Tensão EUA x Venezuela
Adicionadas informações sobre a repressão cotidiana na Venezuela, incluindo a fiscalização de celulares pela polícia, o clima de 'tensa calma' em Caracas e a declaração de Donald Trump de 08/01/2026 sobre a administração do petróleo venezuelano por longo prazo.
A tensão entre os Estados Unidos e a Venezuela intensificou-se significativamente no final de 2025 e início de 2026, marcada por uma transição de sanções econômicas para o controle direto dos recursos venezuelanos pelos EUA. Após a captura de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, a administração de Donald Trump passou a intermediar diretamente a comercialização do petróleo venezuelano. Sob um novo arranjo econômico, a receita das vendas é depositada em contas controladas pelos EUA e destinada prioritariamente à compra de produtos americanos. Em 9 de janeiro de 2026, ambos os governos sinalizaram uma possível normalização diplomática, explorando a reabertura de embaixadas, embora o cenário interno venezuelano permaneça marcado por repressão, crise econômica aguda e ameaças de novas intervenções militares terrestres focadas no combate ao narcoterrorismo.
As relações entre os Estados Unidos e a Venezuela deterioraram-se acentuadamente sob a presidência de Nicolás Maduro, a quem os EUA acusavam de liderar um regime ilegítimo vinculado ao narcotráfico. Após anos de sanções iniciadas em 2019, a estratégia americana mudou drasticamente em janeiro de 2026 com a captura de Maduro por forças dos EUA. O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela designou Delcy Rodríguez como presidente interina para assumir o poder após a remoção de Maduro.
A justificativa para a captura de Maduro baseou-se parcialmente no combate ao narcoterrorismo. Em 9 de janeiro de 2026, o presidente Donald Trump elevou o tom da retórica militar ao afirmar que os EUA realizarão ataques terrestres contra cartéis na Venezuela. Além disso, em declarações dadas em 8 de janeiro de 2026, Trump afirmou que seu governo deve seguir administrando a Venezuela e extraindo petróleo do país "por muitos anos", sinalizando uma ocupação econômica de longo prazo.
Internamente, a queda de Maduro não arrefeceu o controle estatal; pelo contrário, o regime intensificou a repressão sob um decreto de estado de emergência emitido em 3 de janeiro, que ordena a prisão de qualquer pessoa que apoie a ação americana. Relatos de cidadãos em Caracas descrevem uma "tensa calma", com ruas desertas, comércio fechando mais cedo e falta de transporte público. A fiscalização policial tornou-se onipresente, incluindo a vistoria de telefones celulares em busca de mensagens, figurinhas ou vídeos que celebrem a captura de Maduro ou critiquem o governo. O clima de medo impede que a população se manifeste publicamente, enquanto o partido governista organiza marchas diárias pela liberdade de Maduro e Cilia Flores.
A administração Trump tem utilizado o combate ao narcoterrorismo como pilar central para suas ações na Venezuela. Além da captura do ex-presidente, a nova diretriz de Washington prevê o uso de forças terrestres para desmantelar infraestruturas de cartéis de drogas que operam no país. Essa postura cria um cenário de dualidade, onde os EUA buscam reabrir canais diplomáticos ao mesmo tempo em que planejam incursões militares diretas contra alvos específicos no território venezuelano. Entre a população local, a intervenção militar estrangeira gera divisões; enquanto alguns priorizam o progresso econômico independente de quem administre os recursos, outros veem a ação como uma violação inaceitável da soberania nacional.
Com a nova administração dos recursos venezuelanos pelos EUA, petroleiras americanas começaram a reavaliar sua presença no país. A Chevron, que já possui operações ativas, serve como modelo para os novos termos de negociação. Donald Trump afirmou que a cooperação com o governo interino visa a reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás da Venezuela em uma escala "maior, melhor e mais moderna". No mercado financeiro, a crise provocou uma valorização nos contratos futuros de petróleo. Em 9 de janeiro de 2026, os preços fecharam em alta, refletindo o temor de investidores sobre interrupções na oferta global e as novas dinâmicas de mercado impostas por Washington. A situação econômica interna, contudo, agravou-se com a disparada de preços em mercados locais e a pobreza extrema.
Em 9 de janeiro de 2026, os governos dos EUA e da Venezuela iniciaram um processo exploratório para o restabelecimento de missões diplomáticas. Uma equipe de diplomatas americanos viajou a Caracas para realizar uma avaliação preliminar sobre a reabertura da Embaixada dos EUA. Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, atribuiu a possibilidade de distensão a esforços de mediadores internacionais, agradecendo nominalmente ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, ao ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e ao governo do Qatar.
Como gesto unilateral de paz, o governo venezuelano anunciou a libertação de prisioneiros políticos, incluindo a ativista Rocío San Miguel e o ex-candidato presidencial Enrique Márquez. No entanto, a medida foi recebida com ceticismo por organizações de direitos humanos e pela população. Há uma percepção de perda de credibilidade tanto do governo quanto da oposição tradicional, com cidadãos expressando incerteza sobre se uma mudança de poder garantirá estabilidade política sem submeter o país a interesses estrangeiros.