estado), Pete Hegseth (Defesa), Stephen Miller e JD Vance para administrar o país interinamente. Em 9 de janeiro de 2026, ambos os governos sinalizaram uma possível normalização diplomática, embora o cenário interno venezuelano permaneça marcado por repressão aguda, crise econômica e a influência de um conselho administrativo americano que planeja explorar o petróleo local por "muitos anos". No mesmo dia, o presidente Trump assinou uma ordem executiva para proteger as receitas do petróleo venezuelano mantidas em contas do Tesouro dos EUA de serem confiscadas por tribunais ou credores, garantindo que os fundos sejam usados para promover a "paz, prosperidade e estabilidade" na Venezuela. Em 10 de janeiro de 2026, a Venezuela anunciou o retorno de um navio petroleiro, em uma operação que Donald Trump atribuiu a um "grande acordo energético" entre os dois países. No mesmo dia, o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, indicou que o país avalia retirar novas sanções econômicas contra a Venezuela já na próxima semana, com o objetivo de incentivar o investimento de empresas americanas e garantir o apoio do sistema bancário dos EUA a essas operações. Os EUA também planejam vender até 50 milhões de barris de petróleo bruto venezuelano, com as vendas começando "imediatamente" e continuando por tempo indeterminado, e controlarão os recursos obtidos para benefício de ambos os povos. Em 11 de janeiro de 2026, Scott Bessent mencionou a possibilidade de liberar cerca de US$ 5 bilhões em ativos monetários venezuelanos congelados no Fundo Monetário Internacional (FMI), como parte de uma ampliação da retirada de sanções. No mesmo dia, os EUA mantiveram a Venezuela no nível máximo de recomendação de viagem, citando detenções arbitrárias e a impossibilidade de assistência consular, o que o governo venezuelano classificou como uma distorção da realidade e uma tentativa de criar uma "percepção de risco" infundada.
As relações entre os Estados Unidos e a Venezuela deterioraram-se acentuadamente sob a presidência de Nicolás Maduro, acusado de liderar o "Cartel de los Soles". Em agosto de 2025, os EUA dobraram a recompensa por Maduro para US$ 50 milhões. A estratégia mudou drasticamente em 3 de janeiro de 2026 com a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por forças de elite americanas em Caracas; ambos foram levados para uma penitenciária em Nova York. O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela designou Delcy Rodríguez como presidente interina por um período de 90 dias.
Internamente, a queda de Maduro não arrefeceu o controle estatal. Sob a liderança de Delcy Rodríguez, o regime mantém uma estrutura de poder onde Vladimir Padrino López (Defesa) e Diosdado Cabello (Interior) garantem o controle militar e policial. A repressão intensificou-se com o decreto de estado de emergência; relatos indicam a prisão de jornalistas e cidadãos, incluindo idosos detidos por comemorarem a queda de Maduro. A fiscalização policial tornou-se onipresente, com vistorias de celulares em busca de mensagens críticas ao governo. Em 10 de janeiro de 2026, grupos de direitos humanos relataram a libertação de 18 detentos de uma prisão venezuelana, um evento que ocorreu após a incursão militar dos EUA, embora o governo venezuelano não tenha confirmado oficialmente o número ou a identidade dos libertados. Em 11 de janeiro de 2026, os EUA reiteraram um alerta de viagem de nível máximo para a Venezuela, citando riscos de detenções arbitrárias e dificuldades de assistência consular, o que foi prontamente rebatido pelo governo venezuelano como uma distorção da realidade e uma tentativa de criar uma "percepção de risco".
A administração Trump utiliza o combate ao narcoterrorismo como pilar central. Antes da captura de Maduro, os EUA atacaram mais de 30 embarcações suspeitas de tráfico no Pacífico e Caribe. A operação de 3 de janeiro iniciou-se às 2h da manhã com explosões em Caracas, resultando em cerca de 100 mortes, segundo o governo venezuelano. A nova diretriz de Washington prevê o uso de forças terrestres para desmantelar cartéis, mantendo a pressão militar como ferramenta para garantir a cooperação energética do regime interino. Em 7 de janeiro de 2026, os EUA apreenderam um petroleiro vazio, de bandeira russa e com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico, como parte da estratégia para controlar o fluxo de petróleo e pressionar o governo venezuelano.
Com a nova administração dos recursos, a Venezuela concordou em entregar 50 milhões de barris de petróleo aos EUA — quase dois meses de produção. Trump afirmou que a exploração ocorrerá por "muitos anos" e que os recursos devem ser usados exclusivamente para comprar produtos americanos. No mercado financeiro, a crise provocou valorização nos contratos futuros de petróleo devido ao temor de interrupções na oferta global. Empresas como a Chevron seguem como modelos para a reconstrução da infraestrutura sob supervisão de Washington. Em 9 de janeiro de 2026, o presidente Trump se reuniu com executivos de petrolíferas como Exxon, Conoco e Chevron para incentivar um investimento de US$ 100 bilhões na indústria petrolífera venezuelana. No mesmo dia, ele assinou uma ordem executiva para proteger as receitas do petróleo venezuelano, depositadas em contas do Tesouro dos EUA, de reivindicações de credores privados, como a Exxon Mobil e a ConocoPhillips, que têm bilhões a receber do país. A ordem declara que o dinheiro é propriedade soberana da Venezuela, mantida sob custódia dos EUA para fins governamentais e diplomáticos, e não está sujeita a reivindicações privadas, citando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional e a Lei de Emergências Nacionais como base legal. O Departamento de Energia dos EUA informou que as receitas da venda de petróleo serão depositadas em contas controladas pelos EUA para garantir a legitimidade e integridade da distribuição final dos recursos, que serão feitos "em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA". Os EUA visam abrir o setor petrolífero da Venezuela para a atuação de grandes companhias americanas, que investirão bilhões para consertar a infraestrutura e gerar lucro, aproveitando a capacidade das refinarias americanas na Costa do Golfo de processar o petróleo pesado venezuelano.
A operação militar dividiu a comunidade internacional. Países como Rússia, China, Cuba e Irã condenaram a ação; a Rússia classificou-a como "agressão armada" no Conselho de Segurança da ONU. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou o ataque como uma afronta à soberania. Em contraste, o presidente argentino Javier Milei celebrou a operação.
Apesar das tensões, em 9 de janeiro de 2026, iniciou-se um processo exploratório para reabertura de embaixadas. Como gesto de paz, o governo venezuelano anunciou a libertação de prisioneiros políticos, embora ONGs como o Foro Penal tenham denunciado que o número de solturas foi significativamente menor do que o anunciado, mantendo o ceticismo sobre uma transição democrática real. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também deve se reunir com autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial para discutir a retomada das relações comerciais com o país sul-americano. Em 11 de janeiro de 2026, Scott Bessent indicou que os EUA consideram ampliar a retirada de sanções, incluindo a liberação de cerca de US$ 5 bilhões em ativos monetários venezuelanos congelados no FMI. No mesmo dia, o governo venezuelano criticou o alerta de viagem dos EUA, que mantém o país no nível máximo de risco, alegando que o aviso distorce a realidade e cria uma "percepção de risco" infundada.