Tensão EUA x Venezuela
Adicionado evento de 09/01/2026 sobre a ordem executiva de Trump para proteger receitas do petróleo venezuelano e sua reunião com executivos de petrolíferas para incentivar investimentos.
A tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela intensificou-se significativamente no final de 2025 e início de 2026, marcada por uma transição de sanções econômicas para o controle direto dos recursos venezuelanos pelos EUA. Após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, a administração de Donald Trump passou a intermediar diretamente a comercialização do petróleo venezuelano. Sob um novo arranjo econômico, a receita das vendas é depositada em contas controladas pelos EUA e destinada prioritariamente à compra de produtos americanos. Trump designou um grupo de supervisão composto por Marco Rubio (Secretário de Estado), Pete Hegseth (Defesa), Stephen Miller e JD Vance para administrar o país interinamente. Em 9 de janeiro de 2026, ambos os governos sinalizaram uma possível normalização diplomática, embora o cenário interno venezuelano permaneça marcado por repressão aguda, crise econômica e a influência de um conselho administrativo americano que planeja explorar o petróleo local por "muitos anos". No mesmo dia, o presidente Trump assinou uma ordem executiva para proteger as receitas do petróleo venezuelano mantidas em contas do Tesouro dos EUA de serem confiscadas por tribunais ou credores, garantindo que os fundos sejam usados para promover a "paz, prosperidade e estabilidade" na Venezuela.
As relações entre os Estados Unidos e a Venezuela deterioraram-se acentuadamente sob a presidência de Nicolás Maduro, acusado de liderar o "Cartel de los Soles". Em agosto de 2025, os EUA dobraram a recompensa por Maduro para US$ 50 milhões. A estratégia mudou drasticamente em 3 de janeiro de 2026 com a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por forças de elite americanas em Caracas; ambos foram levados para uma penitenciária em Nova York. O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela designou Delcy Rodríguez como presidente interina por um período de 90 dias.
Internamente, a queda de Maduro não arrefeceu o controle estatal. Sob a liderança de Delcy Rodríguez, o regime mantém uma estrutura de poder onde Vladimir Padrino López (Defesa) e Diosdado Cabello (Interior) garantem o controle militar e policial. A repressão intensificou-se com o decreto de estado de emergência; relatos indicam a prisão de jornalistas e cidadãos, incluindo idosos detidos por comemorarem a queda de Maduro. A fiscalização policial tornou-se onipresente, com vistorias de celulares em busca de mensagens críticas ao governo. Em 10 de janeiro de 2026, grupos de direitos humanos relataram a libertação de 18 detentos de uma prisão venezuelana, um evento que ocorreu após a incursão militar dos EUA, embora o governo venezuelano não tenha confirmado oficialmente o número ou a identidade dos libertados.
A administração Trump utiliza o combate ao narcoterrorismo como pilar central. Antes da captura de Maduro, os EUA atacaram mais de 30 embarcações suspeitas de tráfico no Pacífico e Caribe. A operação de 3 de janeiro iniciou-se às 2h da manhã com explosões em Caracas, resultando em cerca de 100 mortes, segundo o governo venezuelano. A nova diretriz de Washington prevê o uso de forças terrestres para desmantelar cartéis, mantendo a pressão militar como ferramenta para garantir a cooperação energética do regime interino.
Com a nova administração dos recursos, a Venezuela concordou em entregar 50 milhões de barris de petróleo aos EUA — quase dois meses de produção. Trump afirmou que a exploração ocorrerá por "muitos anos" e que os recursos devem ser usados exclusivamente para comprar produtos americanos. No mercado financeiro, a crise provocou valorização nos contratos futuros de petróleo devido ao temor de interrupções na oferta global. Empresas como a Chevron seguem como modelos para a reconstrução da infraestrutura sob supervisão de Washington. Em 9 de janeiro de 2026, o presidente Trump se reuniu com executivos de petrolíferas como Exxon, Conoco e Chevron para incentivar um investimento de US$ 100 bilhões na indústria petrolífera venezuelana. No mesmo dia, ele assinou uma ordem executiva para proteger as receitas do petróleo venezuelano, depositadas em contas do Tesouro dos EUA, de reivindicações de credores privados, como a Exxon Mobil e a ConocoPhillips, que têm bilhões a receber do país. A ordem declara que o dinheiro é propriedade soberana da Venezuela, mantida sob custódia dos EUA para fins governamentais e diplomáticos, e não está sujeita a reivindicações privadas, citando a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional e a Lei de Emergências Nacionais como base legal.
A operação militar dividiu a comunidade internacional. Países como Rússia, China, Cuba e Irã condenaram a ação; a Rússia classificou-a como "agressão armada" no Conselho de Segurança da ONU. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou o ataque como uma afronta à soberania. Em contraste, o presidente argentino Javier Milei celebrou a operação.
Apesar das tensões, em 9 de janeiro de 2026, iniciou-se um processo exploratório para reabertura de embaixadas. Como gesto de paz, o governo venezuelano anunciou a libertação de prisioneiros políticos, embora ONGs como o Foro Penal tenham denunciado que o número de solturas foi significativamente menor do que o anunciado, mantendo o ceticismo sobre uma transição democrática real.