Tensão EUA x Venezuela
Adicionado evento de 10/01/2026 sobre a libertação de 18 detentos na Venezuela, reportada por grupos de direitos humanos, e atualizado o contexto interno.
A tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela intensificou-se significativamente no final de 2025 e início de 2026, marcada por uma transição de sanções econômicas para o controle direto dos recursos venezuelanos pelos EUA. Após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, a administração de Donald Trump passou a intermediar diretamente a comercialização do petróleo venezuelano. Sob um novo arranjo econômico, a receita das vendas é depositada em contas controladas pelos EUA e destinada prioritariamente à compra de produtos americanos. Trump designou um grupo de supervisão composto por Marco Rubio (Secretário de Estado), Pete Hegseth (Defesa), Stephen Miller e JD Vance para administrar o país interinamente. Em 9 de janeiro de 2026, ambos os governos sinalizaram uma possível normalização diplomática, embora o cenário interno venezuelano permaneça marcado por repressão aguda, crise econômica e a influência de um conselho administrativo americano que planeja explorar o petróleo local por "muitos anos".
As relações entre os Estados Unidos e a Venezuela deterioraram-se acentuadamente sob a presidência de Nicolás Maduro, acusado de liderar o "Cartel de los Soles". Em agosto de 2025, os EUA dobraram a recompensa por Maduro para US$ 50 milhões. A estratégia mudou drasticamente em 3 de janeiro de 2026 com a captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por forças de elite americanas em Caracas; ambos foram levados para uma penitenciária em Nova York. O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela designou Delcy Rodríguez como presidente interina por um período de 90 dias.
Internamente, a queda de Maduro não arrefeceu o controle estatal. Sob a liderança de Delcy Rodríguez, o regime mantém uma estrutura de poder onde Vladimir Padrino López (Defesa) e Diosdado Cabello (Interior) garantem o controle militar e policial. A repressão intensificou-se com o decreto de estado de emergência; relatos indicam a prisão de jornalistas e cidadãos, incluindo idosos detidos por comemorarem a queda de Maduro. A fiscalização policial tornou-se onipresente, com vistorias de celulares em busca de mensagens críticas ao governo. Em 10 de janeiro de 2026, grupos de direitos humanos relataram a libertação de 18 detentos de uma prisão venezuelana, um evento que ocorreu após a incursão militar dos EUA, embora o governo venezuelano não tenha confirmado oficialmente o número ou a identidade dos libertados.
A administração Trump utiliza o combate ao narcoterrorismo como pilar central. Antes da captura de Maduro, os EUA atacaram mais de 30 embarcações suspeitas de tráfico no Pacífico e Caribe. A operação de 3 de janeiro iniciou-se às 2h da manhã com explosões em Caracas, resultando em cerca de 100 mortes, segundo o governo venezuelano. A nova diretriz de Washington prevê o uso de forças terrestres para desmantelar cartéis, mantendo a pressão militar como ferramenta para garantir a cooperação energética do regime interino.
Com a nova administração dos recursos, a Venezuela concordou em entregar 50 milhões de barris de petróleo aos EUA — quase dois meses de produção. Trump afirmou que a exploração ocorrerá por "muitos anos" e que os recursos devem ser usados exclusivamente para comprar produtos americanos. No mercado financeiro, a crise provocou valorização nos contratos futuros de petróleo devido ao temor de interrupções na oferta global. Empresas como a Chevron seguem como modelos para a reconstrução da infraestrutura sob supervisão de Washington.
A operação militar dividiu a comunidade internacional. Países como Rússia, China, Cuba e Irã condenaram a ação; a Rússia classificou-a como "agressão armada" no Conselho de Segurança da ONU. O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, condenou o ataque como uma afronta à soberania. Em contraste, o presidente argentino Javier Milei celebrou a operação.
Apesar das tensões, em 9 de janeiro de 2026, iniciou-se um processo exploratório para reabertura de embaixadas. Como gesto de paz, o governo venezuelano anunciou a libertação de prisioneiros políticos, embora ONGs como o Foro Penal tenham denunciado que o número de solturas foi significativamente menor do que o anunciado, mantendo o ceticismo sobre uma transição democrática real.